O ex-prefeito de São Leopoldo, Ary José Vanazzi, o ex-secretário de governo Marcel Frison e o presidente do Instituto Brasileiro de Saúde, Ensino, Pesquisa e Extensão para o Desenvolvimento Humano (IBSaúde), José Eri Osório de Medeiros estão entre as 12 pessoas indiciadas após a conclusão da Operação Autoclave.
ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP
O inquérito, iniciado em 2019, investigava possíveis irregularidades envolvendo desvio de valores entre a prefeitura e entidade, que havia sido contratada para realizar a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Scharlau. Conforme a Polícia Federal (PF), a Autoclave foi finalizada em novembro de 2024* e as informações partiram de sua Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor).
Pelo menos duas pessoas ligadas à prefeitura de São Leopoldo foram indiciadas por corrupção passiva. Uma delas é o advogado Edvaldo Cavedon, que teria articulado a contratação do IBSaúde, agido durante a execução do contrato e participado de reuniões onde supostamente houve entrega de dinheiro. O outro é Marcel Frison, que na época era secretário e também teria participado desses encontros.

Foto: Arquivo/Prefeitura de São Leopoldo
O contrato entre a prefeitura e a entidade foi firmado em 2017. Informações obtidas pela equipe de reportagem do Jornal VS por meio de nota da Controladoria-Geral da União (CGU) na época dão conta de que entre os ilícitos cometidos pela Organização Social (OS) estão:
- Prorrogação irregular do contrato emergencial;
- Falhas na fiscalização dos contratos pelo ente municipal;
- Descumprimento de obrigações contratuais pela OS;
- Ausência de prestação de contas por parte da contratada;
- Inobservância das metas quantitativas e qualitativas previstas no contrato;
- Inexecução parcial do contrato, com a oferta de quantitativos de profissionais inferiores aos contratados;
- Pagamento integral pelo ente municipal, apesar do descumprimento das cláusulas contratuais.
A mesma reportagem informava que, além de São Leopoldo, onde foram cumpridos cinco mandados de busca (inclusive nos gabinetes e nas residências dos acusados do município), a ação também aconteceu em Porto Alegre e Venâncio Aires. Em dezembro de 2022, foi deflagrada a Operação Septicemia, que teve início com a análise do material coletado durante as apreensões da Operação Autoclave.
A Delecor não forneceu detalhes a respeito da investigação que embasa o indiciamento até o horário da publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Viu essa? PGR pede prisão de Carla Zambelli após deputada deixar o País
O que dizem os indiciados
- Ex-prefeito Ary Vanazzi
Por meio de nota oficial encaminhada por sua assessoria de imprensa, o ex-prefeito de São Leopoldo afirma ser inocente e comenta que estranha o destaque midiático em um processo em que alega não ter sido ouvido, supondo que a ação tenha como objetivo prejudicar sua imagem.
Abaixo, confira a nota na íntegra:
“Em relação ao indiciamento proposto pela PF na Operação Autoclave, venho a público afirmar que estou absolutamente tranquilo, mas estranho o destaque midiático envolvendo meu nome em um processo no qual sequer fui ouvido.
Sempre estive à disposição das autoridades e sigo colaborando com todos os órgãos competentes.
Tenho plena confiança na lisura da minha gestão e no contrato realizado para prestar serviços na UPA, que inclusive teve redução de valores e ampliação dos atendimentos.
Chama a atenção o fato de que a própria investigação reconhece não haver qualquer vantagem pessoal ou benefício atribuído a mim. Mais absurdo ainda é tentar me incriminar com base na suposição de que eu “seria sabedor” de algo — uma hipótese frágil e sem provas, que apenas reforça o caráter especulativo da acusação.
Também me causa estranheza o fato de que, quando há processos envolvendo meu nome, eles são frequentemente conduzidos de forma midiática, com divulgações que parecem ter como objetivo promover uma condenação prévia, antes mesmo da apuração completa dos fatos. Essas ações buscam claramente atacar minha imagem e reputação pública.
Tenho certeza de que, com o andamento do processo, tudo será esclarecido e confirmará a minha inocência.”
- Ex-secretário Marcel Frison
À reportagem, Frison também alega inocência e afirma que a PF “sustenta sua acusação em diálogos entre terceiros e suposições”. Abaixo, confira a resposta na íntegra:
“Em primeiro lugar, o MP ainda não se manifestou e tampouco o poder judiciário sobre o pedido de indiciamento. Segundo, a PF sustenta sua acusação em diálogos entre terceiros e suposições. Terceiro, o processo policial está sustentado num contrato (gestão da UPA pelo IB saúde) que teve um custo menor e representou um atendimento maior da população. E, por fim, sou inocente e se for necessário provarei isto na justiça.”
- Presidente do IB Saúde, José Eri Osório de Medeiros
A reportagem entrou em contato com Medeiros e sua assessoria de imprensa, mas não obteve um posicionamento oficial até o horário de fechamento deste texto.
* Informação atualizada mediante correção da Polícia Federal (PF) na tarde desta sexta-feira (6).
LEIA TAMBÉM