O Observatório Espacial Heller & Jung de Taquara completa oito an s em 2025 como referência quando o assunto é pesquisa. O local monitora meteoros, o clima e meio ambiente, além de ser um expoente tecnológico ao analisar com precisão o nível de rios e alertar para enchentes na região do Vale do Paranhana.

Foto: Observatório Heller &Jung
A sede do observatório fica no bairro Santa Rosa, em uma área mais alta da cidade que ainda engatinhava em seu processo de urbanização e era rodeada de poucas moradias. Na sequência, a estrutura foi adaptada ao local até que iniciou o funcionamento. Vizinhos surgiram no entorno, mas
o privilégio de um dos pontos mais altos do bairro seguiu com o criador Carlos Fernando Jung, hoje com 63 anos.
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“Comecei fotografando raios, sempre gostei disso. Depois passei para os vídeos. E até 2015 eu não tinha muito contato com o assunto meteoros. Mas conheci a Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon) e comecei a estudar sobre o assunto. Com isso, veio o interesse em me aprofundar mais sobre e começar a registrar. Podemos dizer que assim o observatório nasceu”, destaca Jung. “Acho que fui um dos primeiros no Brasil a usar sensor MOS para pegar meteoros com mais qualidade. Junto disso, a ideia foi criar um espaço que ajudasse nos estudos científicos através do monitoramento, registro e análise de meteoros.”
É preciso técnica para captar imagens
Jung precisa conciliar a rotina entre observatório e a vida acadêmica. Desde 2000 coordena o curso de Engenharia de Produção na Faccat, além de lecionar. Também é diretor da Bramon na região Sul e para que cada imagem e flagra de um meteoro saia conforme o previsto, é preciso mais que ciência: é necessário que a arte faça parte disso tudo. Ou seja, para que as imagens de raios e clarões no céu façam sentido, não é apenas seguir o fluxo do que as câmeras capturam.
“Uma imagem precisa ser bem captada para que faça sentido para o público. Por isso, em quedas grandes de meteoros usamos plano de linha do horizonte para dar ideia de proporção e tamanho do meteoro. Já quando falamos de temporais, precisamos considerar que os temporais que atingem o Paranhana geralmente vêm do sudoeste, oeste ou noroeste. Então, como tudo se desloca para o leste eu preciso ter as câmeras apontadas para sudoeste, oeste ou noroeste. Assim, não é só ciência ou estética, é facilitar e torná-los mais bonitos para o estudo”, pontua Jung.
Criado com recursos próprios, o observatório nasceu par incentivar a formação de cientistas desde a infância. “Em 2025, já palestrei para mais de 800 crianças. É plantar a semente.”

Foto: Jauri Belmonte/Especial
Monitoramento 100% do tempo
As câmeras de clima do observatório ficam 24 horas conectadas durante os sete dias da semana. A área de abrangência do sensor de raios do observatório, por exemplo, pega um raio de 40km. Ou seja, é capaz de capturar fenômenos que acontecem em cidades da Serra, Litoral Norte e região metropolitana. O monitoramento climático é um dos carros-chefe do Observatório Heller & Jung. São cinco estações meteorológicas instaladas em Taquara (uma no Centro e uma no bairro Santa Rosa), Igrejinha, Três Coroas e Parobé.
Além disso, são quatro pluviômetros (dois no interior de Taquara), um em Gramado, e um último instalado esta semana em Rolante. Eles servem para coletar e medir a quantidade de chuva que cai em um determinado local. Também há câmeras instaladas na cidade de Igrejinha, que monitoram o nível da água do Rio Paranhana. Jung também investe forte no monitoramento da qualidade do ar que, atualmente, é feito com quatro sensores distribuídos em Taquara, Igrejinha, Porto Alegre e Gramado. As câmeras destinadas ao registro de meteoros possuem uma cobertura de 100% dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Mas o funcionamento delas é entre o pôr do sol e o nascer do sol.
“São 20 câmeras que monitoram os meteoros e elas operam 12 horas, já que esses acontecimentos se dão na madrugada e as câmeras não podem funcionar de dia. E é bastante trabalhoso. Então, todos os dias, acordo antes das 5h da madrugada para analisar o que aconteceu. Pois faço a captação, edito, analiso profundamente e, depois, distribuo”.
Apenas em 2024, as câmeras do Observatóro Heller & Jung registraram e analisaram quase 8,7 mil meteoros.