O ataque pessoal do vereador Ito Luciano (Podemos) contra a secretária da Saúde, Betina Espindula, será resolvido internamente em Novo Hamburgo. As falas machistas direcionadas à Betina foram feitas durante a Sessão Ordinária da tarde de segunda-feira (13) na Câmara de Vereadores.
Na ocasião, o vereador afirmou que a secretária “fica dançando nos barzinhos, se expondo” ao invés de atendê-lo. O discurso aconteceu na tribuna do Legislativo enquanto o parlamentar criticava a situação da saúde pública no município.

Foto: Fotos: Arquivo/GES
Questionada se pretende adotar alguma medida institucional contra as falas machistas do vereador que faz parte da base do governo ou se manifestaria apoio à secretária, a Prefeitura respondeu que o assunto vai ser tratado internamente pelo prefeito Gustavo Finck (PP). A titular da SMS optou por não conceder entrevista e o Executivo encaminhou a mesma nota divulgada por ela em suas redes sociais na noite anterior.
No texto, Betina salientou a dificuldade de uma mulher ocupar um cargo de alto escalão na sociedade.
“É incontestável que ser mulher em nossa sociedade ainda representa um desafio cotidiano. Quando essa mulher ocupa um espaço de gestão pública, esse desafio se amplia, revelando desigualdades que persistem e insistem em se manifestar, inclusive nos espaços institucionais que deveriam zelar pelo respeito e pela ética.”

Foto: RAMON BELMONTE/PMNH
A secretária, que assumiu o cargo no início da gestão de Gustavo Finck, também indagou quando deixou de cumprir seu papel institucional. “É fundamental questionar: em que momento deixei de atender às demandas institucionais que me são atribuídas? E, sobretudo, desde quando a vida pessoal de uma mulher passou a ser critério legítimo para avaliação de sua capacidade técnica?”
Violência política
Sancionada em 2021, a Lei nº 14.192/2021, de autoria da deputada federal Rosângela Gomes (Republicanos-RJ), criou normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra as mulheres.
O texto define como violência política de gênero qualquer ação, conduta ou omissão que tenha como objetivo: impedir ou dificultar o exercício dos direitos políticos das mulheres, desqualificar, humilhar ou constranger uma mulher em razão de seu gênero ou atacar candidatas, eleitas ou no exercício de funções públicas com base em estereótipos de gênero.
A lei ainda alterou o Código Eleitoral e o Código Penal, prevendo punições incluindo multa, detenção ou reclusão e até perda de direitos políticos. Indagada se pretende acionar a Justiça, a secretária não retornou até o fechamento desta edição.
Questionado, o vereador Ito Luciano afirmou que deve divulgar uma nota oficial ainda nesta terça-feira.