A Polícia Federal identificou o elo crucial que permitiu o maior ataque já registrado no Rio Grande do Sul contra uma empresa de transporte de valores: um funcionário da própria empresa foi o responsável por repassar informações privilegiadas à quadrilha que assaltou o avião-pagador no aeroporto de Caxias do Sul, em junho de 2024.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Conforme o delegado da Polícia Federal Márcio Teixeira, o funcionário forneceu aos criminosos detalhes sobre as datas em que a aeronave, carregada com dinheiro da Caixa Econômica Federal, aterrissaria no Aeroporto Hugo Cantergiani. O terminal de Caxias estava sendo utilizado devido à interdição do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, afetado pela enchente histórica que atingiu o Estado em maio daquele ano.
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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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“Esses valores que eram provenientes da Caixa Econômica Federal, foram custodiados por uma empresa de transporte de valores, e um desses funcionários, tendo essa informação privilegiada, repassou a um dos criminosos que coordenava o bando”, afirma Teixeira. Conforme o delegado, o avião-pagador aterrizou duas vezes em Caxias do Sul e este funcionário sabia essas datas.
Informante preso nesta quarta-feira
O informante da quadrilha foi alvo de uma mandado de prisão preventiva nesta quarta-feira. Ele foi preso em Curitiba, no Paraná. “Conseguimos provas de que ele receberia parte do valor roubado, mas não sabemos exatamente qual seria esse valor e se ele chegou a receber”, pontua.
O roubo resultou na subtração de cerca de R$ 15 milhões, metade dos R$ 30 milhões transportados pela aeronave. Durante a ação, um policial militar e um assaltante foram mortos no confronto.
A ação criminosa envolveu ao menos nove homens diretamente no ataque, que utilizaram viaturas falsas da Polícia Federal para invadir a área restrita do aeroporto e abrir fogo contra o avião.
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Segunda fase da Operação Elísios
Na manhã desta quarta-feira (28), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Elísios, que investiga o caso. Mais de 200 policiais federais cumpriram 17 mandados de prisão preventiva, quatro de prisão temporária e 26 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Durante uma das ações, um homem foi baleado em Gravataí.
Com os alvos desta quarta-feira, sobe para 38 o número de pessoas identificadas por envolvimento com o caso ao longo de um ano de investigações. Além dos 21 alvos desta quarta-feira, outras 17 pessoas tiveram prisões decretadas na primeira fase da operação, realizada em setembro do ano passado.
Entre os presos estão desde os executores do assalto até pessoas que ofereceram apoio logístico ao bando, como a confecção de adesivos falsos para plotar viaturas da PF e o fornecimento de casas para esconderijo e planejamento da ação criminosa. Segundo a Polícia Federal, os mentores do ataque são integram do Primeiro Comando da Capital (PCC), que se associaram a integrantes de uma facção que atua no RS.