O feriado de Corpus Christi, celebrado na quinta-feira (19), foi acompanhado por um cenário incômodo em Estância Velha: o acúmulo de lixo em ruas, calçadas, lixeiras públicas e esquinas da cidade. Moradores relatam que a coleta de resíduos esteve suspensa por mais de uma semana, causando transtornos e mau cheiro em diversos bairros. De acordo com a prefeitura, o problema ocorreu devido à troca de empresa responsável pelo recolhimento do lixo, mas afirma que a coleta foi retomada ainda na tarde desta quinta.
Publicidade
Problemas com empresa contratada emergencialmente deixaram bairros sem coleta por mais de dez dias
Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
No bairro Lago Azul, a empresária Vanessa Morschel, de 40 anos, descreveu o impacto da paralisação: “As vias estão todas sujas, as lixeiras entupidas. Nem na calçada dá para andar, porque os cães de rua estão rasgando os sacos e espalhando ainda mais lixo”.
Problemas com empresa contratada emergencialmente deixaram bairros sem coleta por mais de dez dias
Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
A vizinha Adailaine Tomachesqui, 41, afirmou que entrou em contato com a prefeitura na semana passada, mas que, até esta quinta-feira (19), o bairro seguia sem coleta adequada. “Não vi nada assim nos últimos 16 anos que moro aqui. Estamos preocupados com a proliferação de baratas, ratos e doenças”, lamentou.
Em outro ponto do mesmo bairro, o morador Oleri da Fontoura Batista, 62, tentava acomodar o lixo em uma lixeira já cheia. “A situação está terrível. Ninguém aguenta o cheiro, começaram a aparecer moscas. É um fedor horrível”, afirmou enquanto tentava organizar os sacos de lixo na lixeira.
Problemas com empresa contratada emergencialmente deixaram bairros sem coleta por mais de dez dias
Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
O programador Willian Ferreira, 25, relatou que moradores passaram a acumular lixo dentro das casas ou pendurá-lo nas grades dos portões. “A gente não tem mais onde colocar o lixo. A vontade que dá é colocar tudo dentro de um saco e largar na frente da prefeitura”, desabafou.
Publicidade
Problemas com empresa contratada emergencialmente deixaram bairros sem coleta por mais de dez dias
Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Impasse contratual e troca de empresa
A prefeitura atribui os transtornos a mudanças no contrato de prestação de serviços. Segundo o prefeito Diego Francisco, o município estava operando com um contrato emergencial que, por orientação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), não pôde ser renovado. Um novo contrato emergencial foi firmado com a empresa Urban, que deveria iniciar as operações em 13 de junho, mas só começou parcialmente no sábado (14). No domingo (15), não houve coleta, e na segunda-feira (16), o serviço ainda era irregular. Diante das falhas e do “descumprimento de cláusulas contratuais”, conforme informado pela prefeitura, o contrato com a Urban foi oficialmente rescindido às 18 horas da quarta-feira (18).
Na tarde desta quinta-feira (19), uma nova empresa — a Cootratam — assumiu os trabalhos de coleta na cidade. Segundo a prefeitura, o contrato foi firmado pelo mesmo valor do anterior, com uma economia estimada de até R$ 240 mil por ano.
“O serviço está sendo realizado com três equipes e três caminhões, seguindo o itinerário regular de coleta da cidade”, informou por nota o governo municipal.
Publicidade
De acordo com a administração municipal, a empresa deve atuar por pelo menos 90 dias na cidade, enquanto os trâmites para a abertura de nova licitação são conduzidos.
Expectativa de normalização
A administração afirma que agora o foco está na normalização do serviço e recuperação da limpeza urbana. “Trabalhamos com nossa equipe em várias frentes para que o serviço pudesse voltar o mais rápido possível. Acreditamos que, a partir de agora, não teremos qualquer tipo de descumprimento por parte da nova contratada”, declarou o prefeito.