A Polícia Civil, por meio da 1ª Delegacia de Polícia (DP) de São Leopoldo, divulgou nesta terça-feira (30) a conclusão da investigação que apurou a denúncia de maus-tratos e lesão corporal envolvendo crianças em uma instituição de ensino infantil privada da cidade.

Foto: reprodução/Polícia Civil
Segundo o delegado André Serrão, uma professora de 50 anos foi indiciada pelos crimes de lesão corporal majorada e maus-tratos.
O inquérito agora será encaminhado ao Ministério Público para que seja oferecida a denúncia contra a professora. Em seu depoimento, a investigada optou por permanecer em silêncio, resguardando seu direito de manifestar-se somente em juízo.
A investigação
A apuração da Polícia Civil iniciou a partir de uma denúncia feita em 20 de agosto, quando os pais de uma criança de 1 ano e 6 meses procuraram as autoridades para relatar que o filho teria sofrido uma lesão enquanto estava sob os cuidados da escolinha de educação infantil.
Os pais da criança relataram que, após ser buscado da instituição, o filho apresentava comportamento choroso e evidências de dor. Uma avaliação médica especializada por um traumatologista constatou o deslocamento do antebraço direito da criança, indicando que a lesão não seria decorrente de um tombo acidental (o que inicialmente foi alegado pela professora), mas sim de uma “puxada provocada”.
Um laudo pericial do Instituto-Geral de Perícias (IGP)confirmou o diagnóstico médico.
Vídeos gravados na escolinha revelaram um padrão de conduta inadequada e agressiva por parte da professora, que não possui antecedentes criminais. Ela era responsável pela turma de crianças com idade entre 1 ano e 1 ano e 6 meses. Segundo a Polícia, além da denúncia de 20 de agosto, múltiplos registros de ocorrência foram efetuados por pais de outras crianças.
Vídeos registraram agressões
Segundo a Polícia, a diretora e proprietária da instituição de ensino foi contatada pela Polícia Civil para prestar esclarecimentos e auxiliar nas investigações. Em depoimento e mediante solicitação, a mulher forneceu imagens do sistema interno de monitoramento, mediante cópia de segurança.
Conforme a investigação, um relatório de análise de vídeos, anexado aos autos, demonstra claramente a conduta inapropriada da professora, que foi vista “empurrando, puxando, jogando as crianças no chão ou usando de força excessiva”.
Nas imagens, a professora teria conduzido a criança por um dos braços “de maneira que não seria a correta” e, em outro momento, empurrado outras crianças da mesma turma.
No final de agosto, a própria diretora da instituição de ensino prestou esclarecimentos e, segundo Serrão, revisou as imagens no sistema interno de monitoramento e “notou um comportamento que considerou inadequado por parte de uma funcionária, uma mulher de 50 anos, responsável pela turma da criança”.
Comportamento alterado das crianças
O inquérito policial confirmou nos depoimentos dos pais a revelação de que as “crianças apresentavam significativas mudanças de comportamento, tornando-se mais agressivas, chorosas e reagindo negativamente a repreensões em casa. “Alguns menores demonstravam medo da professora, recusando-se a cumprimentá-la.”
A acusada de maus-tratos foi demitida da instituição de ensino ainda na época da denúncia.