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OPÇÕES

Atacados transformam paisagem nas rodovias do Vale do Sinos

Lojas de variedades, acessórios, roupas e utensílios podem ser encontradas na RS-240, BR-116 e RS-239

Atacados transformam paisagem nas rodovias do Vale do Sinos
Publicado em: 24/10/2025 às 06h:43
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O Vale do Sinos é uma região rodeada por diversas rodovias: BR-116 (a principal), RS-240 e RS-239. O número elevado de veículos que trafegam diariamente, aliado a população com mais de 1,3 milhão de habitantes, têm atraído cada vez mais a presença de atacados para o entorno das estradas.

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Alguns pontos são tradicionais, como o Atacado BSB que há 15 anos está localizado na Avenida Parobé (RS-240), em São Leopoldo. “Começamos como atacadistas batendo de porta em porta. Em 2010 viemos para a Scharlau e três anos depois para o atual endereço”, diz Paulo Lutz, 55 anos, que administra a loja de acessórios ao lado da esposa, Tatiana Martinho, 48.

Atacados de variedades em São Leopoldo  | abc+



Atacados de variedades em São Leopoldo

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial

Moradores de Novo Hamburgo, o casal sempre teve a preferência por vender para outros lojistas. Os produtos são adquiridos diretamente de importadores em São Paulo e Rio de Janeiro. “Vendemos pouco para CPF, quando a clientela não é CNPJ, acaba sendo de pequenos revendedores. Alguns se tornaram Micro Empreendedores Individuais (MEIs) com o tempo.”, explica Lutz.

Questionados sobre o crescimento do mercado, eles avaliam como algo normal. “Quando viemos para a Scharlau, eram poucos [atacadistas]. Não encaro a concorrência como algo ruim. Com mais atacados, mais clientes são atraídos para a região”, completa Tatiana.

Casal Paulo e Tatiana são proprietários de um atacado em São Leopoldo  | abc+



Casal Paulo e Tatiana são proprietários de um atacado em São Leopoldo

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial

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Dirigente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Tecnologia de São Leopoldo (Acist), Felipe Feldmann confirmou a tendência de comércios na região da Scharlau. “Se transformou em um centro de atacados. Especialmente na linha de bazar.”

Outros setores também instalaram lojas no entorno da RS-240. “São mais de 30 comércios, de roupa, bazar, cuias, enfeites”, completa Feldmann.

Às margens da BR-116, o Mix Atacadista é focado em utensílios para chimarrão. “Muitos lojistas compram conosco para revender em suas lojas”, detalha a supervisora de marketing Quézia Leão.

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Esse é o caso da comerciante Cíntia Vargas, 42 anos. “Tenho uma loja em Esteio, então compro aqui para revender. Os preços e a qualidade são o grande diferencial.”

“Shopees gaúchas” chamam a atenção

Outro movimento que chama a atenção de quem passa pela BR-116 são os atacados que se autodenominam como “Shopees gaúchas”, especialmente oferecendo produtos eletrônicos.

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Uma delas é o Atacado do Bill, que na fachada cita a plataforma de comércio de Singapura. “O preço aqui é o mesmo do site ou até mais barato. Temos também a facilidade do produto estar na prateleira, sem o risco de ser taxado e o consumidor pode levar para casa na hora”, afirma o proprietário, Clinton Ortiz, conhecido como Bill.

Clinton, também conhecido como Bill, é proprietário de um atacado em São Leopoldo  | abc+



Clinton, também conhecido como Bill, é proprietário de um atacado em São Leopoldo

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial

Morador de Eldorado do Sul, Bill inaugurou a loja no dia 21 de setembro, mas apenas para clientes convidados. “Recebemos lojistas de todo o Estado, principalmente do interior. Tivemos pessoas que vieram de Aceguá e Bagé, por exemplo.”

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A partir do dia 22, moradores de São Leopoldo, Novo Hamburgo e Canoas já puderam conferir as mercadorias. “Tenho uma loja no centro de Porto Alegre, que é referência, então sempre quis abrir uma unidade em São Leopoldo, por ter um polo maior de atacados. Além disso, clientes de Novo Hamburgo e Canoas também são alcançados com facilidade.”

O comerciante afirmou que chegou a procurar um ponto na RS-240 (Scharlau), no entanto, não encontrou um imóvel com tamanho adequado e estacionamento. No que se refere aos produtos, são comercializados por diferentes valores entre atacado e varejo.

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“Qualquer compra a partir dos R$ 200 conseguimos fazer no preço de atacado.”
Para o professor de economia da Universidade Feevale, José Moura, esse é um mercado com tendência de crescimento no Estado. “Algumas pessoas preferem comprar em lojas físicas, mesmo com a praticidade da internet.”

Moura explica que as compras virtuais podem causar insegurança em quem não está habituado. “O brasileiro quer ver para crer.”

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Nome é usado para atrair clientes

Apesar do crescimento, alguns negócios se utilizam do nome “Atacado” apenas por oferecer preços mais baixos, especialmente lojas de móveis. A reportagem circulou por São Leopoldo e Novo Hamburgo e, ao entrar no estabelecimento, foi informada de que os produtos não eram vendidos por atacado.

Questionados, vendedores que optaram por não se identificar, afirmaram que o motivo é o preço mais baixo em comparação com lojas tradicionais. “Compramos diretamente do fabricante, sem passar por intermediários”, afirmou um dos funcionários.

Segundo o professor da Feevale, o nome é utilizado como chamariz de clientes. “É uma analogia com o preço”, completa.

Mercado em Novo Hamburgo

Se em São Leopoldo o foco está nos bazares e acessórios, que até se assemelham às antigas lojas de R$ 1,99, em Novo Hamburgo os atacados são mais variados.

No bairro Canudos, Jaqueline Abreu e o marido resolveram empreender no ramo das embalagens. “Meu sogro já vendida embalagens em Campo Bom, mas em uma loja de bairro na casa dele. Então pensamos que um atacado poderia ser boa ideia”, salienta Jaqueline.

Jaqueline abriu um atacado de embalagens ao lado do marido | abc+



Jaqueline abriu um atacado de embalagens ao lado do marido

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial

Atuando no bairro desde março de 2024, o casal vende principalmente para restaurantes, padarias, confeitarias e lojas de conveniência. “A maioria dos nossos clientes são empresas, vendemos pouco para o consumidor final.”

Com mais de um ano de experiência, a clientela segue sendo ampliada. “O mercado está funcionando bem. Nossos clientes falam sobre a necessidade de ter uma loja assim. Também notamos o crescimento pela demanda de produtos.”

Para o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL-NH), Jorge Stoffel, o mercado de atacados desempenha um papel estratégico na acidade, especialmente nos setores de bazar, calçados e móveis. “Ele oferece variedade, preço competitivo e abastece muitos pequenos lojistas da região, fortalecendo o comércio local. Nos últimos anos, o segmento tem se adaptado às mudanças do mercado e ampliado seu alcance”, completa.

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