Uma série de videocast com entrevistas dos quatro pré-candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais é o primeiro produto da Central Grupo Sinos de Eleições para 2026. O conteúdo já está disponível em abcmais.com, no YouTube e no Spotify.

Foto: Juliano Piasentin/GES Especial
A distribuição ocorre conforme a ordem das entrevistas, que aconteceram de acordo com a agenda de cada pré-candidato: Marcelo Maranata (PSDB), Juliana Brizola (PDT), Gabriel Souza (MDB) e Luciano Zucco (PL).
Juliana Brizola
“Estava pensando que faria outra coisa, mas a política é por vezes um chamado”, explica Juliana Brizola sobre a decisão de ser pré-candidata a governadora. Ex-deputada estadual, ela afirma que é movida por desafios. “A trajetória do meu avõ [Leonel Brizola] sempre foi assim [buscando desafios].”
Ao aceitar a posição de pré-candidata, Juliana enfrentou resistência dentro do PT, partido do presidente Lula do qual o PDT é aliado em Brasília e diversos outros Estados. Enquanto os petistas lançaram o nome do ex-deputado Edegar Pretto ao Piratini, os trabalhistas não abriam mão da cabeça de chapa, ocupada justamente pela neta de Leonel Brizola.
“O Edegar é uma pessoa tão preparada quanto eu. É um cenário natural tudo que aconteceu com o PT, que sempre lançou candidatura própria”, comenta Juliana. Que salienta a construção feita com outros seis partidos (PT, Psol, PSB, PCdoB, PV e Rede). “Temos uma eleição de dois turnos para vencer. A eleição se nacionalizou e queremos contrubuir com isso. Todos estão juntos.”
Apesar de não ser marinheira de primeira viagem, admite o nervosismo já que pode repetir o avô, que também governou o Rio Grande do Sul. “Tem sempre um frio na barriga [com as eleições]. Não é fácil se apresentar para o povo.”
“Não vivo na sombra do meu avô, vivo na luz dele”
As comparações com Leonel Brizola e o fato de ter crescido em uma família envolvida com a política não incomodam Juliana, pelo contrário. “Não vivo na sombra do meu avô, vivo na luz dele. Foi um dos maiores políticos deste país.”
A pré-candidata salienta que não tem pretensão de dizer o que Brizola falaria, no entanto, diz saber de qual lado o avô estaria. “Fomos muito perseguidos pela ditadura militar. Eu mesma, tive que morar fora do Brasil.” Por isso, reforça que os valores de ambos são os mesmos. “Ao poucos as pessoas vão me conhecendo de verdade.”
Feminicídios, polarização, enchente e privatizações
Entre os temas abordados pela trabalhista está o número expressivo de feminicídios no Estado. “Estão matando nossas mulheres. Tratar o assunto apenas como segurança pública não vai resolver.” Uma das soluções apontadas é o investimento na educação. “Precisamos mudar o pensamento lá na ponta [infância]. Que tipo de meninos estamos entregando à sociedade.”
Questionada sobre a resiliência climática, Juliana reitera que o principal é a prevenção. “Não podemos deixar as coisas como há dois anos, quando todos saíram correndo. Vamos começar pelo básico, preservar nossos verdes. Não dá para colocar apenas cimento.”
No que se refere à polarização, explica que a divisão traz uma cortina de fumaça aos reais problemas da população. “Precisamos discutir os problemas da vida das pessoas. Minha tática é ser verdadeira, o objetivo é dialogar para que o Rio Grande do Sul volte a ser protagonista.”
Juliana aproveitou para elogiar o governo Eduardo Leite, do qual o PDT fez parte. “Tem muita coisa boa, mas tem muito a melhorar e precisamos ter coragem para fazer isso.” E reforça não ser contrária às privatizações. “Sou contra privatizar mal.”