A redução de investimentos no setor cultural de Novo Hamburgo foi o tema central de uma audiência pública realizada na tarde desta terça-feira (29) na Câmara de Vereadores. O encontro foi convocado pela Comissão de Educação e Cultura (Coedu) a pedido de artistas e agentes culturais, que cobram mais diálogo e transparência por parte da Prefeitura diante dos cortes anunciados.

Foto: Moris Mozart/CMNH
A principal proposta apresentada durante a audiência foi feita por Vanessa Stibel da Silva, presidente do Conselho Municipal de Cultura. Ela defendeu a criação imediata de um grupo de trabalho intersetorial, reunindo diferentes esferas do poder público e da sociedade civil.
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“Este grupo terá duas grandes tarefas: analisar os impactos legais da nova legislação sobre as políticas culturais existentes e dar início à revisão e sistematização do plano municipal de cultura, identificando seus pontos fortes e seus desafios, para garantir sua plena execução”, afirmou.

Foto: Moris Mozart/CMNH
“É essencial que afirmemos que a gestão pública só é eficiente com previsibilidade e regularidade. Para isso, precisamos de respostas claras por parte da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Cultura. Qual é o orçamento real da cultura para 2025? Qual valor efetivamente será investido após o corte de 25% alegado pelo Executivo? Como se dará a continuidade do Fundo Municipal de Cultura? Qual o plano concreto para a manutenção de estruturas fundamentais como a orquestra?”, questionou.
Quem também se posicionou de forma contundente foi Gustavo Müller, diretor artístico da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo (OSNH). Ele criticou o que considera uma incoerência nos cortes e pediu uma política clara para o setor cultural.
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“Qual vai ser a política da Secretaria da Cultura frente a estes cortes anunciados de 25%, que, segundo a própria Secretaria da Fazenda, é linear para todas as secretarias. Bom, se fosse linear para todas as secretarias, não se teria um corte de 100% na verba da orquestra”, indagou.
Gustavo destacou ainda o papel essencial da Fundação Scheffel e da própria orquestra na vida cultural da cidade. Para ele, a cultura deve ser tratada como um direito básico, assim como saúde e educação.

Foto: Moris Mozart/CMNH
“Eu sou aqui, enquanto consumidor de cultura, enquanto fazedor de cultura, alguém que luta em prol das atividades culturais. Então é óbvio que a gente não pode fechar a Fundação Scheffel. A gente não pode fechar museus, não pode fechar orquestras, assim como não pode fechar escolas ou postos de saúde”, acrescentou.
A Comissão de Educação e Cultura, responsável pela audiência, é composta pelo presidente Felipe Kuhn Braun (PSDB), pela relatora Professora Luciana Martins (PT) e pelo secretário Nor Boeno (MDB). A audiência desta terça-feira teve cerca de 2h40 de duração.