Imagens gravadas na tarde do dia 20 de agosto mostram o momento em que a professora de 50 anos, investigada por maus-tratos, puxou e empurrou bebês em uma creche de São Leopoldo. A filmagem, feita por câmeras de monitoramento, já está em posse da Polícia Civil. (Veja abaixo)
Uma das crianças, de 1 ano e seis meses, ficou ferida e foi submetida a exame médico após atividade na Escola de Educação Infantil Estação da Criança, quando os pais notaram uma mudança de comportamento.
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Foto: Imagens cedidas pela Polícia Civil
O caso foi divulgado pela reportagem de ABCmais na quinta (28), quando o delegado André Serrão, titular da 1ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo, informou que um inquérito policial está em andamento para investigar a conduta da docente. Nas imagens, é possível ver quando ela leva uma das crianças a um grupo de alunos.
Depois, puxa outros dois pelo braço. O primeiro é o menino que acaba lesionado. Ele cai sentado ao chão.
Assim que a professora puxa o segundo, um terceiro cai de bruços, atingido na sequência pelo colega puxado pela professora. A mesma criança levada ao grupo acaba empurrada pela docente.
O bebê lesionado, assim que foi levado para casa, apresentou comportamento “choroso e de evidências de dor”. Foi levado para atendimento médico especializado, onde um traumatologista constatou uma lesão no cotovelo do bebê, que, segundo o profissional, não seria decorrente de um tombo acidental, mas de “uma pegada diferente” ou puxada. As outras crianças não se feriram.
Segundo a Polícia Civil, ela dividia a sala com uma ajudante, que pode ser vista nas imagens. Ela e a investigada serão ouvidas na próxima semana.
Ainda de acordo com Serrão, no último sábado (23) foram solicitadas imagens de câmeras de monitoramento dos espaços frequentados pela professora desde o dia 1º de agosto. Contudo, na segunda (25), o equipamento DVR (Digital Video Recorder), que continha as gravações, e um notebook foram furtados do veículo da diretora da creche em uma área central da cidade, o que dificulta o trabalho da Polícia Civil.
“Este incidente, que por si só é objeto de outra investigação policial, representa um desafio na obtenção das provas digitais, embora não interrompa a continuidade da apuração dos fatos”, diz Serrão.
O que diz a escola
Nesta sexta (29), a Escola de Educação Infantil Estação da Criança se manifestou sobre o caso. “Cumpre destacar que tal ato é absolutamente incompatível com os princípios éticos, pedagógicos e de proteção integral que regem esta instituição, configurando grave violação aos direitos da criança”, diz parte do texto.
“Diante da gravidade do ocorrido, a Escola adotou imediatamente as seguintes providências: demissão da profissional envolvida, comunicação formal às autoridades competentes para apuração dos fatos na esfera legal, atendimento e apoio integral à criança e sua família, reforço das medidas internas de prevenção, fiscalização e monitoramento, a fim de resguardar o ambiente seguro e acolhedor que é dever desta instituição garantir”, completa.
Por fim, a instituição afirma que “não compactuamos nem compactuaremos com qualquer forma de violência, negligência ou desrespeito no âmbito escolar”. “Nossa atuação permanecerá pautada no compromisso inabalável com a proteção da infância, a ética educacional e a integridade das nossas crianças.”
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) afirma que a escola, apesar de ser particular, é conveniada da pasta. Por isso, conforme a Smed, o local também faz parte do escopo de atendimentos do Núcleo de Enfrentamento à Violência Escolar (Neve).