Um dos principais cartões postais do Litoral Norte, a plataforma de Xangri-lá, continua sem definição certa sobre seu destino e permanece interditada. Enquanto isso, moradores e visitantes convivem com sua estrutura em ruínas.
O jardineiro de 35 anos, Alex Junior Costa, que mora em Xangri-lá, lamenta a demora na reconstrução da estrutura. Para ele, que cresceu frequentando a plataforma, o jogo de “empurra-empurra” já dura muito tempo, e que falta de ação ameaça desmanchar um símbolo do município.
“A plataforma representa muita coisa para mim, porque eu me criei aqui. Comecei a surfar com 15 anos, mas antes disso pescava com frequência no local. Com o tempo, a gente começou a ver o abandono”, relembra Costa.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Para Costa, a situação é triste, pois como cartão-postal, visitantes lembram de Xangri-lá por sua estrutura. “E nós, como moradores, não podemos fazer nada além de assistir à estrutura se deteriorar e cair aos poucos. Isso dói, porque faz parte da história e da identidade do lugar”.
O valor sentimental da estrutura também é apontado pela empresária Tammy Villela, de 48 anos. Paulista, diz que a plataforma, aliado a praia, tem um valor simbólico e cultural para seus moradores. “Lugar nenhum do planeta é igual à energia desse local. Nossos filhos foram criados aqui. Meu marido, quando estava em São Paulo, mandava fotos da plataforma com o por do sol ao fundo”, comenta Tammy.
Diante da ameaça de desmoronamento, Prefeitura sinaliza áreas de risco
Após diversos episódios de desabamento de sua estrutura, a Prefeitura, através da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, com apoio dos guarda-vidas do Corpo de Bombeiros Militar e colaboração de surfistas, instalou seis boias de sinalização nas proximidades da estrutura, com o objetivo de reforçar a delimitação da área de risco e alertar banhistas, surfistas e demais usuários da orla sobre os perigos do local.
A prefeitura reforça que a plataforma é um bem de natureza particular, construída em área de mar territorial, cuja competência é da União. A responsabilidade pela manutenção da estrutura, anteriormente atribuída à Associação dos Usuários da Plataforma Marítima de Atlântida (Asuplama), é atualmente discutida na esfera judicial.
O caso é objeto de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal frente a União, a Asuplama e o Município de Xangri-Lá, que pede a recuperação da plataforma ou, alternativamente, sua demolição integral. No andamento do processo, o município contratou a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para a elaboração de um laudo técnico, que aponta comprometimento significativo da estrutura, embora indique a existência de viabilidade técnica, ainda sem decisão definitiva sobre sua execução.
O prefeito Celso Barbosa expressou desejo de revitalizar plataforma por meio de uma parceria público-privada.
História
A plataforma foi fundada em 1975, com cerca de 280 metros de avanço sobre o mar. Em 1997, parte da estrutura já havia cedido. Entre 2019 e 2019, ondas danificaram ainda mais a estrutura.
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