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A 90 DIAS DO VOTO

Campanha permanente: por que a disputa eleitoral de 2026 começou antes do calendário oficial

Especialistas avaliam mudanças de comportamento de políticos e também dos eleitores no Brasil

Campanha permanente: por que a disputa eleitoral de 2026 começou antes do calendário oficial
Publicado em: 03/07/2026 às 06h:39
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Neste sábado (4), vão faltar apenas 90 dias para as eleições gerais de 2026. Agendado para o dia 4 de outubro, o pleito vai definir o futuro do Palácio do Planalto, Piratini e Congresso Nacional pelos próximos quatro anos.

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Diferente de outras eleições, a disputa parece ter começado de maneira antecipada em 2026, já que a campanha começa oficialmente apenas no dia 16 de agosto. Eventos de pré-campanha desde já mobilizam centenas de pessoas no Rio Grande do Sul e também a nível nacional.

No Estado, ao contrário de outras disputas em que coligações eram costuradas até o último momento das convenções partidárias, todos os pré-candidatos ao governo estadual já estão definidos, assim como suas composições majoritárias. Restam poucas vagas para que partidos menores possam escolher um caminho, já que as maiores siglas do país já definiram o rumo.

Mudanças anteciparam campanha eleitoral antes do início oficial  | abc+



Mudanças anteciparam campanha eleitoral antes do início oficial

Foto: PAULO PIRES/GES

Para o professor da Universidade Feevale, Everton Rodrigo Santos, doutor em Ciência Política, alguns fatores explicam a mudança no hábito das campanhas políticas. “A antecipação das eleições é um fenômeno interessante. A principal característica disso é a polarização, cada vez mais forte.”

Santos explica que o aspecto indica a fragilidade democrática no Brasil. “As eleições parecem não terminar. Não existe um cessar da competição.” Em 2022, o país viveu uma espécie de 3º turno após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno. O então presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por articular uma tentativa de golpe de Estado, visando impedir a posse do governo eleito em janeiro de 2023.

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“Durante esse período [pós-2022], houve um processo permanente de campanha política”, reitera o professor. Outro ponto destacado é a utilização das redes sociais como ferramenta das pré-campanhas.

“As redes sociais dão mais acesso às pessoas, motivando campanhas longas. Hoje os políticos mesclam atividades profissionais com situações pessoais, rotineiras. Mostram sua intimidade, o que era impensável.” Santos lembra que na década de 1960 as eleições nos Estados Unidos eram modernas e ditavam o ritmo. “A cena mais íntima divulgada era uma foto do candidato no sofá de casa”, recorda.

Nova realidade

Conforme a análise da cientista social e política, Elis Radmann, diretora do Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO), as redes sociais trouxeram uma nova realidade para as campanhas eleitorais. “Os candidatos precisam manter a imagem e a reputação junto ao eleitor. Eles [políticos] não podem sair da vitrine.”

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Elis salienta que o contexto de polarização também ajuda a explicar o fenômeno da campanha permanente. “A direita e a esquerda se manifestam independentemente da situação eleitoral. E isso é menos sobre Lula e Bolsonaro. Temos visto uma agenda de costumes, do conservadorismo e progressismo disputando espaço.”

A especialista justifica que, para se tornar protagonista, o candidato precisa aparecer primeiro. “Por exemplo, em março de 2027, serão iniciadas as movimentações para a campanha eleitoral de 2028. Quem quiser ser prefeito, precisa ser visto desde já pelo eleitorado.”

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Eleitor vive outra realidade

Já o eleitorado vive uma realidade distinta em comparação com os políticos. “O eleitor não está antecipado, está no tempo. Vai começar a acompanhar apenas no início do horário eleitoral. O jogo começou para os políticos, não para a população.”

Isso pode ser explicado pelo excesso de informações e pela vida cada vez mais frenética, mas também pelo descrédito das instituições. “Se observarmos o recorte, as pessoas acreditam cada vez menos nas instituições”, completa.

Julho começa com mudanças por conta da legislação eleitoral

A partir deste mês entram em vigor as principais restrições da legislação eleitoral voltadas, sobretudo, aos agentes públicos. Como o primeiro turno ocorre em 4 de outubro, várias vedações passam a valer 90 dias antes da eleição.

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As principais restrições são:

  • Publicidade institucional: fica proibida a veiculação de publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos das três esferas de governo. A exceção é para casos de grave e urgente necessidade pública reconhecida pela Justiça Eleitoral.
  • Pronunciamentos em rádio e televisão: agentes públicos não podem fazer pronunciamentos em cadeia de rádio e TV, salvo em situações urgentes.
  • Inaugurações de obras públicas: candidatos ficam proibidos de comparecer a inaugurações de obras públicas.
  • Nomeações e exonerações de servidores: passam a existir restrições para nomear, contratar, demitir sem justa causa, remover ou transferir servidores públicos. A lei prevê exceções, como cargos em comissão, nomeações decorrentes de concursos homologados antes do início do período vedado e serviços públicos essenciais.

As principais datas do calendário são:

  • 20 de julho a 5 de agosto – convenções partidárias para escolha dos candidatos.
  • Até 15 de agosto – prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
  • 16 de agosto – início da campanha eleitoral e da propaganda eleitoral.
  • 28 de agosto – início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
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