A corrida eleitoral de 2026 deflagrou a primeira mudança oficial no primeiro escalão do governo de Eduardo Leite (PSD). O secretário do Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo (PP), deixa o cargo nesta segunda-feira (12) para se dedicar exclusivamente à sua pré-candidatura ao governo do Estado.
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Foto: Bruna de Bem/GES-Especial
A despedida oficial ocorrerá no Salão Negrinho do Pastoreio, às 14h, onde Polo apresentará um balanço de sua gestão frente à pasta. O movimento de Polo antecipa o calendário eleitoral, diferenciando-se de outros membros do primeiro escalão que devem aguardar até o prazo final de desincompatibilização, entre março e abril.
Foco na pré-candidatura e protagonismo do PP
Em entrevista ao ABCmais na sexta-feira (9), Polo afirmou que sua saída foi motivada pela necessidade de se desvincular da intensa agenda da secretaria, que exige dedicação integral, para construir viabilidade política em torno de sua pré-candidatura. Após deixar a pasta, ele reassumirá seu mandato como deputado estadual para focar na construção de seu nome como pré-candidato ao Governo do Estado pelo Progressistas (PP).
“Enquanto secretário, você fica preso a uma agenda de 24 horas por dia. Não foi uma decisão fácil, mas saio motivado para me dedicar, a buscar construir a pré-candidatura a governador”, declarou. O secretário revelou que desde julho do ano passado vinha manifestando internamente a disposição de concorrer, estimulado por lideranças do PP, de outros partidos e por setores do empresariado gaúcho.
Embora busque o protagonismo do partido na cabeça de chapa, Polo também é cotado como um nome para compor como vice em uma eventual candidatura de Gabriel Souza (MDB). Esse cenário ganha força devido ao histórico de alinhamento do PP com a atual agenda de reformas do governo de Eduardo Leite, projeto do qual Polo participou ativamente como secretário e articulador.
Protagonismo
O secretário destacou que o Progressistas busca retomar o protagonismo no Rio Grande do Sul, baseando-se no crescimento do partido nas últimas eleições municipais.
“Faz todo o sentido nós buscarmos esse protagonismo, nós enquanto partido PP, de alavancar uma candidatura a governador. E é isso que me motiva. Eu acho que, tenho uma experiência já na vida pública como Secretário da Agricultura, Presidente da Assembleia, agora na Secretaria do Desenvolvimento Econômico. Sempre tive uma trajetória muito clara em termos de trabalho, de resultados e eu entendo que tenho condições e estou pronto aí para poder construir, fazer essa construção”.
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Ao avaliar o crescimento do partido — que hoje concentra uma das maiores bases municipais do Estado, com 164 prefeitos eleitos no último pleito concentra o maior número de Prefeituras no Rio Grande do Sul —, Polo destacou que a força partidária é relevante, mas não suficiente. “Uma candidatura a governador precisa ir além do partido. Mais de 95% do eleitorado não é filiado. É preciso conexão com a sociedade e um projeto consistente”, disse.
Sobre alianças, o secretário afirmou que a melhor estratégia, neste momento, é o PP trabalhar para consolidar uma candidatura própria e, posteriormente, dialogar com outros partidos do campo de centro-direita. “Não se trata de apoiar A ou B, mas de dar continuidade a uma agenda que melhorou o Estado, com um novo impulso e um novo jeito”, afirmou. Polo citou como prioridades a melhoria do ambiente de negócios, a desburocratização e o estímulo ao empreendedorismo.
Divergências internas
Além da saída do governo, o secretário manifestou contrariedade em relação à condução interna do Progressistas (PP). O secretário criticou abertamente a convocação feita pelo presidente estadual da legenda e também pré-candidato ao Piratini, Covatti Filho, para uma reunião extraordinária no próximo dia 20. O encontro tem como objetivo antecipar definições sobre as alianças e o posicionamento da sigla para o pleito de 2026.
Polo classificou a reunião como “precitada” e apontou falta de diálogo institucional, afirmando que a convocação não foi alinhada com a executiva do partido, nem com o grupo de trabalho responsável pelo planejamento eleitoral. “Não faz sentido agora, dia 20, mês que está todo mundo em férias e o cenário nacional começando a se desenhar, tomarmos uma decisão. Temos que impulsionar nossas candidaturas próprias primeiro”.
Para o pré-candidato, o foco atual deveria ser o amadurecimento do processo interno, reforçando que o calendário eleitoral ainda permite discussões mais profundas antes de qualquer definição de chapa.
Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Econômico
Ao adiantar o balaço que será apresenta nesta segunda (12), Polo destacou como principal resultado o maior volume de investimentos privados da história do Rio Grande do Sul. Segundo ele, o Estado deve ultrapassar R$ 200 bilhões em investimentos no período, com destaque para o projeto da empresa chilena CMPC, responsável pelo maior investimento privado da história do RS – de R$ 27 bilhões para uma fábrica de celulose em Barra do Ribeiro – que prevê a geração de cerca de 12 mil empregos diretos durante a fase de construção.
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Ao avaliar sua gestão, o secretário citou a elaboração do Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável, com projeções de longo prazo para o Estado, e a criação da Invest RS, agência de promoção comercial e atração de investimentos. “São estruturas de Estado, não de governo, que vão permanecer e seguir produzindo resultados”, afirmou.
Sobre a sucessão na pasta, Polo disse que conversou com o governador Eduardo Leite e que a tendência é a manutenção da equipe atual, com o secretário-adjunto, Derly Fialho, assumindo a secretaria para “garantir a continuidade dos projetos em andamento’.