Foi em 1892 que surgiu no Brasil o primeiro Corpo de Bombeiros Voluntários, na cidade de Joinville (SC). Após mais de 130 anos, a instituição se tornou cada vez mais necessária no atendimento a primeiros socorros, combate a incêndios, resgate de animais, entre outras ocorrências, principalmente nas pequenas cidades, distantes dos quartéis do Corpo de Bombeiros Militar.

Foto: CBV Araricá/Divulgação
Na área de cobertura do projeto Nossa Comunidade, seis cidades contam com grupos de Bombeiros
Voluntários: Araricá, Nova Hartz, Rolante, Riozinho, Igrejinha e Três Coroas. Somadas, as corporações
atenderam a 13.189 chamados no ano passado.
Para ser um bombeiro voluntário, não basta apenas ter disponibilidade para servir. É preciso conciliar a função com a rotina familiar e de seus empregos habituais, além de constantes treinamentos para
aprimorar habilidades. E antes de ingressar, há testes de qualificação, como conta o comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Igrejinha, Graciano Ronnau.
“Quem tem interesse em se tornar bombeiro, primeiramente se inscreve para o ingresso na corporação. Essa pessoa precisa passar em etapas como exames de aptidão, exames médicos, físicos, de antecedentes criminais e, após isso, faz um curso. Passando nesse curso, inicia sua atividade”, explica.
O trabalho não atrai somente moradores dos municípios com estas corporações. De acordo com o comandante operacional dos Bombeiros Voluntários de Nova Hartz, Glaucio Dietrich, há profissionais
de 11 cidades atuando no município. “Trabalhamos protegendo patrimônios e a vida. Tem que ter sempre uma equipe forte, que esteja interessada em vestir a camiseta e atuar em prol da comunidade.”
Em Araricá, há voluntários que se deslocam até da Serra. O subcomandante Adriano Rech ressalta a importância da corporação no município. “Podemos oferecer segurança e tranquilidade para a comunidade. Possuímos a confiança dos munícipes, somos a mão amiga que está presente para diversos
momentos. Posso falar com a certeza que Araricá hoje tem uma equipe muito bem preparada que está disponível para ajudar o que for preciso 24 horas por dia”, afirma.
Primeiros socorros
Em cidades como Três Coroas e Igrejinha, são os bombeiros voluntários que realizam os atendimentos de primeiros socorros e fazem o encaminhamento de pacientes aos hospitais. “Não temos o Samu no município, então todos os atendimentos clínicos são sob nossa responsabilidade, assim como outras naturezas de atendimento”, conta o comandante de Três Coroas, Victor Thomazi.
Em Igrejinha, Ronnau reforça que, quando o atendimento a pacientes exige decisões técnicas, a corporação está preparada para atuar. “Infelizmente não podemos ter uma regulação médica, mas hoje temos uma equipe composta por técnicos de enfermagem e enfermeiros. Então fazemos a remoção simples para o hospital”, salienta.
Parceria com a comunidade
O Corpo de Bombeiros Voluntários de Rolante conta com um posto avançado em Riozinho. De acordo com o comandante Leandro Gottschalk, a população reconhece o trabalho da corporação. “Temos muito apoio
dos empresários locais. Em caso de grandes ocorrências, as empresas cedem os seus voluntários em seu horário de trabalho para que possam atender aos chamados”, conta, destacando que a iniciativa privada mantêm a estrutura com viaturas e prédio em condições.
Em Igrejinha, o Corpo de Bombeiros Voluntários também atua no lado social. Neste ano, a corporação vai lançar o projeto “Bombeiro Mirim”. Segundo o comandante, trata-se de um pedido da comunidade. “É uma forma de trazer a criançada e os jovens, para que, quem sabe no futuro, eles possam ser voluntários também”, frisa.
Os principais desafios
Cada corporação tem desafios para garantir as atividades. Em Três Coroas, a principal adversidade está na construção do novo quartel, já que o anterior foi danificado na enchente de maio de 2024. “Também foi difícil garantir a continuidade dos serviços pósenchentes, na recuperação, na reestruturação, na continuidade das demandas, associadas à construção deste novo quartel”, relata Thomazi.
A preocupação para Araricá está com base na captação de recursos para manter o quartel e toda a estrutura em funcionamento. Rech lembra que, atualmente, a corporação tem uma parceria com a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), recebendo um repasse mensal para realizar os atendimentos na RS-239. “A possível saída da EGR da administração da rodovia impactará muito para nós, pois é com esse recurso que conseguimos manter nosso quartel todos os meses.”
Em Rolante e Riozinho, Gottschalk aponta que ambos os municípios têm fatores que preocupam, como a complexidade de atendimentos, por exemplo. “O turismo de
aventura está se tornando um grande potencial e, com isso, a vinda de pessoas para ambientes mais isolados traz uma preocupação maior quanto a buscas e salvamentos. Por isso, precisamos sempre de capacitação e de investimentos
em equipamentos e viaturas.”
Inscrições
Até o dia 13 de fevereiro, o Corpo de Bombeiros Voluntários de Nova Hartz está recebendo inscrições
para quem deseja integrar a corporação. É preciso ter 18 anos ou mais. A candidatura é registrada apenas no quartel, localizado na Avenida Irmãos Hartz, 220, Centro.