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A um ano das eleições, cenários nacional e estadual começam a se desenhar

Entre consolidações e indefinições, eleitores começam a acompanhar os nomes para a corrida presidencial e estadual

Publicado em: 03/10/2025 às 06h:59 Última atualização: 03/10/2025 às 17h:36
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O próximo pleito geral, marcado para 4 de outubro de 2026, ainda parece distante, mas já movimenta bastidores da política no Brasil. Serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

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Palácio do Planalto já está na mira de pré-candidatos | abc+



Palácio do Planalto já está na mira de pré-candidatos

Foto: Ricardo Stuckert/PR

No plano nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve tentar a reeleição. Do outro lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue inelegível até 2030, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que deixou a direita sem um nome consolidado para a disputa. Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR) aparecem como alternativas em testes eleitorais, mas nenhum deles conseguiu até agora se impor de forma clara.

Como uma terceira via à corrida pelo Planalto está o governador Eduardo Leite (PSD-RS), que almeja se lançar candidato à presidência – o que o levou a abandonar o PSDB em maio deste ano.

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Interrogação

Para a advogada eleitoralista Francieli Campos, a falta de um candidato consolidado ainda é um fator que gera incerteza e indefinição. “A ausência de Jair Bolsonaro é um grande ponto de interrogação. Quem vai assumir essa liderança? Vários nomes estão sendo testados, mas acredito que a direita vai se unir em torno de um candidato único”, afirma.

Mesmo fora da disputa, o ex-presidente deve permanecer como ator central do jogo político. É o que defende o cientista político Everton Rodrigo Santos, professor da Universidade Feevale, ao lembrar que Lula, em 2018, mesmo impedido de concorrer, manteve protagonismo ao apoiar Fernando Haddad.

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Disputa nacional

A um ano dos eleitores irem às urnas, pesquisas de diferentes institutos têm apontado um cenário de vantagem para Lula em relação aos potenciais concorrentes. O levantamento MDA/CNT, divulgado em 8 de setembro, mostrou o presidente à frente em cinco dos seis cenários de segundo turno, com melhor desempenho contra os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (União Brasil) de Goiás, e situação de empate técnico apenas contra Ciro Gomes (PDT).

Dias depois, o AtlasIntel revelou crescimento da diferença do petista sobre todos os adversários, variando de 5,4 pontos contra Tarcísio de Freitas a 27,4 pontos em relação a Eduardo Leite (PSD). Já a pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 18 de setembro, confirmou a estabilidade de Lula na liderança, com margens que vão de sete a 19 pontos, dependendo do adversário, e desempenho consistente frente a nomes como Zema, Caiado, Ratinho Júnior (PSD), Eduardo Bolsonaro (PL) e até Michelle Bolsonaro (PL).

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Mesmo com esse quadro favorável, o Datafolha indicou em setembro que a avaliação do governo federal permanece estável, com 40% de reprovação, 29% de aprovação e outros 29% que classificam a gestão como regular. Para especialistas, o avanço de Lula nas pesquisas se explica em parte pela recuperação de narrativas e entregas recentes. Após meses de queda, a popularidade do presidente foi impulsionada pelo discurso de soberania nacional diante do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pela queda do preço dos alimentos.

Análises

Ainda assim, analistas consideram que o fator decisivo em 2026 será a economia. Everton Santos afirma que medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil precisam ser multiplicadas para garantir competitividade ao petista. “O bolso do eleitor pesa mais do que a ideologia”, resume. Francieli Campos acrescenta que, embora a narrativa de soberania tenha ajudado o governo a recompor popularidade em 2025, dificilmente terá peso em 2026. “O eleitor quer saber da conta do supermercado, do aluguel, do emprego e do atendimento na saúde. Questões concretas serão determinantes na decisão de voto”, projeta.

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A situação partido a partido no RS

No Rio Grande do Sul, a disputa pelo governo estadual começa a ganhar contornos mais claros, embora ainda esteja longe de se consolidar. Alguns partidos já oficializaram pré-candidaturas, enquanto outros seguem em negociações internas para definir seus nomes estratégicos.

