Após a prisão de um policial penal com 15 anos de serviço suspeito de facilitar a fuga de um condenado que cumpria pena na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, a Secretaria de Segurança Pública do Estado divulgou detalhes da investigação nesta quarta-feira (1º). Localizado em Pelotas, o policial teria usado senhas de colegas para simular movimentações no sistema.

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Segundo a investigação, o agente teria falsificado um alvará de soltura para o detento Willian Ramos Silveira, ligado à facção Bala na Cara e condenado por assassinatos na Grande Porto Alegre. As imagens do sistema de monitoramento da penitenciária mostram que o preso foi retirado da cela, levado a uma sala onde teria recebido um documento falso e, a pedido do policial suspeito, conduzido por um agente de segurança até a portaria. Os papéis passaram por duas checagens antes da liberação.
Acesso de colegas
Para encobrir a ausência de Willian Ramos Silveira, o policial teria forjado movimentações no Sistema de Gerenciamento das Informações Penitenciárias (Infopen). Ele utilizaria logins de colegas, oferecendo-se para cobrir o trabalho no horário de almoço. Com o acesso de terceiros, teria suprimido o nome do preso do livro de registros e simulado trocas de galeria para enganar as contagens diárias.
A fuga teria ocorrido em 21 de maio, mas foi notada somente em 1º de junho. O preso dividia a cela com mais oito homens. Um dia após a saída do condenado em plena luz do dia, o policial suspeito pediu transferência de urgência para Rio Grande, solicitação que estava sob análise. A Corregedoria-Geral da Polícia Penal já havia afastado o policial.
Alta periculosidade
O detento solto irregularmente é considerado de alta periculosidade. Ele cumpria pena por homicídio qualificado por motivo torpe, tem mais de 34 anos de condenação restante a cumprir e segue foragido.
O agente é servidor de carreira há mais de 15 anos. Ele já ocupou cargos de chefia e atualmente tem remuneração bruta de R$ 16,8 mil mensais. O policial pode responder por peculato, associação criminosa e falsificação de documento público.
O que diz a Polícia Penal
A Polícia Penal confirma a fuga, diz que “os fatos e circunstâncias relacionados ao caso estão sendo rigorosamente investigados pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal e pela Polícia Civil” e que “paralelamente às investigações, as forças de segurança permanecem mobilizadas nas ações de busca para a recaptura do foragido”.