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ANÁLISE

DANIEL SCOLA: Políticos exemplares, excesso de gastos, dinamismo da política e o ineditismo do PT

Duas histórias evidenciam algo que já naturalizamos por aqui: a gastança do dinheiro público com políticos

Publicado em: 24/04/2026 às 06h:50
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Os políticos suecos são lembrados pela responsabilidade com dinheiro público. Um dos casos mais notórios e um dos últimos foi há 20 anos e envolve a compra de uma barra de chocolate. Isso mesmo, uma singela barra de chocolate. Foi o escândalo do Toblerone.

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A então vice-primeira-ministra da Suécia Mona Sahlin fez compras num supermercado: comida para os filhos, uma garrafa de vinho, uma de água e um Toblerone. Na hora pagar, sacou da carteira o cartão corporativo (ela alega ter sido sem querer) para pagar a conta.

O caso foi revelado pela imprensa e, envergonhada, renunciou ao cargo. Essa história é contada no livro “Um país sem excelências e mordomias”, da jornalista brasileira Cláudia Wallin. Na Suécia, o político vai ao trabalho de bicicleta, tem apenas um assessor e não recebe nenhum tipo de ajuda de custo.

Excesso de gastos no Brasil

Há alguns anos, acompanhei a viagem de uma comitiva do governo do Rio Grande do Sul à Europa. Em Londres, o grupo teve um encontro com um parlamentar. Na sala, havia 19 pessoas da comitiva gaúcha, o deputado britânico e sua assessora. O próprio deputado ficou constrangido com o tamanho da comitiva e exclamou: “Nossa, quanta gente”. Mudaram o encontro para uma sala maior para que todos ficassem melhor acomodados.

Essas duas histórias evidenciam algo que já naturalizamos por aqui: a gastança do dinheiro público com políticos. Qual a necessidade de ter tantos assessores numa missão diplomática? Os políticos subvertem a lógica do poder, que é servir ao povo. Aqui eles se servem do povo.

A dinâmica da política

Ulisses Guimarães costumava dizer que política é como nuvem, ela muda de posição em questão de minutos. Então, convém ter cautela com as pesquisas de intenção de voto. Elas retratam o momento. E de mais a mais, ainda faltam mais de cinco meses para a eleição em primeiro turno. Mas a pesquisa mais recente indica que a estratégia do candidato ao governo Luciano Zucco (PL) é mais exitosa que a da esquerda.

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Ineditismo do PT

A intervenção do PT nacional se mostrou equivocada até agora. Ao determinar que o partido apoiasse a candidata do PDT, Juliana Brizola, Lula e cia esperavam unir a esquerda desde o primeiro turno para fazer frente ao candidato de oposição. A pesquisa dessa semana mostrou que o eleitor não gostou. E a decisão do PT quebrou uma tradição de 44 anos. Desde 1982 o PT gaúcho tinha candidato a governador, mas não terá neste ano em nome do pragmatismo político.

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