O vigilante Roberto Carlos Aires de Oliveira, 52 anos, foi condenado na noite desta quinta-feira por matar a tiros a ex-esposa, a diarista Rosângela Zimmer, 42, e o namorado dela, o representante comercial João Batista Cardoso de Souza, 58. O crime aconteceu em agosto de 2023 na casa de Rosângela, no bairro São José, em Novo Hamburgo.
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Foto: Reprodução
Oliveira recebeu 37 anos e oito meses em regime fechado. Ele já estava preso preventivamente. O júri começou por volta das 9 horas no fórum da cidade, acompanhado por parentes e amigos das vítimas. Eles pediam justiça. A sentença saiu às 19h15, após o corpo de jurados, formado por quatro mulheres e três homens, considerar o vigilante culpado pelo feminicídio seguido de homicídio.
Ofensas e indignação
O réu, que havia ficado em silêncio durante a fase processual, decidiu falar ao ser interrogado no júri. Causou indignação aos familiares das vítimas, principalmente de Rosângela, ao tentar desqualificar a ex-companheira com palavras ofensivas como forma de querer justificar o crime.
A juíza Bruna Casagrande Siebeneichler determinou a execução imediata da pena. E Oliveira foi reconduzido ao presídio. Em razão da lei de abuso de autoridade, não foram permitidas fotos do réu no plenário.
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Testemunhas relataram “sentimento de posse”
De acordo com testemunhas, o vigilante não aceitava o fim do relacionamento com Rosângela. Estavam separados há oito meses. Era um “sentimento de posse”, conforme vários relatos levados ao processo. Oliveira mantinha fotos com ela e declarações de amor nas redes sociais.
O acusado morava perto da ex. Monitorava a vida dela de forma doentia. No fim da noite de 5 de agosto de 2023, invadiu a casa de Rosângela, na Rua Xapuri, e abriu fogo com uma pistola de uso restrito, calibre 9 milímetros.
Era o primeiro encontro de Rosângela e João Batista. Eles foram surpreendidos pelos tiros, sem qualquer chance de defesa. Na manhã seguinte, preocupada com a filha porque ela não respondia mensagens, a mãe de Rosângela, Lorena Inês Benemann, 68, foi à casa. Encontrou os corpos no box do banheiro. No entorno, havia 15 estojos de pistola deflagrados.
Oliveira fugiu. Ele tinha acesso a armas na empresa de segurança privada onde trabalhava, mas sem direito fora do serviço. Foi preso oito dias depois. A defesa fez três pedidos de liberdade provisória nos últimos dois anos, todos negados pelo Judiciário.
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“Ele não parava de incomodar”
A mãe da diarista precisou ser consolada por familiares enquanto as fotos da cena do crime eram exibidas aos jurados. “Ele começou a perseguir ela logo que eles terminaram. Às vezes eu tentava dar conselho para ela, dizendo ‘quem sabe vocês vão se dar bem’, e ela respondia ‘mãe, vocês não sabem a pessoa que ele é'”, recorda Lorena.
Ela lembra de atos abusivos que presenciou. “Ela sempre vinha lá em casa. Uma vez nós estávamos tomando chimarrão, e ele chegou lá. Tentou agarrar ela. Ela dizia ‘para com isso, acabou, vive tua vida e me deixa em paz’, e ele não parava de incomodar ela.” A mãe também chamava a atenção do ex-genro, pedindo que respeitasse sua filha.
“Justiça por João Souza”
Familiares do representante comercial foram ao júri com camisetas personalizadas. Nelas, havia a foto da vítima estampada com o pedido “Justiça por João Souza”. Irmã dele, a professora Juliana Cardoso de Souza, 47, comenta que, até o crime ser cometido, a família não sabia de Rosângela.
“A gente nunca viu essa moça. Naquele dia, meu irmão estava deitado. De repente ele levantou e falou para a minha mãe que ia dar uma volta, mas não ia demorar. Mas de noite ele não voltou para casa”, recorda.
Juliana recebeu a notícia do homicídio. “Depois um casal bateu palmas na frente de casa e me perguntaram o que eu era do João. Quando eu disse que era irmã, ele falou ‘aconteceu uma coisa muito séria’. Quando perguntei o que, ele respondeu ‘o João foi assassinado.'”
*Colaborou: Amanda Krohn