Todos os dias, as principais estradas, rodovias e ruas ficam sobrecarregadas de veículos. Não bastasse o número de carros, a pressa, a desatenção e algumas imperícias resultam no aumento das ocorrências de acidentes. A maioria delas se restringe a danos materiais, mas algumas culminam em mortos e feridos.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Na tarde de terça-feira (14), em um raio de dois quilômetros, quatro acidentes foram registrados quase simultaneamente entre Novo Hamburgo e Estância Velha, na BR-116 e RS-239. O primeiro ocorreu por volta das 15 horas, quando um carro caiu em um açude às margens de uma alça de acesso que liga a RS-239 à BR-116, em Novo Hamburgo, próximo ao limite com Estância Velha.
Enquanto a reportagem acompanhava o acidente, outros três foram registrados a menos de dois quilômetros de distância um do outro, em um intervalo inferior a meia hora. Todos os acidentes ficaram restritos a danos materiais, mas chamaram a atenção pela quantidade em um curto espaço de tempo.
Uma rodovia peculiar
Segundo o comandante do 3º Batalhão Rodoviário da Brigada Militar, major Diego Caetano, que atende os municípios da região, diversos fatores contribuem para os acidentes na RS-239. Um dos principais é a característica da via que, apesar de ser uma rodovia, possui dinâmica semelhante à de uma rua ou avenida, com diversas empresas e acessos laterais ao longo da estrada estadual.
A velocidade permitida na rodovia nem sempre é compatível com a dinâmica urbana, que conta com muitas alças de acesso, passagem de pedestres e cruzamentos de carros e caminhões. “Devido a essa intensa atividade econômica, somada ao número de acidentes, principalmente no trecho próximo à Universidade Feevale, foi necessária a instalação de um redutor de velocidade para diminuir a quantidade de ocorrências naquele ponto”, explica Caetano.
Acidentes na RS-239
Somente neste ano, a RS-239 registrou 106 colisões laterais, 61 colisões traseiras, 26 atropelamentos, oito engavetamentos e 12 óbitos. O maior número de acidentes ocorre entre 6 e 7 horas e entre 17 e 19 horas. Para melhorar esses indicadores, Caetano aponta três eixos: engenharia, educação e fiscalização.
“O trabalho de divulgação é importante para que as pessoas entendam o motivo dos redutores de velocidade e a necessidade de conscientização por parte dos motoristas. Posteriormente, é fundamental a atuação da engenharia de tráfego e da fiscalização.”
BR-116
De acordo com o chefe da Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Porto Alegre, José Antônio Quadros Nonnenmacher, responsável pelos municípios da Região Metropolitana, a mudança de comportamento dos motoristas é urgente.
Dados de 2025 apontam 204 colisões traseiras, 132 colisões laterais, 54 engavetamentos e 23 colisões frontais, totalizando 413 acidentes.
“A falta de distância segura, o uso de celular ao volante e o excesso de velocidade são fatores determinantes para as ocorrências nas rodovias. Enquanto não houver conscientização por parte dos motoristas, mesmo com melhorias na infraestrutura, os acidentes continuarão”, afirma Quadros.