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ENTREVISTA

Finck avalia primeiro mês de gestão em Novo Hamburgo: "Cenário de grande desafio"

Prefeito concedeu entrevista em seu gabinete, no 9º andar do Centro Administrativo Leopoldo Petry, para fazer um balanço sobre o primeiro mês de gestão

Publicado em: 10/02/2025 às 03h:00 Última atualização: 10/02/2025 às 14h:40
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Aos 44 anos, Gustavo Finck fez história ao ser eleito prefeito de Novo Hamburgo enquanto ocupava o cargo de vereador. Com 63.038 votos, ele superou a soma dos votos dos outros quatro concorrentes na disputa.

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No primeiro mês de mandato, o prefeito se dedicou a percorrer os bairros, a dialogar com os moradores e a realizar reuniões com entidades de classe. Além disso, conseguiu aprovar na Câmara de Vereadores uma reforma administrativa. Na última semana, Finck concedeu entrevista em seu gabinete, no 9º andar do Centro Administrativo Leopoldo Petry, para fazer um balanço sobre o primeiro mês de gestão.

Prefeito Gustavo Finck (PP) | abc+



Prefeito Gustavo Finck (PP)

Foto: Juliana Nunes/GES-Especial

Prefeito, como o senhor avalia esse primeiro mês de governo?

Gustavo Finck – É um cenário de grande desafio. Sabemos da importância de projetarmos o futuro, mas também precisamos olhar para o passado e para as contas que o Município ainda precisa quitar. Chegamos aqui horrorizados com a situação financeira e, para esclarecer isso, contratamos uma empresa externa para comparar os dados levantados pela Secretaria da Fazenda. Em até dez dias, teremos esse comparativo para apresentar à comunidade e mostrar as dívidas do Município de forma transparente.

Como está a situação do caixa do Município?

Finck – Ao assumirmos, encontramos apenas R$ 1,5 milhão no caixa, valores do IPTU que haviam entrado no dia. Falava-se muito em R$ 30 milhões, mas esse montante foi destinado ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), ou seja, para a Educação. No caixa livre tinha apenas esse valor do IPTU.

Quais foram as primeiras ações administrativas nesses 30 dias?

Finck – Fizemos uma reforma administrativa, que passou pela Câmara de Vereadores e foi aprovada. Cortamos vários benefícios, como carros oficiais – reduzimos seis veículos, o que resultará em uma economia de cerca de R$ 2 milhões em quatro anos. A Comusa e a Fenac estão seguindo o mesmo caminho, avaliando contratos e projetos para reduzir custos. Nós temos que fechar as torneiras para poder crescer no futuro. Mas a realidade não é muito boa. Não gosto de assustar as pessoas, pelo contrário, aceitei o desafio e sabia que era grande, mas as pessoas precisam saber da realidade das contas do Município.

Neste primeiro mês, antes das quatro sessões extraordinárias convocadas pelo senhor, os vereadores foram chamados para debater as propostas. Podemos esperar a mesma postura ao longo do mandato?

Finck – Durante meu tempo como vereador, senti falta de proximidade com o governo. Hoje, os vereadores têm acesso livre ao gabinete. Eu sou um prefeito de cidade, não sou um prefeito de partido ou de uma coligação. Independentemente de quem votou em mim ou não, estou administrando a cidade como um todo. Todos os dias tem um vereador aqui. Recebo eles sem marcar hora. A gente quer ser muito transparente com todos os processos, das coisas boas e das coisas ruins. Então, eu vou ter sempre essa relação com os vereadores, independentemente se for da base ou não.

Existe intenção de ampliar a base aliada?

Finck – Sempre tive um diálogo aberto com os vereadores. Um exemplo é minha relação com Enio Brizola, do PT. O Brizola é uma relação muito boa que tive durante os meus quatro anos dentro da Câmara, ele me procurou sobre um problema no bairro Boa Saúde, e fui até lá para acompanhar a situação. E assim vai ser com todos. Quem procurar o prefeito vai ter acesso fácil, porque antes de ser prefeito, eu sou hamburguense e quero o melhor para a cidade. Meu objetivo é o melhor para a cidade, independentemente de partidos.

Por que a definição do secretariado ainda não foi concluída? Dificuldades para encontrar nomes ou divergências com partidos da base?

