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Adoção

Cachorro que permaneceu ao lado de mulher morta após atropelamento na ERS-240 ganha um novo lar

Grandão, que emocionou ao não abandonar Daiane Denise de Mello após o acidente fatal, foi adotado por uma moradora de Estância Velha

Dário Gonçalves
Publicado em: 03/07/2026 às 15h:58 Última atualização: 03/07/2026 às 15h:58
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A história de fidelidade que comoveu moradores de Portão e região e repercutiu nas redes sociais teve um novo capítulo nesta sexta-feira (3). Grandão, o cachorro que permaneceu ao lado do corpo de Daiane Denise de Mello, de 43 anos, após o atropelamento na ERS-240, ganhou um novo lar. O animal foi entregue à costureira Maria Helena, de 62 anos, moradora de Estância Velha, que decidiu adotá-lo depois de acompanhar a história.

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Após anos na rua, Grandão ganha uma família e um lar para chamar de seu | abc+



Após anos na rua, Grandão ganha uma família e um lar para chamar de seu

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Maria conta que a decisão surgiu logo após assistir às primeiras notícias sobre a tragédia. A cena do cachorro ao lado da mulher que costumava cuidar dele a sensibilizou imediatamente. “Fiquei muito triste com a perda daquela moça. Quando vi o cachorro ali do lado dela e li os comentários, pensei: ‘Meu Deus, as pessoas não vão querer pegar esse cachorro. Sabe Deus para onde ele vai’. Então decidi que, se ninguém ficasse com ele, eu ficaria”, relata.

A espera pela chegada de Grandão tornou a manhã de sexta-feira diferente. Antes mesmo da entrega, Maria Helena dizia estar ansiosa para recebê-lo. “Estou esperando ele desde cedo. Passei a manhã toda ansiosa pela chegada dele”, contou.

Mais do que oferecer um lar ao cão, ela espera que a história desperte a empatia de outras pessoas. “É bom para as pessoas se conscientizarem e também se sensibilizarem para cuidar dos animais. Eu fiz isso por ele. Não é por mim, é por ele. Se isso ajudar outras pessoas a abrirem o coração e serem mais generosas com os bichos, já valeu a pena.”

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Cena emocionou moradores

Grandão era um cão comunitário da Rua Imbuia, no bairro São Jorge, em Portão, mas tinha em Daiane sua principal cuidadora. Segundo familiares, era ela quem o alimentava diariamente, o acolhia dentro de casa nos dias de chuva e o levava para passear. O cachorro costumava acompanhá-la por onde ela fosse.

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Grandão permaneceu próximo ao corpo durante todo o tempo | abc+



Grandão permaneceu próximo ao corpo durante todo o tempo

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Na manhã de quinta-feira (2), enquanto caminhava ao lado de Daiane pela ERS-240, Grandão presenciou o atropelamento que matou a mulher. Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que o cão atravessa a rodovia, retorna e permanece ao lado da tutora durante todo o atendimento, uma cena que repercutiu e emocionou moradores da região.

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Após o acidente, o animal foi recolhido pela União Protetora dos Animais de Portão (UPAP) e encaminhado aos cuidados do município até que se encontrasse uma nova família.

Do resgate à adoção

Foi a voluntária da UPAP, Ledir Vargas, quem atendeu o chamado na manhã do atropelamento. Ao chegar ao local, encontrou Grandão exatamente como haviam informado: ao lado do corpo de Daiane. “Recebemos um pedido de resgate informando que a tutora dele havia sido atropelada e o cão permanecia ao lado dela. Quando chegamos, realmente ele estava lá”, relata.

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Segundo Ledir, embora Grandão tenha vivido nas ruas por cerca de cinco anos, Daiane havia criado um forte vínculo com o animal. “Ela adotou ele na rua. Cuidava, alimentava e colocava para dentro do pátio nos dias de chuva. Ele caminhava pela cidade, mas sempre voltava para a casa dela.”

Após o resgate, Grandão foi levado ao canil municipal de Portão, administrado pela UPAP. Ainda na mesma manhã, enquanto a história repercutia, surgiu o interesse de Maria Helena em adotá-lo. “Entramos em contato com ela e hoje estamos fazendo a entrega. Agora ele vai ter uma nova vida, uma oportunidade de ser feliz e de sair das ruas, longe do perigo. Isso deixa a gente muito feliz.”



A história de Grandão também alerta para o fato de que muitos outros animais ainda aguardam uma oportunidade de adoção. Atualmente, o canil municipal abriga cerca de 220 cães resgatados de situações de abandono, atropelamentos e maus-tratos, à espera de um novo lar.

Cachorro que permaneceu ao lado de mulher morta após atropelamento na RS-240 ganha um novo lar
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