Klaus Hanisch Schuch, conhecido nas redes sociais como “Alemão Klaus” e ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL)*, foi exonerado do cargo de coordenador no Gabinete do Prefeito de Novo Hamburgo.
A demissão foi confirmada pela Prefeitura na tarde desta segunda-feira (15), em resposta à denúncia feita pelo deputado estadual Leonel Radde (PT).
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Foto: Reprodução
A polêmica ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo publicado por Radde no último sábado (13), no qual o parlamentar questiona o que chamou de “financiamento público de integrantes da extrema-direita”. A denúncia surgiu após membros do grupo intervirem em um ato no Parque da Redenção, em Porto Alegre, em apoio à Global Sumud Flotilla, movimento humanitário internacional que pede o fim do conflito em Gaza.
“Quem procura, acha. E eu achei onde e quem financia esses badernistas da extrema-direita fascista”, afirmou o deputado, que exibiu registros em vídeo de quatro ocasiões nas quais confronta Klaus Schuch, perguntando onde ele trabalhava. A falta de resposta de Schuch, segundo Radde, reforçaria a tentativa de ocultar o vínculo com a administração pública.
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A nomeação de Schuch para o cargo de coordenador foi publicada no Diário Oficial do Município em 15 de agosto, por meio de portaria assinada pela secretária de Gestão, Governança e Desburocratização, Andrea Schneider Pascoal. No entanto, ele já atuava oficialmente no cargo desde o dia 8 do mesmo mês, com lotação no Gabinete do Prefeito Gustavo Finck (PP).
Nas redes sociais, Klaus Schuch soma mais de 70 mil seguidores no Instagram, onde se identifica como “de origem judaico-alemã, conservador e antipetista”. Ele também aparece em publicações promovendo o deputado federal Tenente-Coronel Zucco (PL), pré-candidato ao governo do Estado em 2026 e liderança influente na articulação política do PL em Novo Hamburgo.
Prefeitura se manifesta
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Novo Hamburgo informou que Klaus Hanisch Schuch não integra mais o quadro de servidores comissionados do Município.
Segundo a administração, a exoneração foi uma medida adotada internamente, após análise do caso. A Prefeitura afirmou ainda que as nomeações para cargos de confiança seguem “critérios técnicos e de alinhamento com as necessidades da gestão, respeitando sempre a legislação vigente”.
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“A atual administração reforça que não apoia nem admite qualquer prática ou vínculo institucional com movimentos ou manifestações de caráter antidemocrático. O compromisso da Prefeitura é com a democracia, a transparência e o serviço público voltado para o interesse coletivo”, diz trecho do documento.
*MBL diz que Schuch foi expulso do movimento
Inicialmente, a reportagem informou que Schuch ainda fazia parte do Movimento Brasil Livre (MBL), mas, após a repercussão do caso, o movimento divulgou nota afirmando que Schuch foi expulso do grupo ainda em julho de 2025 e que suas ações não representam mais o movimento.
“Esclarecemos que Klaus Schuch foi expulso do MBL ainda em julho de 2025, não possuindo desde então qualquer vínculo com a coordenação estadual ou com as atividades do movimento. Assim, suas condutas não refletem nem representam os posicionamentos institucionais do MBL”, diz o texto assinado pelo coordenador estadual – MBL no Rio Grande do Sul, Maurício Lindol.
No documento, a coordenação estadual do movimento ainda explicou os motivos da expulsão:
“Klaus Schuch é ex-coordenador do movimento e foi desligado do grupo ainda em julho deste ano. Sua reincidência em abordagens truculentas e alianças com políticos bolsonaristas ocasionaram sua expulsão. Salientamos que quaisquer ações, opiniões ou manifestações realizadas pelo ativista após o desligamento não representam posicionamentos institucionais do MBL.”
Silêncio do ex-servidor
Klaus Hanisch Schuch foi procurado pela reportagem, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.