O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados vota nesta terça-feira (5) o parecer que recomenda a suspensão de mandato de três parlamentares da oposição por dois meses. Os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) respondem por participação na ocupação da Mesa Diretora do plenário em agosto de 2025.
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Foto: Reprodução
A ocupação ocorreu nos dias 5 e 6 de agosto de 2025. Um grupo de 14 deputados permaneceu no plenário principal da Câmara por mais de 30 horas. O protesto foi motivado pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ações específicas durante a ocupação
Os documentos analisados no processo indicam ações específicas de cada um dos três parlamentares durante a ocupação. Pollon teria se sentado na cadeira da Presidência. Van Hattem teria ocupado um assento na Mesa para bloquear o acesso. Zé Trovão teria impedido fisicamente a subida do presidente à cadeira da Presidência.
A Corregedoria da Câmara identificou as condutas como graves. As ações configuraram desrespeito à autoridade da Mesa e afronta à institucionalidade do Legislativo.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teve seu trabalho obstruído durante a ocupação. Ele só conseguiu retomar as atividades após reuniões com a base governista e aliados de Bolsonaro. Na ocasião da ocupação, Motta advertiu que o impedimento do funcionamento da Casa poderia resultar na suspensão de mandatos.
Defesa e próximos passos
Na manhã desta terça-feira, o deputado publicou vídeo em seu perfil no Instagram para agradecer o apoio que vem recebendo. Ele afirmou que o processo é uma “perseguição” e disse que o grupo precisará de “muita mobilização” para evitar a suspensão do mandato.
“Querem nos penalizar porque defendemos o Parlamento contra as interferências do Supremo Tribunal Federal”, disse o deputado.
O relator do caso, deputado Moses Rodrigues (União Brasil-CE), apresentou o relatório na semana anterior. Ele defendeu que a medida é necessária para deixar claro que o Parlamento não tolera condutas que busquem interromper o processo legislativo.
Todos os 14 envolvidos no episódio já haviam recebido censura escrita aplicada pela direção da Câmara.