A história de fidelidade que comoveu moradores de Portão e região e repercutiu nas redes sociais teve um novo capítulo nesta sexta-feira (3). Grandão, o cachorro que permaneceu ao lado do corpo de Daiane Denise de Mello, de 43 anos, após o atropelamento na ERS-240, ganhou um novo lar. O animal foi entregue à costureira Maria Helena, de 62 anos, moradora de Estância Velha, que decidiu adotá-lo depois de acompanhar a história.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Maria conta que a decisão surgiu logo após assistir às primeiras notícias sobre a tragédia. A cena do cachorro ao lado da mulher que costumava cuidar dele a sensibilizou imediatamente. “Fiquei muito triste com a perda daquela moça. Quando vi o cachorro ali do lado dela e li os comentários, pensei: ‘Meu Deus, as pessoas não vão querer pegar esse cachorro. Sabe Deus para onde ele vai’. Então decidi que, se ninguém ficasse com ele, eu ficaria”, relata.
A espera pela chegada de Grandão tornou a manhã de sexta-feira diferente. Antes mesmo da entrega, Maria Helena dizia estar ansiosa para recebê-lo. “Estou esperando ele desde cedo. Passei a manhã toda ansiosa pela chegada dele”, contou.
Mais do que oferecer um lar ao cão, ela espera que a história desperte a empatia de outras pessoas. “É bom para as pessoas se conscientizarem e também se sensibilizarem para cuidar dos animais. Eu fiz isso por ele. Não é por mim, é por ele. Se isso ajudar outras pessoas a abrirem o coração e serem mais generosas com os bichos, já valeu a pena.”
Cena emocionou moradores
Grandão era um cão comunitário da Rua Imbuia, no bairro São Jorge, em Portão, mas tinha em Daiane sua principal cuidadora. Segundo familiares, era ela quem o alimentava diariamente, o acolhia dentro de casa nos dias de chuva e o levava para passear. O cachorro costumava acompanhá-la por onde ela fosse.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Na manhã de quinta-feira (2), enquanto caminhava ao lado de Daiane pela ERS-240, Grandão presenciou o atropelamento que matou a mulher. Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que o cão atravessa a rodovia, retorna e permanece ao lado da tutora durante todo o atendimento, uma cena que repercutiu e emocionou moradores da região.
Após o acidente, o animal foi recolhido pela União Protetora dos Animais de Portão (UPAP) e encaminhado aos cuidados do município até que se encontrasse uma nova família.
Do resgate à adoção
Foi a voluntária da UPAP, Ledir Vargas, quem atendeu o chamado na manhã do atropelamento. Ao chegar ao local, encontrou Grandão exatamente como haviam informado: ao lado do corpo de Daiane. “Recebemos um pedido de resgate informando que a tutora dele havia sido atropelada e o cão permanecia ao lado dela. Quando chegamos, realmente ele estava lá”, relata.
Segundo Ledir, embora Grandão tenha vivido nas ruas por cerca de cinco anos, Daiane havia criado um forte vínculo com o animal. “Ela adotou ele na rua. Cuidava, alimentava e colocava para dentro do pátio nos dias de chuva. Ele caminhava pela cidade, mas sempre voltava para a casa dela.”
Após o resgate, Grandão foi levado ao canil municipal de Portão, administrado pela UPAP. Ainda na mesma manhã, enquanto a história repercutia, surgiu o interesse de Maria Helena em adotá-lo. “Entramos em contato com ela e hoje estamos fazendo a entrega. Agora ele vai ter uma nova vida, uma oportunidade de ser feliz e de sair das ruas, longe do perigo. Isso deixa a gente muito feliz.”
A história de Grandão também alerta para o fato de que muitos outros animais ainda aguardam uma oportunidade de adoção. Atualmente, o canil municipal abriga cerca de 220 cães resgatados de situações de abandono, atropelamentos e maus-tratos, à espera de um novo lar.