Finck – Quero ser muito assertivo nas escolhas, não quero colocar um secretário hoje e ter que trocar amanhã. Levamos um tempo pra definir a maioria dos secretários, hoje faltam só dois (Obras e Esporte). Nós já temos alguns nomes, mas só vamos definir quando tiver 100% de certeza, como demorou a definição das secretarias de Cultura, Fazenda e Desenvolvimento Econômico, que são pessoas que parece que nasceram para aquelas pastas. Estou muito feliz com todos os secretários, estão pegando junto, entenderam o ritmo de governo, estão sabendo da importância da votação que fizemos na eleição para entregar um resultado. Estou feliz e sem pressa para definir os nomes porque a pressa é inimiga da perfeição.

Uma das diretrizes que anunciou após a eleição foi a estipulação de metas para toda equipe de governo, incluindo os secretários. Como pretende colocar isso em prática?

Finck – Já realizamos duas reuniões sobre o planejamento de metas. Em 2025, já teremos metas estabelecidas e, a partir de 2026, a cobrança será mais rigorosa. Pretendemos apresentar as metas à imprensa em breve.

Uma das suas propostas de campanha era atuar com moradores em situação de rua. Como o Município se estruturou para dar suporte a essas pessoas?

Finck – Todo secretário conhece nosso plano de governo e muitas pessoas estão questionando ‘ah, o Finck vai tirar as pessoas da rua, vai proibir’. Não é isso. Nós queremos dar oportunidade para essas pessoas. Estamos montando um plano de ação que envolve todas as secretarias com ressocialização, indicação para o mercado de trabalho e encaminhamento médico pra quem precisa, para chegar até as pessoas em situação de rua e dar oportunidades. Quem quiser oportunidade vai ter, mas na rua não vai ficar.

O transporte público foi apontado pelo senhor como uma das prioridades no primeiro ano de gestão. Desde que assumiu, mais de 20 reuniões já aconteceram entre a Prefeitura e a direção da Visac, mas os usuários ainda relatam descumprimento de horários, más condições dos veículos e mudanças de rota sem aviso prévio. Qual a atual situação desta negociação por soluções?

Finck – O levantamento da empresa, inicialmente previsto para 90 dias, foi adiantado para 60. Tudo que nos foi solicitado de acessos aos bancos de dados, informações da Comur e da Prefeitura foi disponibilizado para a Visac. E a conversa foi muito franca, queremos soluções.

O senhor chegou a cogitar quebra de contrato caso os problemas não fossem resolvidos. Essa possibilidade ainda está no radar?

Finck – Ainda cogito. Se não entrar o serviço, nós vamos romper o contrato e vamos fazer uma nova licitação, se assim for necessário. A comunidade não pode pagar por um serviço ruim, seja da Visac ou de outra empresa. Vou a Brasília na próxima semana buscar recursos para alguns projetos, incluindo subsídios para melhorar o transporte público. Então a empresa sabe disso, falamos abertamente.

Com o reajuste de 25,52% nas tarifas de água e esgoto a partir deste mês, a população demonstrou insatisfação. Na semana passada, a Câmara aprovou um movimento de apelo para que a tarifa fosse revista. Há possibilidade de reconsideração desse aumento?

Finck – A revisão está posta, esse aumento é uma revisão que deveria ter sido feita há muito tempo, foi uma determinação da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (Agesan-RS), e a Comusa reponde à agência. Foi uma decisão tomada no governo anterior com validade a partir de fevereiro. Eu fiz uma solicitação de parcelamento do aumento para a Agesan, que inicialmente não foi aceita. Pedi para o Paulo Kopschina (diretor-geral da Comusa) reavaliar essa necessidade (de aumento) e ele informou que o momento da Comusa hoje é crítico e essa atualização vai ser colocada em prática.
Espero que a Comusa comece a entregar serviço de qualidade. Recebi muitas reclamações sobre falta de água principalmente nos bairros mais altos, isso foi repassado para ele, e não pode continuar. Se o passado errou, nós não podemos errar agora. Ficaram mais de 20 anos sem corrigir a tarifa da água e foi mais uma bomba que o novo governo pegou de governos anteriores que não fizeram o ajuste necessário.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o ex-secretário da Fazenda de Novo Hamburgo Betinho dos Reis refutou a afirmação de Finck sobre recursos e afirmou que os R$ 30 milhões do caixa da Prefeitura “são todos recursos de livre movimentação”, e que os recursos vinculados, como o Fundeb, não fazem parte deste valor.

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