Quase um mês após a morte do trabalhador Luiz Fillipe Naibert durante a desmontagem da 48ª Expointer, a família cobra por respostas e justiça. Aos 31 anos, ele faleceu no dia 10 de setembro devido a uma descarga elétrica que recebeu enquanto desmontava as estruturas do setor de máquinas no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
Ele foi contratado pela empresa RDC Eventos Cavalheiro Carga e Descarga para desempenhar o serviço.

Foto: Acervo pessoal
De acordo com a viúva, a dona de casa Catiesca Quintanilha de Vargas, de 29 anos, moradora do bairro Pinheiro, de São Leopoldo, Luiz tentava consertar um fio desencapado quando levou o choque.
“O meu irmão, Bruno [Quintanilha], que trabalhava com ele, estava lá e gritou por socorro com o meu marido nos braços dele. Ele está muito abalado”, diz.
Catiesca comenta que Luiz deixou também os dois filhos. “Por uns dias, a Antonella [de 1 ano] ficava dizendo ‘papá, papá’, mas depois parou. Já o Lorenzo [3 anos] chora de noite pedindo pelo pai. Está sendo bem difícil para ele, porque eles eram o porto seguro um do outro”, desabafa.
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Além da dor emocional, a dona de casa enfrenta outro desafio: o financeiro. “Nós morávamos de aluguel e eu tive que entregar a casa porque eu não tinha como pagar. Se não fosse meus pais e meus amigos, eu estava na rua”, diz. Desde o dia do acidente, ela se mudou para a casa da mãe e do padrasto.
“Eu não fui procurada pela equipe do Parque Assis Brasil nem pela empresa, e não sei nada da Polícia. Estou aguardando o que minha advogada vai me dizer”, finaliza.
Empresário diz ter feito proposta à viúva
O Parque alega que “deu todos os atendimentos necessários durante o acontecido”. “A área em que aconteceu é de gestão privada de uma entidade copromotora e a empresa onde aconteceu o sinistro não possui contrato com o Parque, e sim com o copromotor.”
O proprietário da empresa que contratou Luiz, Ronaldo Cavalheiro, alega ter procurado a viúva. “Eu cheguei até a fazer uma proposta para ela e também me ofereci para agendar a ida no INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], mas ela recusou. E foi um acidente, uma fatalidade, eu estava no outro lado do Parque quando aconteceu”, afirma, sem detalhar qual teria sido a oferta realizada à Catiesca.
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A dona de casa confirma que recebeu a proposta, mas diz que ocorreu por intermédio do seu irmão e que orientou o empresário a entrar em contato com a advogada da família.
A Delegacia de Polícia de Esteio também foi procurada, mas não deu retorno sobre as investigações até a publicação desta matéria.
A advogada de Catiesca, Julia Vieira Pens, informa que “em respeito à memória do falecido e à privacidade de seus entes queridos, não prestará mais informações sobre o andamento processual”.