Você já ouviu a expressão “comfort food”? No mundo da literatura existe um conceito semelhante. São os cozy books, em tradução livre, livros de conforto. O termo faz referência à obras literárias com tramas acolhedoras, que têm como eixo central as relações humanas, o cotidiano e recomeços. No geral, são narrativas leves, com personagens cativantes e enredos reconfortantes.

Foto: Magnific
LEIA ESSA: Asteroide gigante passa perto da Terra neste sábado e poderá ser visto; saiba como
As obras costumam retratar histórias que se passam em cidades pequenas, conflitos de baixa intensidade e tramas com ritmo mais cativante. Com a chegada do inverno e a proximidade do período de férias escolares, o tempo em casa tende a ser maior e os cozy books estão entre as opções procuradas pelos leitores.
Construção de sentido
O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Processos e Manifestações Culturais da Universidade Feevale, professor Daniel Conte, atribui o fenômeno ao aspecto sensorial. “A literatura em si com produção de efeitos de sentido. É uma espécie de fuga de uma tensão e violência modernas. Os cozy books vão oferecer experiências de conforto que vão ser construídas, significadas e subjetivadas a partir de ambientes acolhedores”, relata.
Além disso, o leitor busca um processo de subjetivação de mundo e de entendimento da realidade a partir do mergulho no mundo ficcional. “Hoje a gente tem as fanfics, que são muito importantes, os áudios livros, os BookToks e cozy books, tem várias dimensões materiais de literatura e gêneros”, explica.
Tradição literária mais antiga que o nome
Os cozy books, como nomenclatura de gênero literário no mercado, são um fenômeno mais ou menos recente. Mas ao longo da história da literatura muitos autores e títulos transitaram pelo mesmo território, frequentemente mesclando histórias edificantes com arcos de aprendizado. Muitos deles, por sinal, renderam adaptações cinematográficas famosas. Alguns são histórias infantojuvenis.
ENTRE NO NOSSO CANAL NO WHATSAPP
É o caso, por exemplo, de um dos clássicos do cultuado estúdio Ghibli, do animador Hayao Miyazaki. O Serviço de Entregas da Kiki, que conta a jornada de amadurecimento de uma jovem bruxinha, é baseado em um romance da autora japonesa Eiko Kadono. Outro filme clássico, Mary Poppins, que teve continuação recente, é baseado numa série de livros da autora australiana P. L. Travers. Conta as façanhas de uma babá que ensina a magia do cotidiano e supera problemas de maneira leve. Mais conforto, impossível.
Confira algumas dicas de cozy books:
Série Os Amores de Dream Harbor – A história se passa em uma pequena cidade litorânea onde todos se conhecem e os negócios locais são o coração da comunidade. As obras acompanham diferentes moradores ou recém-chegados que estão recomeçando a vida, lidando com mudanças pessoais e encontrando o amor. A escritora Laurie Gilmore utiliza o pseudônimo que faz relação com a série de TV Gilmore Girls e ambienta a história em uma cidade semelhante à famosa Stars Hollow.
Série Cafés & Lendas – O livro Cafés & Lendas apresenta Viv, uma orc guerreira que decide abandonar a vida de aventuras, combates e caça a monstros para perseguir um sonho aparentemente simples: abrir uma cafeteria. Em um mundo de fantasia onde quase ninguém conhece café, ela precisa conquistar clientes, fazer amigos e construir uma nova vida baseada em comunidade, afeto e pequenos prazeres cotidianos. A série conta com o prelúdio Livros e Ossos, que apresenta uma história da Vic ainda como mercenária.
Bem-vindos à Livraria Hyunam-Dong – A obra acompanha uma mulher que, após passar por um esgotamento emocional, decide abandonar o que vinha fazendo e abrir uma pequena livraria em um bairro de Seul. No começo, ela não tem experiência com o ramo nem certeza de que tomou a decisão certa, mas aos poucos a livraria começa a atrair clientes e se transforma em um espaço de encontro e acolhimento. Entre livros, conversas e silêncios compartilhados, tanto a protagonista quanto as pessoas ao redor dela passam a lidar melhor com suas próprias insatisfações e feridas.
*Colaborou: André Moraes