A Primeira Emenda da Constituição dos EUA assegura a liberdade de expressão. Esta frase é dita a cada atitude autoritária tomada pelo presidente norte-americano Donald Trump, realçada pelo America First, em um claro sinal demagógico para avalizar decisões de um presidente republicano que age como um ditador.

Foto: Daniel Torok/Casa Branca
A ameaça de cancelar vistos e anunciar sanções para quem seja “anti-americano” é uma mostra desta “caça às bruxas” que Trump faz pelo mundo afora, sempre se utilizando de um discurso nacionalista que tem por trás a sua assinatura de apostar na truculência verbal e distorções da realidade para fazer valer suas atitudes.
Dentro dos Estados Unidos, milhares de pessoas o atacam. E muitos são artistas norte-americanos consagrados mundialmente como Bruce Springsteen (“A América que eu amo, a América sobre a qual escrevi, que tem sido um farol de esperança e liberdade por 250 anos, está nas mãos de uma administração corrupta, incompetente e traidora”, disse duramente durante um show na Inglaterra) e Robert De Niro (“No meu país, lutamos arduamente pela democracia que antes considerávamos garantida. (…) A arte é inclusiva, ela une as pessoas. A arte acolhe a diversidade e é por isso que a arte é uma ameaça. É por isso que somos uma ameaça para autocratas e fascistas”, declarou no Festival de Cannes, na França).
O canadense de nascimento, Neil Young, de quem, anos atrás, Trump até chegou a se declarar fã (mas depois mudou quando o cantor passou a atacá-lo), também se manifestou após ataques pessoais do presidente americano a Springsteen, Taylor Swift e Beyoncé, entre outros desafetos: “Você está mais preocupado consigo mesmo do que com a América. Acorda, Trump”, disse em seus canais de comunicação.
Como canadense de berço, apesar de superidentificado com o cenário da música norte-americana, Young estaria na lista de ameaçados de cancelamento e até ter proibida sua permanência nos EUA? Ele conseguiu sua cidadania americana recentemente, em 2020, após processo longo para conseguir sua legalização. A atual esposa de Young, a atriz Daryl Hannah, recentemente disse que há o temor de, quando ele sair dos EUA para tocar em outros países, ele ser barrado por contrariar Trump.
Medo. Esta é o verdadeiro cerne da política de Trump e de sua equipe (após a queda de Elon Musk) encabeçada pelo seu vice J.D. Vance e o secretário Marco Rubio, curiosamente, dois republicanos que já fizeram ataques ao próprio Trump em outras épocas, chamando-o de “idiota”, “cínico”, “imbecil” e até “Hitler da América”.
O trio encabeça a perseguição a imigrantes (como se fosse a fonte de todo o mal que habita os EUA), a taxação a países “não amigáveis” (caso do Brasil de Lula) e toda a máquina protecionista à indústria americana, além das ameaças a direitos civis.
E esta perseguição agora também passa por uma “verificação contínua” dos vistos válidos para os Estados Unidos. Segundo Trump, eles vão verificar “violações” que podem levar à revogação imediata do visto e até à deportação caso a pessoa esteja nos EUA.
A revogação do visto afeta quem teve a permanência vencida além do prazo autorizado; crimes cometidos em território americano ou no exterior; ameaças à segurança pública; apoio a organizações terroristas ou, a mais polêmica de todas, apoiem ou tenham condutas antiamericanas.
Segundo a Casa Branca, a medida visa a reforçar a segurança nacional e evitar que benefícios de imigração sejam concedidos a pessoas que, segundo o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS), “desprezam o país e promovem ideologias antiamericanas”.
Ou seja, liberdade de expressão nos EUA de Trump não inclui falar mal dos EUA. Mas a verdade é: as pessoas estão falando mal dos Estados Unidos ou de Trump?
Ser contra Trump não é ser antiamericano
Na maioria das manifestações feitas neste ano nefasto do primeiro mandato de Donald Trump o alvo não são os Estados Unidos, mas sim, o autoritarismo das medidas e falas de Trump, que se passa por apaziguador, quando na verdade fomenta confrontos.
Um presidente que, ao invés de representar o povo, representa seus próprios interesses econômicos e políticos. Ser contra Trump não é ser antiamericano. Ele está presidente, mas não é os Estados Unidos, não é América.
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A tão falada Primeira Emenda da Constituição dos EUA (invocada até – vejam só – pelo deputado federal brasileiro “autoexilado” nos EUA Eduardo Bolsonaro) parece só atender interesses de quem não defende genuinamente a liberdade de expressão.
E assim vamos vendo a derrocada do bom senso e a ascensão da estupidez polarizada.
Pessoas que, manipuladas por políticos tendenciosos, acreditam que o mal está na imprensa, que ela é parcial, mas que acreditam cegamente na “verdade” mais do que parcial (mentirosa, tendenciosa e difamatória) de “influencers”, falas políticas e fake news que comprovadamente são desmascaradas com pesquisa séria e fundamentada com fatos.
Resta – a quem ainda tem fé – rezar para que esta era de imbecilidade passe ou, pelo menos, retroceda para as cavernas da obscuridade de onde emergiram neste século 21, que deveria ser de avanço, mas que parece se configurar com uma era de retrocessos da humanidade no que se refere ao respeito e às relações sociais, políticas e econômicas.