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Boa Esperança: terra da uva e dos vinhos artesanais em Rolante

Vinícolas familiares contribuem para desenvolver o turismo na região

Publicado em: 05/02/2026 às 09h:58 Última atualização: 05/02/2026 às 09h:58
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Entre morros e montanhas, no interior de Rolante existe uma região rica em paisagens naturais e responsável por incentivar o turismo no município e no Vale do Paranhana. Trata-se da Boa Esperança, uma localidade distante 20 quilômetros do Centro da cidade e responsável pelo principal roteiro turístico do município.

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Colheita da uva na região começou no final de janeiro: safra é de boa qualidade | abc+



Colheita da uva na região começou no final de janeiro: safra é de boa qualidade

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Há pouco mais de 100 anos, a região da Boa Esperança passou a ser habitada por imigrantes italianos ou descendentes, que viram naquele lugar a oportunidade de encontrar o seu sustento através da agricultura. A geografia da localidade, de maior altitude em relação ao Centro de Rolante, também virou um fator determinante para a produção de uvas, e, consequentemente, de vinhos e espumantes.

Com o passar das gerações desenvolvendo a localidade, hoje a Boa Esperança se transformou em um polo turístico de Rolante, principalmente pelas dez vinícolas familiares, que mantêm sua produção artesanal e comercializam seus produtos na localidade e também nos municípios da região. Uma delas pertence à família Dallarosa, como conta a proprietária Sandra Dallarosa. “Nossa família tem registros de escritura por aqui desde 1914, quando o avô do meu esposo veio de Galópolis, no interior de Caxias do Sul, para se estabelecer na Boa Esperança. E na década de 1920, há os livros-caixa de vendas de vinhos. Com o passar de mais de cem anos, muita coisa mudou na estrutura, mas permanecemos aqui, com uma produção artesanal”, salienta.

De acordo com o presidente da Associação Caminho das Pipas (Acapi), Roberto Montemezzo, cerca de 400 mil litros de vinho são produzidos anualmente pelas famílias da região da Boa Esperança. “Temos o diferencial de que todas as vinícolas atendem aos turistas diariamente, principalmente nos finais de semana. Cada família possui suas especificidades, com o atendimento acolhedor sendo um importante diferencial. E mais, é o próprio fabricante do vinho que colhe a uva e recebe os visitantes”, afirma. Em média, a Boa Esperança recebe 50 mil pessoas por ano, sendo os meses de verão o período de maior visitação, na época da colheita da safra da uva.

Cooperação entre as vinícolas

Montemezzo, que também é proprietário da Vinícola Montemezzo, lembra que a Acapi surgiu em 2021 justamente para ampliar o fomento ao turismo e propor melhorias para a Boa Esperança. “Como associação, estamos sempre em busca de demandar pautas que contribuam com o desenvolvimento das vinícolas e demais propriedades. Somos uma entidade unida para fortalecer o turismo local”, salienta.

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Quanto aos trabalhos da entidade, Sandra Dallarosa comenta que a parceria com a associação formalizou o trabalho de muitos anos de cooperação entre as famílias produtoras de vinhos e espumantes. “Se trabalhássemos sozinhos, seria muito mais difícil ter conquistas para as nossas empresas e para a comunidade. Cada família tem o seu próprio estilo de produção, e suas próprias especificidades na comercialização também. Então vamos nos ajudando uns aos outros. É muito comum indicarmos outras vinícolas para que os turistas visitem, assim como também recebemos a indicação para que mais pessoas venham até aqui”, conta.

É tempo de colheita

Desde o fim de janeiro, as vinícolas da Boa Esperança estão em fase de colheita da uva. Roberto Montemezzo afirma que o clima contribuiu para uma excelente safra neste ano. “Felizmente, em 2025, choveu na medida certa, assim como fez sol de uma forma que não prejudicou a plantação. Já houve anos em que tivemos mais problemas com chuvas acima ou abaixo da média, mas não foi o caso desta vez. Teremos uma produção de qualidade”, comenta.

