Médicos terceirizados que atuam na rede pública de saúde de Novo Hamburgo denunciam novos atrasos no pagamento dos salários. De acordo com os profissionais, que preferiram não se identificar, os repasses referentes ao mês de maio ainda não foram realizados, apesar de já estarmos em junho.

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
“Todo mês os médicos precisam correr atrás do jornal para tentar receber pelo trabalho prestado. No mês passado, conseguimos receber apenas o que trabalhamos em fevereiro”, relatou uma médica.
Segundo ela, o atraso tem se tornado recorrente e já prejudica ao menos 19 profissionais da área de pediatria. “Trabalhamos, entregamos nosso tempo e cuidado — e o mínimo que esperamos é respeito”, desabafa.
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Os profissionais são ligados à empresa AML Assessoria Médica Gestão em Saúde Ltda., contratada pela Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH) em novembro de 2024 para prestar serviços médicos especializados, em regime de plantão, nas áreas de pediatria, psiquiatria e medicina de emergência.
Eles atuam nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos bairros Canudos e Centro, além de unidades básicas de saúde. Em abril, cerca de 20 médicos chegaram a suspender os atendimentos, alegando falta de pagamento desde fevereiro.
Impasse nos repasses
De acordo com os relatos, o problema está relacionado à ausência de repasses da FSNH à AML, empresa responsável pela contratação dos profissionais. Em nota, a AML informou que estão pendentes os pagamentos das notas fiscais referentes aos meses de março e abril, mesmo com o cumprimento integral das obrigações contratuais.
“A AML reafirma seu compromisso com a assistência à saúde da população de Novo Hamburgo e permanece à disposição da Administração Pública para diálogo e resolução da situação, confiando que as pendências serão regularizadas com a brevidade necessária a fim de não prejudicar a continuidade dos serviços”.
Posição da FSNH e da Prefeitura
Procurada pela reportagem, a Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo informou, por nota, que os pagamentos estão sendo realizados dentro do prazo legal previsto pela nova Lei de Licitações (nº 14.133/2021). Segundo a FSNH, a última nota fiscal foi emitida em 22 de abril, com vencimento legal em 21 de junho, o que indicaria que ainda não há inadimplência formal.
A Prefeitura de Novo Hamburgo também se manifestou, destacando que os repasses para a FSNH estão sendo feitos regularmente.