O início da investigação na Câmara de Vereadores, que pode culminar com impeachment do prefeito e vice-prefeito de Cachoeirinha, continua movimentando os bastidores políticos do município. Parlamentares aprovaram a instalação de uma Comissão Processante (CP) para apurar a conduta de Cristian Wasem (MDB) e Delegado João Paulo (PP) no período que antecedeu as eleições municipais de 2024.

Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Foram 13 votos favoráveis ao documento protocolado na segunda-feira (20) pelo advogado Hedrix Gavião, a pedido do suplente de vereador, Almeida Xereta (PL). Apenas quatro parlamentares foram contrários ao início do processo.
Nesta sexta-feira (24), o prefeito Cristian Wasem, determinou a exoneração do titular da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (SMCEL), Ildo Júnior. Agora ex-secretário, Júnior é filho da presidente da Câmara de Vereadores, Jussara Caçapava (Avante). Além dele, outros indicados da vereadora foram desligados da prefeitura.
Nomes ligados aos vereadores Zeca dos Transportes (MDB), Otoniel Gomes (MDB) e Gilson Stuart (Republicanos), também foram exonerados. Zeca e Stuart compõe a CP ao lado de Mano do Parque (PL), enquanto o primeiro ocupa a presidência, o segundo atua como membro. Já Otoniel foi líder do governo Wasem/João Paulo no Legislativo.
Pedido de demissão coletivo
Com as exonerações confirmadas, outros funcionários da prefeitura que ocupam cargos comissionados foram até a sede do Executivo, na Avenida General Flores da Cunha, onde pediram demissão. Aproximadamente 100 pessoas ligadas aos vereadores Paulinho da Farmácia (PDT), Marcelo Matos (MDB), Sandrinha (Republicanos) e Thiago Eli (PP) entregaram seus cargos.
Os parlamentares também estiveram presentes no ato. O vereador Flávio Cabral (MDB) que está viajando, afirmou que também está entregando cargos indicados por ele na administração municipal.
A reportagem procurou a prefeitura de Cachoeirinha, que não se manifestou até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
Quatro votos contrários
Apenas três vereadores votaram contra a abertura do processo de impeachment: Cléo do Onze (MDB), Edison Cordeiro (Republicanos), Uilson Droppa (Podemos) e Claudine Silveira (PP), esposa do vice-prefeito.
Wasem publicou um vídeo em suas redes sociais onde afirmou que ficou surpresa com a votação na Câmara.
“Estou tão surpreso quanto vocês”, começa dizendo. O prefeito ainda relata que muitos dos votos foram de parlamentares que sempre caminharam ao seu lado. “Amigos, parceiros do próprio partido, vereadores da igreja”, reforça.
Motivação do pedido de impeachment
O pedido de impeachment aborda a aquisição realizada pelo prefeitura de 14 mil pares de tênis para alunos da rede municipal. Os calçados custaram R$ 1 milhão e foram distribuídos às vésperas das últimas eleições.
Além disso, o repasse de R$ 2,7 milhões a servidora ligada à base política do governo municipal durante o período das enchentes também é citada. Outro ponto é a utilização de perfis institucionais e redes sociais da prefeitura para promover a gestão Wasem/João Paulo, que buscavam a reeleição.
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