Nos últimos anos, houve um aumento de praticantes de modalidades esportivas de longa distância. Somente em 2025, de acordo com um estudo da Olympikus, marca de calçados esportivos, 2 milhões de novos atletas de rua começaram a participar de corridas pelo Brasil, totalizando 15 milhões de pessoas. No caso do ciclismo, sete em cada dez brasileiros pedalam, seja para treinar, competir ou se deslocar para o trabalho ou estudos, segundo a empresa Descarbonize.

Foto: Ruan Nascimento/Especial
Neste cenário, as rodovias costumam ser local de treino para quem corre ou pedala distâncias maiores. Na região, o acidente em 21 de fevereiro, quando três ciclistas morreram atropelados em Três Coroas, em acidente causado por um motorista embriagado, ampliou a precaução entre os atletas. É o caso da psicóloga Síntia Ávila, moradora de Parobé, que faz provas de corrida, ciclismo e, recentemente, iniciou a natação para se tornar triatleta. Ela faz a prática de esportes diariamente, e afirma que toma cuidados para que não corra riscos nas estradas.
Precauções
“Hoje em dia, eu tenho buscado fazer os percursos em grupo, e tenho preferência por treinamento durante o dia. Se isso não for possível, uso roupas claras, e não tenho pressa. Se precisar reduzir ou parar, eu paro e continuo quando for possível”, explica.
O gerente de projetos Toni Lemos, que mora em Taquara, também faz uso de vestimentas coloridas para ampliar a visibilidade. Além disso, ele tem cuidados quanto aos horários de treinamentos. “Evito treinar em horários de pico, então faço as minhas atividades bem mais cedo ou mais tarde. Tenho evitado a RS-115 e a RS-239 aos finais de semana à tarde, devido ao risco elevado. Além disso, presto muito mais atenção em curvas, rótulas e trechos de pontes”, afirma.
O treinamento à luz natural também é uma dica recomendada pelo tenente Fábio Alexandre Pedroso, comandante do Pelotão Rodoviário de Sapiranga, que atende as rodovias RS-239 e RS-115, que conectam os vales do Paranhana e Sinos. “Algo que dá resultado é usar itens reflexivos, como roupas, capacetes ou arnês. Outra opção é sempre andar do lado direito da via, no mesmo sentido dos veículos, e sempre em fila indiana”, comenta.
Comandante destaca outros focos de atenção
Pedroso conta que na RS-239 e na RS-115 não há pontos específicos de maior atenção para pedestres, atletas e ciclistas, mas que os locais de maior incidência são em curvas, retornos e acessos. “Esses são os pontos mais vulneráveis e onde o ciclista ou pedestre deve ter uma atenção redobrada sempre”, completa.
Segundo dados do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), apresentados pelo comandante Pedroso, a maior parte dos acidentes na região ocorre entre 6 e 9 horas da manhã, ou ao final da tarde, entre 17 e 19 horas. “O nascer e o pôr do sol causam um contraste de luz perigoso, que muitas vezes deixa o condutor ou ciclista praticamente sem visão. Nesses horários também há a coincidência de serem os momentos de ida ou retorno do trabalho, e podem ocorrer excessos devido ao atraso ou pressa de chegar em casa”, analisa.
Responsabilidades no trânsito
Mesmo que o foco dos atletas esteja na autoproteção, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que a responsabilidade pela segurança de pedestres e veículos não motorizados é dos condutores de veículos maiores.
Por isso, manter a distância lateral de 1,5 metro é um dever nas estradas. A vendedora Giovana Kuhn, de Taquara, é corredora de provas de longa distância. E, para ela, o desafio maior é o de ter seu espaço respeitado durante a prática das atividades. “Tanto dentro da cidade quanto nas rodovias, já sofri
assédio e desrespeito por parte de motoristas. Isso é complicado, pois é uma dificuldade que algumas
pessoas têm em compartilhar espaço com outras”, conta.
Melhorias
Síntia completa que o poder público pode ser mais parceiro para garantir a segurança sem atrapalhar o trânsito. “A prática de esportes é muito importante para a saúde física e mental. O ideal seria ter um mapeamento oficial de percursos seguros, iluminados e monitorados, com ampla divulgação”, comenta.
Toni aponta que, embora tenha havido melhora nas condições das rodovias, a falta de sinalizações ainda se torna um fator de riscos. “A ausência de acostamentos largos é prejudicial à segurança de ciclistas e corredores”, aponta.
Como dicas de segurança nas rodovias, Pedroso lembra que, ao primeiro sinal de cansaço, o atleta deve se afastar da rodovia, procurando por locais seguros para descansar. “É importante que essa pessoa confira as condições de seus itens pessoais, como a bicicleta, calçados e equipamentos de proteção individuais. E além disso, atenção redobrada sempre e concentração máxima”, finaliza.