Disputa no Legislativo de Canoas

"Quebra de acordo por parte de Cris Moraes foi traição", acusa vereador Gilson Oliveira

Base jairista na Câmara de Canoas mantém cargo de presidente e tensiona disputa política no município

Publicado em: 29/12/2023 15:09
Última atualização: 29/12/2023 15:13

A quebra de um acordo interno de alternância anual no cargo de presidente da Câmara de Vereadores de Canoas foi mais um ingrediente de tensão ao cenário político local. Os ânimos estão acirrados desde
a Operação Copa Livre, do Ministério Público Estadual, em 31 de março de 2022.

Nesta semana, a base de apoio ao prefeito afastado Jairo Jorge (PSD) no Legislativo aprovou a permanência de Cris Moraes (PV) na presidência por mais um ano. Com isso, o vereador Gilson
Oliveira (Avante), aliado ao prefeito em exercício Nedy de Vargas Marques (Avante), fica
impedido de assumir o cargo – pelo menos até segunda ordem.

Políticos do Avante e do PV discutem principal cadeira do Legislativo de Canoas Foto: Divulgação

Gilson declara que não irá à Justiça. Afirma, no entanto, que “foi um golpe, uma traição interna no Executivo e no Legislativo”. O vereador, que na condição de presidente da Câmara deu posse a Nedy no último dia 19, diz que não teria motivos para judicializar. “Não é a questão, porque a lei está
do lado dele (Cris Moraes)”, reconhece. O político enfatiza que há um acordo interno definindo que o mandato é alternado entre as bancadas. De outro lado, há o regimento interno, que diz que
o mandato é bianual.

Segundo Gilson, a quebra do acordo ocorreu devido a fatos políticos. “Eles (os 11 vereadores que se aliaram a Cris Moraes) seguem a narrativa de que mantê-lo na presidência seria bom para a estabilidade política. Essa é a narrativa para justificar a proteção ao prefeito afastado”, declara.

Gilson ainda lembra das ações recentes que resultaram em supostas dificuldades na transmissão
do cargo ao prefeito em exercício. “Por que o presidente da Câmara (Cris Moraes) fez três viagens a Brasília mesmo depois do anúncio do retorno de Nedy?”, questiona. Na opinião de Gilson, seria uma manobra que “mancharia” a trajetória do grupo jairista por “não cumprimento de um acordo democrático”.

"Se a pauta da permanência tivesse sido levada para votação, a realidade seria outra, afirma o vereador do Avante. “Foi um peitaço. Houve uma conversa interna entre eles e a comunicação posterior. Em votação, essa decisão não se manteria”, opina.

Gilson esteve reunido com Nedy logo após o episódio. Declara-se imparcial e que “não está de nenhum
lado” e “defende o que é correto”. “Me colocam como inimigo do prefeito afastado. Não tenho que proteger ninguém. Mantenho a independência. Estou com a consciência tranquila.”

O vereador refere-se ao fato de ter defendido Nedy quando do afastamento da Fundação Educacional Alto Médio São Francisco (Funam), empresa terceirizada que fazia a gestão do Hospital Universitário (HU), suspeita de desvios financeiros segundo o MPRS. “Como presidente da Comissão de Saúde da Câmara fui testemunha de que o Dr. Nedy fez o que qualquer prefeito faria naquele caso”, relata Gilson.

O atual presidente da Câmara de Vereadores de Canoas, Cris Moraes (PV), afirma que aceitar
permanecer no cargo não significa que ficará como presidente ao longo do ano que vem. “A renúncia pode
acontecer a qualquer momento”, destacou. Mas ele ressalta que foram 11 vereadores que pediram para que ele continuasse no cargo. De acordo com Cris Moraes, o grupo de vereadores ligado ao prefeito afastado Jairo Jorge entende ser o melhor para o momento e ele concluiu que não poderia negar esta solicitação. 

O atual presidente da Casa discorda da afirmação de que houve quebra de acordo. “O que houve não
foi uma quebra de acordo, o que houve no dia 27 de dezembro, na sessão da Câmara, foi uma manifestação da maioria.  Onze colegas pediram para eu continuar. Decidimos reacordar o próximo ano, ninguém foi retirado da mesa”, afirma.

Maria Eunice (PT), Patrício (Progressistas), Emílio Neto (PT), Jefferson Otto (PSD), .amberg (Progressistas), Link (MDB), Patteta (PSD), Dr. Laércio (Podemos), Duarte (Republicanos), Alexandre
Gonçalves (PDT) e o próprio Cris (PV) são os 11 que o mantiveram no cargo.

Em 2022 um grupo de sete vereadores fez o mesmo movimento para emplacar Alexandre
Gonçalves como presidente, mesmo havendo o acordo, mas perderam na votação.

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