As visitas noturnas do vereador Joelson Araújo (Republicanos) às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Centro e Canudos, em Novo Hamburgo, geraram reação do Sindicato dos Médicos do Município e provocaram um intenso debate na Câmara de Vereadores na noite de segunda-feira (10).
O parlamentar alega ter encontrado médicos dormindo enquanto pacientes aguardavam por atendimento. As inspeções realizadas em janeiro, com o objetivo de “verificar se os profissionais estavam trabalhando”, foram registradas e compartilhadas em redes sociais.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
A sessão legislativa foi marcada por manifestações do público e precisou ser suspensa três vezes. O plenário lotado contava com pessoas exibindo cartazes com frases como: “Dormir no plantão é desrespeito com quem mais precisa” e “A saúde não pode esperar”.
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A convite do presidente da Câmara, Cristiano Coller, o presidente do Sindicato dos Médicos, Kleber Fisch, utilizou a tribuna para responder perguntas dos parlamentares e criticar a postura de Araújo. Fisch, que é cirurgião plástico, classificou a abordagem do parlamentar como “midiática” e demonstra “total desconhecimento” sobre os protocolos da saúde.
Segundo ele, o acesso às áreas de atendimento e repouso dos profissionais é restrito por lei, exigindo agendamento prévio com a Secretaria de Saúde e a chefia das UPAs. “A exposição dos profissionais foi constrangedora e desnecessária. Qualquer averiguação das condições de trabalho deve contar com a participação do sindicato ou do Conselho Regional de Medicina [Cremers]”, afirmou Fisch.
O presidente do sindicato também anunciou o protocolo de uma denúncia por quebra de decoro parlamentar contra Araújo, além da adoção de medidas judiciais. “Esse tipo de exposição não contribui para melhorias na saúde pública”, acrescentou.
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Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Em resposta, Joelson Araújo negou ter invadido espaços privativos e defendeu seu papel fiscalizador. “Andei apenas pelo corredor e bati à porta com educação”, argumentou. O vereador também rebateu as críticas de Fisch. “Ele está defendendo a classe dos médicos, e nós estamos tentando arrumar soluções”, disse à reportagem.
Problemas estruturais
Durante a sessão, o presidente do Sindicato dos Médicos de Novo Hamburgo também aproveitou para destacar os desafios enfrentados pelos profissionais da saúde no Município. Ele apontou a falta de recursos, a restrição do número de exames e a ausência de assistentes sociais nas UPAs como problemas graves.
O presidente do sindicato alertou que as condições de trabalho têm levado profissionais a deixarem a cidade. “Estamos preparando um relatório detalhado sobre as necessidades do setor, que será apresentado à Câmara de Vereadores até maio”, concluiu.