Na política brasileira existe um fenômeno curioso de ser observado. É o poder do sobrenome. O exemplo mais emblemático é o de Sarney Filho. Entrou na política pela mão do pai, que foi presidente na década de 80.

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Helder Barbalho é filho de Jader. Renan Filho de Renan Calheiros. Arthur Lira é filho do ex-senador e ex-prefeito Benedito Lira. O ex-deputado estadual Tiago Simon é filho do ex-governador Pedro Simon.
O pai de Ratinho Júnior não é político, mas é o famoso comunicador e empresário de mesmo nome. O pai do pré-candidato ao governo do Paraná é o ex-governador Roberto Requião.
A dinastia Vital do Rêgo é uma das mais influentes da Paraíba. Depois de três mandatos como deputado federal, Vital decidiu se aposentar. Seu filho herdou o espólio eleitoral e hoje é presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Será que se ele tivesse outro sobrenome, estaria lá? Duvido.
Eleição marcada por escândalo
Em ano eleitoral, tudo o que político não quer é se envolver em polêmica. Neste ano, a principal polêmica não é só o projeto de lei que acaba com a escala 6×1. É uma delação premiada explosiva, que deve expor conchavos e uma rede de tráfico de influência para proteger a maracutaia.
Falo do caso do banco Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, está em vias de fazer a delação. A previsão é que ela seja homologada antes da eleição. Até agora, sabemos apenas de alguns nomes. Mas, certamente, haverá mais. Por isso, essa será a eleição tendo como pano de fundo o temor dos políticos sobre as revelações de Vorcaro.

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Desconexão com a realidade
Os debates eleitorais ainda não foram realizados. Os programas de rádio e televisão não começaram, mas já se pode ter uma ideia dos assuntos que serão pauta nesta campanha. Por enquanto, o candidato do campo político da direita fala em anistiar os condenados pela tentativa de golpe.
No outro lado, o candidato do campo político da esquerda resiste a privatizações e reformas. Enquanto isso, o brasileiro enfrenta problemas na saúde, na segurança e na educação. E nossas estradas esburacadas não são problema para quem quer livrar o pai da prisão e barrar privatizações.
Candidato despreparado
Viralizou na semana passada um vídeo do pré-candidato a deputado Manoel dos Santos, famoso pelo hit de gosto duvidoso “Caneta azul”, que escancara o seu desconhecimento da função do parlamentar. De fato, é escandaloso o sujeito entrar na política sem saber o que faz um deputado.
Mas, tristemente, ele não é um caso isolado. Existem muitos outros que se valem da popularidade para tentar a vida na política sem ter o menor conhecimento sobre a função. Por outro lado, eles só chegam lá se recebem votos que garantam sua eleição. O candidato é despreparado, mas quem o colocou lá é o eleitor.
Falta de confiança
O resultado da eleição fora de época ocorrida no último dia 12, em Cachoeirinha, é um bom termômetro da falta de interesse do eleitor pelo processo eleitoral: 42,22% dos eleitores não votaram.
É o dobro da abstenção média da eleição de 2022. Naquele ano, 31 milhões de eleitores não compareceram aos locais de votação no Brasil. Esses números mostram o que o professor Felipe Nunes diz no livro “Brasil no Espelho”: falta de confiança nas instituições.