A criação de uma Comissão Especial na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo para tratar do desenvolvimento, revitalização e fortalecimento do Centro voltou a criar expectativas para comerciantes e usuários da região central hamburguense. A iniciativa foi dos vereadores Cristiano Coller (PP), Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP), Enio Brizola (PT), Felipe Kuhn Braun (PSDB) e Professora Luciana Martins (PT), contando com o apoio de Éliton Ávila (Podemos) e Ito Luciano (Podemos).

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Apesar da iniciativa política, a ação foi acompanhada de entidades importantes no município, como CDL, ACI e Sindilojas, que devem integrar um grupo de trabalho para elaborar propostas e remetê-las ao Executivo. Aprovada no Legislativo, os trabalhos da Comissão devem começar nas próximas semanas.
Antes, a Comissão de Obras, Serviços Públicos, Mobilidade e Urbanismo (COOSP), promoverá na segunda-feira (20) uma reunião para discutir as principais reivindicações do comércio local. O encontro na Câmara de Vereadores terá a presença do diretor-geral da Companhia Municipal de Urbanismo (Comur), Fábio Tomasiak, representantes das entidades e dos vereadores que compõem a COOSP: Coller, Luciano e Ricardo Ritter, Ica (MDB).
A principal temática envolve o modelo do estacionamento rotativo, administrado pela Comur, empresa de economia mista que tem a Prefeitura como sua principal acionista. Atualmente, o rotativo é dividido em duas zonas: Zona Azul e Zona Verde, com valores distintos, sendo o mínimo (até 30 minutos) custando R$ 1,20 na Z.A e R$ 0,60 na Z.V. A tolerância para ambas é de 10 minutos. Caso o motorista seja flagrado após o período sem efetuar o pagamento, uma taxa é emitida, custando R$ 24 na Z.A e R$ 12 na Z.V.
O funcionamento do rotativo é de segunda a sexta-feira das 8 às 18 horas e aos sábados das 9 às 13 horas.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Reivindicações
Proprietária de uma lancheria há três anos nas tradicionais Bancas, Nadir Nascimento afirma que o estacionamento deveria ter uma tolerância maior ou redução dos valores nos principais pontos do Centro. “Isso acaba afastando os clinetes que vem para consumir lanches. A tolerância deveria ser de pelo menos 20 minutos, já que 10 minutos não conseguem sequer esperar pelo pedido.”

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Ela também pede que os sábados pela manhã passem a ser isentos aos motoristas. “A cobrança afasta nos finais de semana.”
O pedido é reforçado por Angela Bang, que há 25 anos trabalha no Centro, onde é proprietária de uma assistência técnica para celulares. “Acho que precisa ter o rotativo, mas não como está. A tolerância precisa ser de 20 minutos e os sábados isentos, isso iria trazer mais movimento para a região.”
Questionada como era antes da implementação do pagamento, conta que muitas pessoas deixavam os carros estacionados por longos períodos, dificultando a circulação. “Era ruim, os clientes não conseguiam parar para fazer compras.”
Outra reclamação em relação ao rotativo é a falta de parquímetros. “Isso deveria ser instalado para facilitar o uso. As pessoas levam tempo procurando alguém para fazer o pagamento, não encontram e acabam desistindo, quando voltam estão multadas.”
Ana Paula de Paula, comerciante há 19 anos no Centro, diz que já teve clientes que desistiram de comprar devido a tolerância curta. “É inviável do jeito que está. A pessoa chega com pressa, não consegue olhar os produtos e se tiver alguma fila, desiste, se não será cobrado R$ 24”, desabafa.
Outros problemas
As três comerciantes ouvidas pela reportagem também relataram um problema em comum: a quantidade de pessoas em situação de rua na região central. Elas afirmam que a cada manhã precisam fazer uma limpeza na calçada devido à urina, comida jogada no chão e lixo espalhado. “Falavam que iriam resolver e nada”, salienta Angela.
A falta de atrativos culturais também é questionada pelas profissionais. “Deveriam ter shows aqui na Praça, usar melhor para a cultura, com artistas locais. No final de semana é vazio e o espaço é tão bom”, reitera Nadir.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Elas lembraram o sucesso do Natal e reforçam e elogiaram o evento promovido pelo poder público. “Foi fantástico. Trouxe muita vida para o Centro, o movimento aumentou, as ruas ficaram cheias e bonitas, foi incrível”, recorda Paula. Já Nadir foi ainda mais longe. “Queria três natais daquele por ano, foi bom demais. Nossa cidade ficou linda e o Centro voltou a ser vivo.”
Angela aprovou a festa e ainda lamentou a falta de novos eventos durante o ano. “Falavam que teria Páscoa no Centro, mas não fizeram nada, foi uma pena. Devem investir neste tipo de atração.”
Houve ainda elogios às câmeras da Smart NH, conforme as comerciantes, o monitoramento inibiu a criminalidade. “Ainda precisa melhorar, mas está muito bom, temos mais segurança para circular e trabalhar”, completa Angela.
Prédios para alugar
Ao circular pela região do Calçadão é possível notar a quantidade de prédios e salas comerciais desocupados. Aquela região em si parece vazia em grande parte do dia. Morador do bairro Canudos, Elton Rodrigues, trabalha a área e diz que se acostumou com o esvaziamento, especialmente no início da manhã.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
“O movimento aqui diminuiu bastante nos últimos anos. Quando chego no paradão, preciso ficar atento para não ser surpreendido por algum meliante. É triste ver o Centro assim”, finaliza.
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