“Eu não posso desafiá-los a caminhar e correr, mas tenho certeza que eles podem voar”. A declaração é do piloto, instrutor e técnico de voo da Associação Gaúcha de Voo Livre (AGVL), Flávio Pinheiro, que conduziu a ação social voltada à experiência do parapente para pessoas com deficiência física. O evento ocorreu na Escola Cia do Ar, em Sapiranga, com integrantes da Associação dos Lesados Medulares do Rio Grande do Sul (Leme) e Associação dos Deficientes Físicos (Adefi) de Novo Hamburgo.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
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Ao todo, seis pessoas participaram: dois amputados e quatro com lesão medular. De acordo com Pinheiro, uma atividade de voos duplos no Morro Ferrabraz, realizada pela entidade há alguns meses, foi o que motivou a oferecer uma aula demonstrativa. “É como se fosse a primeira aula de um curso de parapente. Então apresentamos os equipamentos, função de cada parte, falamos sobre a importância do conhecimento, os riscos que fazem parte da prática do nosso esporte e como controlá-los”, relata.
Depois da aula teórica, o grupo foi incentivado à participar dos exercícios práticos, com apoio de carrinho e instrutores. Alguns equipamentos usados no paratrike foram adaptados, para ampliação da segurança. “A ideia é que eles consigam inflar o parapente e controlar a velocidade e a direção. À que eles vão evoluindo nesses exercícios, com certeza alguns deles vão conseguir voar”, afirma.
Para Pinheiro, a atividade esportiva como forma de inclusão é de suma importância. “É um desafio para nós e para eles. A gente vai com todo controle de risco e todos os cuidados para que eles possam se divertir. Voar é um sonho e ensinar a voar também, então a gente consegue realizar os nossos e sonhos de outras pessoas”, ressalta.
A iniciativa integra o projeto da Equipe AGVL de Parapente VII, que tem financiamento do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, via Pró-Esporte RS LIE, e patrocínio da Família Geisse – Vinhedos de Terroir.
Experiência
Um dos participantes foi Adilson José Franck, de 44 anos, que aguardava pelo momento há longa data. “Eu moro perto do Morro Ferrabraz, então há muitos anos eu vejo a galera como uns passarinhos voando, e o Flávio nos convidou para fazer essa aula, eu topei de cara porque pensei ‘tenho que estar lá’. Penso que é bom demais”, conta.
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Antes da prática, Franck descreveu estar apreensivo com o pouso, mas depois de se aventurar no esporte, o sentimento foi outro. “É muito gostoso, bom demais, pretendo repetir muitas vezes”, diz.
Já João Paulo Camargo, 19, estreou no parapente à convite do Adilson, assim como em outros esportes. “A gente está sempre sendo motivado, então a gente busca fazer aquilo que a gente gosta. Experimentar e, se gostar, praticar também”, relata.
A atividade surpreendeu Camargo. “Foi muito bom, excelente, faria de novo. Um pouco de medo, mas é uma experiência inesquecível”, destaca.