• MDB – Vice-governador, Gabriel Souza teve sua pré-candidatura confirmada em evento do MDB em junho. Conta com apoio do governador Eduardo Leite (PSD) e é visto como candidato da situação. Nas últimas semanas, o governo intensificou a exposição pública de Gabriel, em uma estratégia de Leite para ampliar sua projeção junto ao eleitorado. A campanha deve explorar justamente esse diferencial: apresentá-lo como o candidato que melhor conhece os desafios do Estado.

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• PSDB – No ninho tucano, a crise interna ganhou força após o esvaziamento da legenda no RS, resultado da migração do governador Eduardo Leite para o PSD. Em julho, durante um encontro regional em Rio Grande, o diretório estadual lançou a secretária de Relações Institucionais do governo Leite, Paula Mascarenhas, como pré-candidata ao Piratini. O gesto foi interpretado por setores do partido como uma estratégia para que o governador, mesmo fora da sigla, mantivesse influência sobre os tucanos no Estado. O cenário mudou em setembro, quando o prefeito de Guaíba e presidente do consórcio da Granpal, Marcelo Maranata, deixou o PDT e filiou-se ao PSDB com o objetivo declarado de disputar o governo em 2026. A chegada de Maranata já é tratada como parte de uma estratégia para a formação de uma futura chapa majoritária, mas também abriu novas incertezas sobre o destino político de Paula Mascarenhas

• PL – Deputado federal e uma das vozes mais ativas da oposição na Câmara, Luciano Zucco foi lançado oficialmente como pré-candidato do PL ao governo do Estado em julho, com o aval direto do ex-presidente Jair Bolsonaro. A candidatura ganhou ainda o reforço de uma aliança com o partido Novo, já formalizada para 2026. Nas pesquisas mais recentes do Instituto Paraná Pesquisas, Zucco aparece com cerca de 27% das intenções de voto, liderando em alguns cenários e consolidando-se como o principal nome do campo bolsonarista na disputa.

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• Missão – A legenda oficializou segunda-feira (29) a pré-candidatura do policial rodoviário federal Evandro Augusto, ao governo do RS em 2026. A movimentação já havia sido antecipada em julho pelo dirigente estadual da sigla, Jota Júnior, durante visita ao Estado. O anúncio coincide com a decisão do Ministério Público Eleitoral, que emitiu parecer favorável ao cumprimento dos requisitos formais para a criação do partido.

• PT – O Partido dos Trabalhadores ainda não definiu seu candidato ao governo do RS em 2026. Edegar Pretto, atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), segue no páreo, mas sua baixa performance nas pesquisas gerou pressão interna por uma reavaliação da estratégia. Entre os nomes cogitados estão Paulo Pimenta, com forte presença durante a crise climática e principal aposta para o Senado, e Pepe Vargas, presidente da Assembleia, apontado como alternativa viável ao Piratini.

• PDT – A ex-deputada estadual e neta do ex-governador Leonel Brizola, Juliana Brizola aposta em um discurso de distanciamento da polarização e busca montar uma chapa ampla, capaz de atrair diferentes partidos do campo democrático, tanto à esquerda quanto ao centro.

• PP – O deputado federal Covatti Filho (PP) confirmou em julho sua pré-candidatura ao governo do RS em 2026. Como presidente do partido no Estado, ele busca conter divisões internas e reforçar a presença do PP no território gaúcho, mas os impactos dessa decisão sobre a disputa ainda são incertos.

Panorama fragmentado no Estado

As sondagens eleitorais no Estado apontam cenário fragmentado, com muitos indecisos. Segundo levantamento Quaest, há empate técnico entre Juliana Brizola (PDT, 21%) e Luciano Zucco (PL, 20%), com Edegar Pretto (PT, 11%) em terceiro lugar.

Para a advogada Francieli Campos, a rejeição pode ser fator decisivo. “Quando os candidatos têm números próximos, a rejeição tende a definir quem vai avançar ao segundo turno. O eleitor gaúcho é mais volátil, e apoios nacionais de Lula ou Bolsonaro podem ter peso limitado”.

Já o professor Everton Santos destaca a imprevisibilidade: “O cenário gaúcho ainda está em formação. Hoje há fragmentação e ausência de nomes consolidados. A tendência é que a disputa se defina apenas perto do segundo turno”, finaliza sua análise.

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