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VALE DO SINOS

Câmara de Estância Velha rejeita projeto que regulamentaria o Kerb

Texto previa limites de gastos, horários e regras para shows e escolha da realeza; quatro autores votaram contra a proposta

Publicado em: 30/10/2025 às 23h:22 Última atualização: 30/10/2025 às 23h:57
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A Câmara de Vereadores de Estância Velha rejeitou, em sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira (30), o projeto de lei que regulamentaria o tradicional Festival de Kerb, reconhecido como uma das principais manifestações culturais do Vale do Sinos e símbolo da herança alemã na região. O resultado foi de três votos favoráveis e cinco contrários.

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Câmara de Estância Velha rejeita projeto que regulamentava o Kerb

Foto: CVEV

O Projeto de Lei nº 29/2025, protocolado em maio por nove parlamentares, previa regras para a organização das próximas edições do evento, a partir de 2026. O texto estabelecia limites para cachês de shows, definição de horários de encerramento, critérios musicais e regras para a escolha da realeza do Kerb.

Votaram a favor da proposta os vereadores Antônio Worst (PL), Carlos Bonne (PDT) e Lucas Argentino (MDB). Foram contrários Carlito Borges (PP), Clóvis Santos (PSDB), José Dresch (PSDB), Prof. Marcelinho Stoffel (CID) e Otávio Luft (PL).

Em julho, a proposta foi apresentada à comunidade durante uma reunião da Comissão Parlamentar Fiscalizatória da Câmara. Estiveram presentes representantes do Executivo, ex-reis e rainhas do Kerb, grupos de camisas e artistas locais. Durante o encontro, foram feitas sugestões de alterações ao texto substitutivo, que recebeu emendas ao longo da tramitação.

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Durante a sessão, o vereador Antônio Worst (PL), presidente da Comissão, lembrou que a pauta entrou em votação após pedidos de vistas e ressaltou o esforço para construir um texto consensual.

“Foi montado um texto que agradasse a todos, inclusive com a inclusão de uma emenda do Executivo. Esperamos que seja respeitado aquilo que construímos juntos. Cedemos bastante e esperamos coerência. Entendemos que, às vezes, o vereador precisa repensar o voto, mas aqui estamos falando de uma construção coletiva, ouvindo a comunidade”, afirmou.

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Após o resultado, o presidente da Câmara, Edenilson Klaus (PP), conhecido como Nina, lamentou a decisão e criticou o que chamou de falta de responsabilidade com os recursos públicos.

“A gastança venceu. O projeto regulamentava o Kerb, especialmente os gastos, e infelizmente a comunidade perdeu. Esses valores poderiam ser investidos em exames, consultas, cirurgias e vagas em creches”, declarou.

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Divisão entre os autores

O que chamou atenção foi o fato de que quatro dos nove vereadores que assinaram o projeto — Carlito Borges, José Dresch, Marcelinho Stoffel e Otávio Luft — votaram contra a proposta que ajudaram a protocolar. Nenhum deles se manifestou durante ou após a sessão.

Nas redes sociais, o prefeito Diego Francisco (PSD) comemorou a decisão do Legislativo que rejeitou o projeto.

“Hoje a Câmara reprovou um projeto que impunha várias restrições ao nosso Kerb — como limites de valores, horários e até estilos musicais. Entendemos que este não é o momento de mudar algo que vem dando certo”, escreveu o prefeito.

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Diego Francisco também agradeceu à população e aos vereadores que votaram contra a proposta. “Quero agradecer à comunidade pelo apoio e aos vereadores que compreenderam a importância de manter o Kerb como ele é — diverso, alegre e de portas abertas para todos. O Kerb não é só festa. É tradição, cultura e orgulho de Estância Velha”, declarou.

Em sentido oposto, o vereador Lucas Argentino (MDB) criticou a decisão nas redes sociais: “Quando a Prefeitura gastar 400 ou 500 mil reais em um show de 60 minutos que nada tem a ver com o Kerb, e você continuar esperando meses por um exame ou vaga em creche, saiba quem são os responsáveis por isso.”

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O que previa o projeto

A proposta previa limite de 60 salários mínimos (cerca de R$ 90,8 mil) para contratação de shows e ingresso de até 1% do salário mínimo (R$ 15,18), reforçando o caráter popular do evento.
Os horários de encerramento seriam às 21h de segunda a quinta-feira, 23h em sextas, sábados e vésperas de feriado e 22h aos domingos.

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O texto também regulamentava a escolha do Rei e da Rainha do Kerb, por votação secreta de uma comissão formada por ex-soberanos.

A pedido do Executivo, foi incluída a possibilidade de até 15% de repertório musical de outros estilos, além das bandinhas típicas alemãs.

Debate sobre gastos

Realizado há mais de quatro décadas, o Festival de Kerb é considerado um dos maiores eventos culturais da região, reunindo mais de 70 mil pessoas em 2025.

A proposta de regulamentação surgiu após críticas aos altos custos do evento — neste ano, a Prefeitura pagou R$ 390 mil à dupla Israel e Rodolffo.

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