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REGIÃO

"Quanto custa não fazer esses investimentos?", questiona prefeito de Campo Bom sobre concessão do Bloco 1

Ex-deputado e ex-secretário de Estado, Feltes falou sobre desafios para qualificar rodovias no Rio Grande do Sul

"Quanto custa não fazer esses investimentos?", questiona prefeito de Campo Bom sobre concessão do Bloco 1
Publicado em: 16/11/2025 às 17h:48 Última atualização: 16/11/2025 às 14h:06
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Desde que foi anunciada oficialmente, a concessão do Bloco 1 é criticada por políticos de diversas correntes ideológicas. Para eles, o número de pedágios no sistema free flow (23) e o aporte de R$ 1,5 bilhão do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) estão equivocados. Já o governador Eduardo Leite (PSD) diz que o modelo apresentado no dia 28 de outubro é o caminho para “colocar o Rio Grande na estrada do futuro”.

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Giovani Feltes | abc+



Giovani Feltes

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial

Localizadas nos vales do Sinos, Paranhana, Região das Hortênsias e litoral norte, as oito rodovias que devem ser concedidas à iniciativa privada (RS-020, RS-040, RS-115, RS-118, RS-235, RS-239, RS-466 e RS-474) enfrentam problemas estruturais ao longo dos últimos 30 anos, com poucas melhorias no período. Já a construção da RS-010 poderia significar uma alternativa aos moradores destas regiões, que precisam se deslocar diariamente para Porto Alegre.

Uma das vozes mais influentes da política no Vale do Sinos, o prefeito de Campo Bom e ex-deputado, Giovani Feltes (MDB), afirma que é necessário mudar o eixo da discussão atual. “Naturalmente, o tema dos pedágios é sensível. Campo Bom convive há mais de 30 anos com essa realidade. Sabemos dos custos que ela impõe, tanto financeiros quanto de segurança. Por isso, é fundamental que o debate sobre o novo modelo de concessão, que prevê tecnologia de cobrança eletrônica e justiça tarifaria, seja feito com transparência e participação.”

Dinheiro do Funrigs

O prefeito, que foi secretário da Fazenda na gestão de José Ivo Sartori (MDB) e da Agricultura no governo de Eduardo Leite, lembrou que os valores referentes ao Funrigs se tornaram opção por conta da tragédia climática vivenciada pelo RS em 2024.

“É um recurso temporário, já que o Estado não está pagando a dívida de bilhões com a União. Mas, a partir de 2027, o próximo governador vai ter que voltar a pagar a dívida e não terá mais o valor disponível. O recurso precisa ser utilizado com rapidez.”

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Feltes também recorda o período em que a RS-118 esperou para ser duplicada e a baixa produtividade da EGR. “É de se imaginar que teremos capacidade de fazer todo esse volume de investimentos nos próximos anos? Há muitas reclamações relacionadas a EGR. Achamos que a partir de agora vai conseguir concretizar as obras, com a receita que está aí? Isso também entra no cálculo do não fazer.”

Balança do investimento

Sobre a RS-239, o prefeito diz que Campo Bom já é pedagiada e que o novo modelo vai proporcionar retorno de impostos aos municípios. “Em mais de 30 anos não vimos um tostão [do pedágio].”

Ele salienta que os investimentos são fundamentais para melhorar a qualidade da via e evitar o número elevado de acidentes todos os anos. “Quantas vidas vamos perder a mais? Quanto custa não fazer esses investimentos?”, questiona.

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Feltes reconhece que o pedágio não é simpático, mas, lembra de opiniões sobre rodovias de fora do Estado. “Muitas pessoas que viajam para o exterior ou até outros estados, voltam maravilhadas com a qualidade das estradas. E qual o modelo utilizado para manter esse aspecto? O free flow.”

No que se refere a RS-010, o político diz que a estrada vai retirar a atual dependência com relação a BR-116. “Quanto nos custou ficar sem a 010 esse tempo todo? Na enchente ficamos praticamente ilhados.”

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Feltes aproveitou para incentivar a participação da população nas quatro audiências públicas promovidas pelo Estado. As duas primeiras ocorrem nesta terça-feira (18), em Gramado e Taquara, enquanto as últimas serão no dia 25 de novembro, em Gravataí e Novo Hamburgo.

“É preciso que a sociedade compreenda que discutir concessão não significa aceitar tudo como está proposto, mas avaliar com responsabilidade o que representa ter ou não ter esses investimentos nas próximas décadas.”

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