Sandra complementa que, em seu parreiral, a uva está bem doce. Ela está animada com a qualidade do vinho que vai ser produzido em 2026. “A gente acredita que vai ser uma safra de excelência. O que esperamos é que, esse ano, os vinhos venham com um sabor bem especial. Felizmente, o clima foi muito generoso com a gente neste ciclo”, frisa. Ainda sobre a colheita, Martinho Dallarosa, também proprietário da Vinícola Dallarosa, ressalta que o trabalho é constante e que precisa de muita habilidade. “Estamos bem felizes com a qualidade das nossas uvas, resultado de um ano inteiro para o plantio e semeadura do fruto. Nosso trabalho de colheita não para, pois temos muito vinho para produzir nos próximos meses”, comenta.

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Região deverá receber obra de asfaltamento

A estrada da Boa Esperança é asfaltada apenas na localidade, em um trecho de poucos quilômetros. No entanto, o caminho do Centro de Rolante até a região turística é totalmente sem pavimentação, com trechos estreitos e de curvas íngremes, principalmente na subida aos morros.

Apesar da situação atual, as expectativas futuras são para uma grande obra de asfaltamento que será feita na estrada que liga as localidades de Areia e Boa Esperança. No final de 2025, Rolante foi contemplada com um projeto do governo do Estado, que repassou R$ 15 milhões para a realização dos trabalhos. O prefeito Alceu Trevizani afirma que a execução do projeto é fundamental para garantir o desenvolvimento turístico da região. “Foi um grande trabalho que fizemos, contando com o apoio da comunidade. A Boa Esperança é uma localidade importante do município, com muitas vinícolas, e rica em belezas naturais. Ganha a comunidade e ganha o turismo de nossa cidade com esta obra”, ressalta.

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Segundo o prefeito, a expectativa é iniciar com a licitação para os trabalhos ainda nos primeiros meses de 2026, com o tempo estimado para a execução das obras de um ano e meio. Para Sandra Dallarosa, a melhoria na estrada será fundamental para ampliar o desenvolvimento turístico da Boa Esperança. “Nós já perdemos muitas vendas ao longo desses anos porque o caminhão não conseguia subir para buscar a carga, ou então quando o turista ligava perguntando como estava a condição da estrada e nós tínhamos que dizer que tinha barro. Então é algo que vai mudar nossa vida da água para o vinho”, ressalta.

Mais opções de turismo

Com o fortalecimento das vinícolas, a Boa Esperança também se desenvolveu com outros estabelecimentos comerciais. Hoje, há um mercado, restaurantes, e casas para alugar por temporada. Uma delas é de propriedade dos pais de Diezes Dallarosa, que viram a oportunidade de investir em sua residência para atrair os turistas, principalmente pela moradia estar próxima da Cascata das Três Quedas. “A maioria das pessoas que nos visita vem da região metropolitana, mas já tivemos até pessoas de outros países e, inclusive, um casamento. A conexão com a natureza também é um diferencial, e fazemos com todo o cuidado com a natureza para garantir que mais hóspedes venham até aqui”, conta. Já o proprietário Clademir Dallarozza lembra que foi um dos primeiros a disponibilizar uma casa para aluguel temporário, e ressalta o fortalecimento da região neste setor. “Agora é um lugar com muita procura pelos turistas, e movimenta os restaurantes e vinícolas.”

Como opção gastronômica, um dos restaurantes à disposição na Boa Esperança é de propriedade de Alessandra Staudt, que ressalta a relevância da diversidade econômica da região. “Nosso grande diferencial, que eu acredito que seja o de toda a nossa comunidade, é o carinho, a atenção e o acolhimento de cada turista, cada cliente que se torna amigo!”

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Diariamente, turistas de Rolante e de outros municípios visitam a Boa Esperança, seja para visitar as vinícolas, seja para se hospedar, ou conhecer a região como um todo. É o caso da aposentada Sílvia Baron, que frequenta a localidade sempre que é possível. “É o ponto que mais se destaca no município, e teve um turismo ampliado. As pessoas gostam de vir aqui, de apreciar a natureza, as cachoeiras. Há muita coisa boa”, detalha Sílvia, acompanhada das amigas Cita Bonalumi e Maria Luiza Lindohl.

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