abc+

PREVENÇÃO ÀS CHEIAS

Após 20 anos, Rio Caí recebe desassoreamento em São Sebastião do Caí

Serviço tem prazo de 90 a 120 dias, mas pode ser ampliado

Publicado em: 30/01/2026 às 17h:52 Última atualização: 30/01/2026 às 18h:53
Publicidade

O município de São Sebastião do Caí, historicamente afetado por inundações, recebeu um reforço à prevenção contra cheias. No último dia 19 começou, por meio do Programa Desassorear RS, o desassoreamento do Rio Caí, serviço de limpeza que há cerca de 20 anos não era realizado no local, e a licença prevê a retirada de até 20.000 m³ em um período de 90 a 120 dias, que pode ser estendido caso necessário.

Publicidade

Desassoreamento do Rio Caí, em São Sebastião do Caí | abc+



Desassoreamento do Rio Caí, em São Sebastião do Caí

Foto: Paola Altneter/GES-Especial

CONFIRA: Trem dos Vales vai voltar? Governo do Estado toma decisão importante sobre passeio que movimentou mais de R$ 16 milhões no RS

Em aproximadamente uma semana de trabalho, foram retirados em torno de 300 m³. Nos primeiros dias de serviço, restos de madeira e de construção estavam entre os materiais que mais saíram, além de pneus e da terra. A limpeza está ocorrendo em um trecho de cerca de 500 metros, que poderá ser ampliado. “É um trabalho que não resolve o problema das enchentes, a gente convive com elas, só que tudo que amenizar o problema para a gente é muito válido”, explica o prefeito do município, João Marcos Duarte Guará.

Com este e outros serviços realizados, a expectativa é que em casos de alagamentos, os impactos sejam de menores proporções. “Eu entendo que o ideal seria a gente poder contar com esta limpeza periódica, a gente faz isso, por exemplo, nos pequenos arroios e cursos d’água que tem dentro do município. Se der uma enchente a gente vai saber se amenizou ou não, então a gente espera que o resultado seja imediato”, declara. Os Arroios Coitinho e Quilombo já receberam o serviço.

A projeção, ressalta o Prefeito, é que o desassoreamento ajude em casos de enchentes convencionais, proporcionando mais vazão e fluidez, e a projeção para o futuro da cidade, menciona Guará, é o crescimento fora da zona de risco. “Enchentes corriqueiras e que a cidade está habituada não podem parar a cidade, o comércio e a indústria”, sustenta.

Publicidade

Coordenador da Defesa Civil Germano Bacedoni, vice-prefeito Mozar Hoff, prefeito João Marcos Duarte Guará e secretária de Planejamento, Meio Ambiente, Gestão de Projetos e Fomento Econômico Jenifer Senastiany. | abc+



Coordenador da Defesa Civil Germano Bacedoni, vice-prefeito Mozar Hoff, prefeito João Marcos Duarte Guará e secretária de Planejamento, Meio Ambiente, Gestão de Projetos e Fomento Econômico Jenifer Senastiany.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial

Outras ações

Entre as ações para prevenção contra às cheias está previsto o serviço de hidrojateamento com início nos próximos dias, de acordo com o Prefeito. O recurso recebido do Estado foi de R$ 2.803.131,93 com contrapartida do município de R$ 270.313,19, execução na área central da cidade e previsão de conclusão em dezembro deste ano.

No formato que o serviço será posto em prática, Guará informa que o município nunca recebeu. “Hidrojateamento foram feitos vários outros, mas talvez não em um projeto tão grande e amplo quanto este. Este talvez seja o maior projeto de limpeza de bocas de lobo e de tubos da história do nosso município”, ressalta. Ao todo, serão mais de 40 quilômetros de tubulação.

Publicidade

CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Outro ponto é a criação de galerias pluviais na RS-124, que interliga cidades como São Sebastião do Caí, Pareci Novo e Harmonia com Montenegro. “A gente só está aguardando o anúncio oficial no Governador, mas tudo indica que nos próximos dias isso vai acontecer”, relata.

Publicidade

Para Guará, é fundamental o estudo com dados, por exemplo, o que está sendo realizado pelo Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), com recursos do Governo Federal e destinação também para o Vale do Caí. O levantamento analisa a hidrografia e pesquisa a solução para a região.

“Isso sim eu digo que, aliado ao desassoreamento e às galerias, vai fazer com que se a solução seja a construção de diques em determinados pontos a gente possa resolver”, diz.

O que diz a comunidade

Para Maria Cristina Bueno da Silva, 54 anos, o serviço de desassoreamento representa a expectativa de um futuro mais seguro. “Vai amenizar, não precisar sair de casa e ter estes deslocamentos”, menciona. Ela relata que a rua que reside, a São Lourenço, é a primeira a ser afetada pelas cheias. “A gente sempre teve enchente aqui no Caí, mas não nesta proporção que teve, de subir até o telhado e tirar pessoas de helicóptero”, diz, relembrando a catástrofe de maio de 2024.

Publicidade

Para o empresário Alessandro da Cruz, 36, a ação representa esperança. “O medo maior da população era não desassorear, porque todas as casas desta região foram arrastadas e foram para o Rio, então em uma enchente que daria 13 metros de água poderia dar 16 de novo, porque o Rio estava entulhado. Acredito que vá amenizar para que as pequenas cheias não se tornem grandes”, explica. Porém, por ser uma região de Vales, Cruz ressalta que acredita que vá amenizar, mas não solucionar.

Publicidade