O 1º pelotão do projeto Bombeiros Mirins, de Canela, está prestes a se formar, com uma bagagem repleta de ações sociais, união e resiliência. Desde abril, 16 jovens, entre 10 e 12 anos, vivem a experiência de um treinamento militar. Contudo, acima de tudo, com o propósito de se tornarem cidadãos.
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Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Na cidade, a iniciativa é desenvolvida pela 2ª sargento Jéssika Assmann e pela soldado Caroline Wegner. Mesmo sem uma sede adequada, elas encararam o desafio e buscaram, ao longo de todo ano, uma série de parcerias para fazer com que o projeto – que é 100% gratuito aos pequenos – fosse colocado em prática.
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Para isso, foi preciso garantir o comprometimento de todos os envolvidos. Jéssika reforça que as famílias também foram ativas durante o período. “A gente precisa fazer as crianças entenderem os pilares que a gente acredita: respeito, família e individualidade. Mostramos que eles não devem se comparar, devem se respeitar pelas suas particularidades, porque os defeitos a gente lapida e as qualidades a gente engrandece”, cita.
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Um dos pontos altos do ano para a garotada foi a participação na olimpíada dos bombeiros mirins, realizada em São Marcos, em setembro. Entre os 300 inscritos, Canela venceu em praticamente todas as categorias, incluindo o circuito final.

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O grupo foi se unindo a cada missão e carregando o espírito comunitário, primeiramente entre eles. Por exemplo, há participantes com doenças crônicas e transtorno do espectro autista (TEA) que são incentivados pelos colegas para que superem as adversidades.
E pensando nisso, Jéssika e Caroline foram propondo ações mês a mês. As crianças já confeccionaram coletores de tampinhas plásticas em prol do Oásis Santa Ângela, plantaram árvores, criaram hortas caseiras, venderam pizzas e auxiliaram na logística em eventos, como em um dia de coleta de sangue em que 65 bolsas foram doadas – que podem salvar mais de 250 vidas.
No mês passado, acamparam em uma área no interior de Canela, marchando por 7 quilômetros até chegar ao destino. Na ocasião, pescaram, prepararam a própria comida e enfrentaram desafios que colocaram à prova a coragem, união e superação.
Em prol do Novembro Azul

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Com a chegada do mês de conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata, o Novembro Azul, os bombeiros mirins estão organizando a 1ª corrida de carrinho de rolimã de Canela.
O evento será, no domingo, dia 9, das 9 às 17 horas, na Rua Sete de Setembro, no Centro. Com a expectativa de receber 200 pessoas, o intuito é criar uma conexão entre as crianças e as figuras masculinas, construindo esse elo com o Novembro Azul.
Por isso, os bombeiros mirins de Canela confeccionaram os carrinhos que serão utilizados na corrida junto com os familiares. Só que a solidariedade não poderia ficar de fora. Além de seus veículos, o grupo se juntou e construiu mais unidades para que ninguém deixe de participar.
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Ao longo desta semana, as crianças pintaram os carrinhos que serão disponibilizados no dia. “A gente notou que tinham crianças interessadas em participar, mas que não têm essa figura masculina para ajudar e nem dinheiro para comprar um pronto. Ninguém vai ficar de fora”, pondera a sargento.
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São seis categorias competitivas, incluindo as de velocidade e personalização. As inscrições podem ser realizadas pelo site equipematooumorro.com.br e custam R$ 30 + 1 quilo de ração. Entretanto, no domingo, também haverá horários para quem só quer brincar. Um espaço com food truck será montado para as famílias participantes.
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Jéssika nasceu e se criou no bairro Canelinha, em Canela, e fala sobre o sentimento de pertencimento à comunidade que carrega consigo e que quer transmitir às crianças. “Queremos resgatar o simples, a essência e as brincadeiras de infância desses pais”, salienta.
Pais unidos para não deixar ninguém de fora

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A academia de Jair Maciel Assmann, pai de Jair Maciel Assmann Jr., foi o ponto de encontro para a confecção de carrinhos que serão utilizados por crianças que não possuem condições de criar seus próprios veículos para o evento. No final de semana, uma linha de produção foi montada para o corte das madeiras, encaixe das peças e testes.
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Jair conta que mais de dez carrinhos foram montados a mais para oportunizar que todos participem das atividades. “Sabemos que terão crianças da Casa Lar e do Centro Social Padre Franco que estarão lá e não queremos que ninguém fique de fora”, detalha.
O educador físico destaca que tem na memória o momento que construiu um carrinho – que guarda até hoje – junto com o avô. Por isso, quer que o filho também possa viver essa experiência. “É uma alegria poder fazer isso com ele também”, pondera.
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Conforme Jair, o filho se transformou ao participar do projeto, tendo ainda mais autonomia. “Mas acho que o principal foi ele deixar o celular e a Internet de lado. Ele e a turma estão sempre buscando algo para fazer, realizam as ações sociais e isso é muito importante para ele como pessoa”, acrescenta.
Incentivo aos jovens

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Iasmin Brando, de 12 anos, é uma das participantes. Com uma veia artística bastante presente, gosta de teatro, canto e balé. A jovem salienta que a avó sempre admirou o trabalho dos bombeiros militares e, por isso, a incentivou a se inscrever.
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Para a menina, uma das ações mais realizadoras foi a ajuda à Casa Lar, auxiliando em um evento que tinha o intuito de arrecadar recursos para a reconstrução do abrigo. “Eu sempre tive vontade de ser atriz, só que eu acho que quero mesmo é ser capitã dos Bombeiros”, acentua, ao mencionar que, entre os aprendizados do projeto, estão o de respeitar o próximo e saber conviver com todos.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Gabriel Gotopo, de 10 anos, é venezuelano e está no Brasil há três anos. O morador de Canela cita que o pai o incentivou a participar. “Agora, eu sei apagar um incêndio”, diz orgulhoso, destacando que está animado para o evento de domingo. “Não sei se vamos ganhar, mas a gente vai tentar”, frisa.