O sentimento de dor, revolta e impotência tomou conta da auxiliar de cozinha, de 38 anos, mãe de uma das adolescentes de 13 anos agredidas durante a festa junina da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Martha Wartenberg, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. A mulher aceitou falar com a reportagem de ABCmais, mas pediu para não ser identificada para preservar a identidade da filha.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Foto: Isaías Rheinheimer/GES Especial
A adolescente foi uma das vítimas da confusão registrada no último sábado (27). Imagens gravadas por pessoas que acompanhavam o evento mostram que, após uma briga iniciada entre adolescentes, a menina é derrubada no chão e tem a cabeça pisoteada por pelo menos três golpes desferidos por um homem adulto.
“A gente acha que os filhos estão seguros e não estão”
É uma covardia enorme, porque são adultos batendo em uma adolescente. E eu, como mãe, nem eu bato na minha filha. É uma covardia e uma injustiça muito grande”, desabafa.
Segundo a mãe, a confusão começou por uma situação considerada fútil. Uma adolescente de 16 anos teria implicado com sua filha, alegando que ela teria olhado “com cara feia” para ela. A discussão acabou envolvendo uma segunda adolescente de 13 anos, amiga da primeira. As duas foram agredidas pela adolescente mais velha e por familiares dela, dois homens e uma mulher.
SIGA O ABCMAIS NO GOOGLE NOTÍCIAS!
A mãe conta que soube da agressão ainda na noite de sábado, quando a filha voltou para casa. “Assim que elas chegaram, já me contaram o que tinha acontecido. Depois comecei a receber os vídeos. E ainda teve gente mandando vídeos rindo porque ela tinha apanhado de adultos e dizendo que a gente não podia fazer nada”, relata.
Ela afirma que reviver a cena por meio das imagens foi uma das experiências mais difíceis desde o ocorrido. “O sentimento é de dor, de impotência. Acho que toda mãe e todo pai entendem essa dor de ver um filho sendo machucado por outra pessoa”, afirma.
Além da violência sofrida pela filha, a mãe diz que se sentiu ainda mais abalada pelo fato de o episódio ter acontecido em frente a uma escola, local onde imaginava que a adolescente estivesse protegida. “É complicado porque foi na frente da escola. A gente acha que os filhos estão seguros e não estão. A gente cria os filhos com carinho e com amor para alguém vir e machucar. Era uma briga de adolescentes, e os adultos não deveriam ter tomado essa atitude”, lamenta.
Família diz que ainda não foi procurada
Nesta segunda-feira (29), a Secretaria Municipal de Educação (SMED) informou, por meio da assessoria de imprensa, que lamenta o episódio, que a direção da escola acionou imediatamente a Guarda Municipal e que acompanha o caso, prestando apoio à estudante envolvida. A pasta também anunciou que fará uma reunião com os diretores das escolas da rede para revisar os protocolos de segurança em eventos abertos ao público.
Apesar da manifestação oficial, a mãe afirma que, até o momento, ninguém da Prefeitura, da Secretaria de Educação, da escola ou das autoridades policiais havia procurado a família.
“Nem mesmo a escola entrou em contato. Esse é o primeiro momento que eu tenho para falar sobre o que estou sentindo”, afirma.
Mesmo diante do trauma, a mãe diz que pretende manter a filha matriculada na escola, por não ter condições financeiras de transferi-la para outra instituição. Ela admite, porém, que o medo passou a fazer parte da rotina da família. “Vou manter (na escola) porque ela precisa estudar e eu não tenho recursos para colocar em outro lugar. Mas vai ficar o medo. Quem vai me garantir que isso não aconteça de novo?”, questiona.
“Eu só quero que seja feita justiça. Quem fez o que fez precisa responder pelos seus atos. A lei está aí para isso”, finaliza.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES Especial