Durante a sessão desta quarta-feira (10) da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, o caminhoneiro Paulinho dos Santos, de 53 anos, protagonizou um protesto. Morador da Rua Eldorado, no bairro Santo Afonso, ele levou bandeiras usadas na campanha eleitoral do atual prefeito, Gustavo Finck (PP), e as queimou em frente à sede do Legislativo.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
O gesto, segundo ele, foi uma forma de cobrar a falta de respostas da Prefeitura sobre o andamento de sua habilitação no programa habitacional federal Compra Assistida.
“Estou queimando essa bandeira como se estivesse queimando o meu voto. Joguei meu voto fora quando confiei nesse cara aqui, o senhor Gustavo Finck”, declarou Paulinho.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Paulinho e a esposa, Maria Odete, são vítimas da enchente de maio de 2024 e aguardam, há mais de um ano, por inclusão no Compra Assistida — programa do governo federal que permite a aquisição de imóveis prontos, de até R$ 200 mil, pela Caixa Econômica Federal, para famílias que perderam suas casas na catástrofe climática.
Segundo ele, o processo de cadastramento foi feito corretamente ainda em 2024. No entanto, apenas recentemente descobriu que a Prefeitura havia encaminhado a documentação ao Ministério errado, o que impediu o andamento da solicitação.
“Fiz o cadastro há quase um ano e meio e até agora nada. Descobri recentemente que a Prefeitura enviou os dados pro ministério errado. Por isso toda a confusão. Só agora, duas semanas atrás, refizeram o cadastro”, contou Paulinho.
CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DE NOVO HAMBURGO NO WHATSAPP
Prefeitura reconhece erro, mas não explica
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Novo Hamburgo confirmou o equívoco por meio de nota oficial, mas não informou qual foi o erro e quando exatamente foi solucionado.
“A Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação (SDSH) confirma que houve um erro no envio das informações, ainda no primeiro semestre do ano. No entanto, a situação foi corrigida. Agora, é necessário aguardar o retorno do Ministério das Cidades e ficar atento à lista no site oficial do programa, atualizada semanalmente”, diz o comunicado.
LEIA TAMBÉM: Feevale confirma que vai fechar 6 cursos do ensino superior
Incerteza
A família de Paulinho é uma das cerca de 20 da Rua Eldorado que receberam notificações da Prefeitura em janeiro deste ano, com ordem para desocupação dos imóveis. A justificativa do Executivo é que a área precisa ser liberada para obras de reforço no dique que protege a região — estrutura que foi severamente danificada pelas enchentes de 2024.
Morador do local há 36 anos, Paulinho perdeu tudo na enchente, quando a água atingiu o teto da casa. Mesmo diante da tragédia, ele e a esposa optaram por reconstruir o imóvel. Durante os reparos, o caminhoneiro perdeu dois dedos da mão.
Além disso, enfrenta outro desafio: um câncer no rim, diagnosticado recentemente. Após passar por cirurgia há dois meses agora ele aguarda encaminhamento para iniciar tratamento de quimioterapia em Taquara.
“Estou com um bicho me comendo por dentro. Tenho depressão, estou agoniado. Meu medo é que aconteça algo comigo antes de resolver essa situação. Quero deixar minha esposa em segurança. Se me acontece algo, o que vai ser dela?”, desabafa.