Diante do aumento dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul, a bancada feminina da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo está mobilizando a comunidade para um ato público em defesa da vida das mulheres. A iniciativa ocorre após o registro de 11 assassinatos apenas no mês de janeiro no estado — número superior ao do mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria Estadual da Mulher.
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Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Entre as vítimas está uma moradora de Novo Hamburgo, residente no bairro Santo Afonso. O fato reforça, segundo as parlamentares, a urgência de ações locais. “Não são números. São vidas interrompidas. Lamentar não basta. É preciso questionar quais políticas públicas estão sendo priorizadas para salvar vidas”, afirmou a vereadora Professora Luciana Martins (PT).
A mobilização reúne também as vereadoras Daia Hanich (MDB) e Deza Guerreiro (PP), que convocam a população para um ato coletivo no próximo sábado (7), às 9h30, na Praça do Imigrante. Antes disso, será realizada uma reunião preparatória virtual nesta terça-feira (3), às 19h, com coletivos e interessados.
Foco no Centro de Referência
O objetivo central da pauta local é a implementação de um Centro de Referência da Mulher (CRM). “O CRM é para agora. Não é possível esperar até 2027 enquanto mulheres seguem sendo assassinadas”, reforça Luciana Martins.
Inspetora da Polícia Civil, a vereadora Daia Hanich (MDB) ressaltou a fragilidade da rede de apoio atual. “A violência doméstica não tem lado direito ou esquerdo; ela tem um alvo, que é a mulher. Muitas vezes, sem o Centro de Referência, não temos para onde encaminhar essas vítimas. Precisamos unir forças”.
O alerta nos maus-tratos a animais
A mobilização também traz à tona a “Teoria do Elo”, que conecta a crueldade contra animais ao ciclo de violência doméstica. Segundo Deza Guerreiro (PP), 71% das mulheres agredidas afirmam que os agressores já haviam maltratado animais domésticos. “Quem é cruel com o animal é cruel com a gente. A violência muitas vezes começa ali, no cachorro ou no filho, antes de chegar à mulher”, pontuou.