No último dia 19, acabou o prazo para que brasileiros evitassem o cancelamento de seu título eleitoral. No Rio Grande do Sul, mais de 301 mil não procuraram a Justiça Eleitoral para regularizar a situação e terão o documento cancelado. Em todo o Brasil, o número é de 5,3 milhões de pessoas que não justificaram as ausências nas três últimas eleições e não regularizaram sua situação.

Foto: Agência Brasil
Quando se fala nos mais de 40 municípios da área de cobertura do Grupo Sinos, o número de títulos cancelados é de 60.191. Chefe da Central de Atendimento ao Eleitor de Porto Alegre (CAE-Poa), a maior do Estado, Tânia Marra diz ter visto uma redução na busca de eleitores por regularizarem sua situação. “A procura está baixa, porque se a gente pensa em 316 mil e menos de 1% buscam a regularização”, analisa ela, falando sobre os dados globais do Estado.
Tânia faz ainda um comparativo com a busca em anos anteriores. “Nossa média de atendimentos em dias fracos era de 250 pessoas por dia. Agora estamos atendendo 110 pessoas”, compara. “Claro, uma parte disso migrou para o atendimento on-line, mas mesmo no on-line a gente não chega nos 250 diários”, aponta ainda Tânia.
Desilusão
Um dos primeiros fatores apontados por quem atua na Justiça Eleitoral para essa queda nas buscas pela regularização é um resultado direto de uma visão negativa da atividade política do País. “Há um crescente desinteresse e desilusão de parte do eleitorado com a política”, avalia o secretário de Tecnologia da Informação (TI) do TRE-RS, Daniel Wobeto.
Na mesma linha, Tânia aponta para a própria relação da população com a atividade política. Ela avalia que a falta de interesse em regularizar o título é influenciada diretamente pelo desencanto com os políticos, além da polarização, que reforça o descontentamento.
Pouco impacto
Outro fator apontado pelos representantes do TRE-RS é quanto às punições aplicadas para quem não está em dia com a Justiça Eleitoral. “O desinteresse está aliado a uma redução da percepção de risco na falta de regularidade eleitoral”, aponta Wobeto. Sensação que é compartilhada pela chefe do CAE-Poa. “Os efeitos só são sentidos bem depois, quando o eleitor precisa de algum serviço e não consegue ter acesso porque o título está cancelado”, avalia Tânia.
Títulos cancelados por cidade
Araricá: 181
Bom Princípio: 159
Brochier: 37
Campo Bom: 1.985
Canela: 1.974
Canoas: 13.221
Capela de Santana: 239
Dois Irmãos: 662
Estância Velha: 1.468
Esteio: 2.924
Feliz: 287
Gramado: 1.403
Harmonia: 70
Igrejinha: 631
Imbé: 1.007
Ivoti: 323
Lindolfo Collor: 111
Linha Nova: 24
Montenegro: 2.117
Morro Reuter: 67
Nova Hartz: 372
Nova Petrópolis: 367
Nova Santa Rita: 852
Novo Hamburgo: 7.784
Pareci Novo: 60
Parobé: 1.513
Picada Café: 81
Portão: 846
Presidente Lucena: 23
Riozinho: 65
Rolante: 308
Salvador do Sul: 72
Santa Maria do Herval: 35
São Francisco de Paula: 454
São José do Hortêncio: 33
São Leopoldo: 7.889
São Sebastião do Caí: 604
Sapiranga: 2.483
Sapucaia do Sul: 5.172
Taquara: 1.573
Três Coroas: 521
Tupandi: 65
Vale Real: 129
Total: 60.191
Como consultar a situação do título de eleitor?
Para consultar a situação do documento, a pessoa deve acessar o Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ir até o campo “Serviços”, localizado no canto superior direito da página. Em seguida, basta acessar a opção “Situação Eleitoral” e informar o CPF. Caso esteja com o título de eleitor cancelado ou suspenso, é necessário fazer a regularização.
Regularização
Faltando pouco mais de um ano para uma nova eleição geral, quando serão escolhidos governadores, deputados, senadores e presidente do País, os eleitores com título cancelado não serão impedidos de votar. Basta que busquem de forma on-line ou presencialmente a Justiça Eleitoral para regularizar sua situação, pagando uma multa de aproximadamente 35 reais.