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Turismo Rural

Caminhante de Ivoti é o primeiro da região a concluir o Circuito da Rota Romântica

Rodrigo dos Santos percorre os 156 km em nove dias, em uma jornada individual, mas cheia de encontros e descobertas

Dário Gonçalves
Publicado em: 15/07/2025 às 13h:22 Última atualização: 15/07/2025 às 15h:17
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O modelista 3D Rodrigo dos Santos, de 40 anos, morador da colônia japonesa de Ivoti, se tornou o primeiro morador da região a concluir o Circuito de Caminhadas da Rota Romântica. A jornada, iniciada no dia 5 de julho e concluída no dia 12, procurou respeitar os dias sugeridos pela organização – nove dias, mas Rodrigo fez em oito.

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Rodrigo Santos aceitou o desafio de caminhar 156 km entre paisagens rurais | abc+



Rodrigo Santos aceitou o desafio de caminhar 156 km entre paisagens rurais

Foto: Arquivo Pessoal

Apesar de caminhar sozinho, Rodrigo afirma que a experiência está longe de ser solitária. “Eu gosto de fazer isso sozinho, para oxigenar as ideias, a cabeça, mas ao mesmo tempo tento fazer com que essas jornadas não sejam solitárias. Vou conversando com moradores, ouvindo suas histórias. Já recebi café com bolo. Só vir caminhar e carimbar o passaporte não é o que eu busco.”

“Parece que eu estou em outro planeta”

A rota de 156 km foi percorrida seguindo a ordem Ivoti, Dois Irmãos, Morro Reuter, Santa Maria do Herval, Nova Petrópolis, Picada Café, Linha Nova, Presidente Lucena e retorno a Ivoti. “Em determinado momento, olhei no Google Maps e estava há apenas 36 km de casa. Mas parecia que eu estava em outro planeta. Paisagens sensacionais, uma história riquíssima, principalmente com as moradias que tem aqui na região. Casas antigas, casas enxaimel, muita casa colonial. O povo da serra é incrível, acolhe muito bem”, afirma.

Ultramaratonista e habituado a desafios físicos, Rodrigo vem do mundo da corrida, mas essa é a primeira caminhada longa que realiza, com mochila pesada. Há quatro anos, decidiu que pelo menos uma vez ao ano faria uma incursão de “auto-turismo”. “Eu preciso disso para respirar, pensar, planejar a vida. Em dezembro do ano passado fiz um pedal até o Chuí, cerca de 600 quilômetros. Agora, nas férias do meio do ano, resolvi fazer esse circuito.”



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Planejamento e estrutura ao longo do caminho

O projeto foi descoberto por ele pouco antes da inauguração oficial, em junho. A partir daí, Rodrigo entrou em contato com a Rota Romântica, estudou o material e organizou a viagem com base no guia oficial e em aplicativos de apoio. “Tô seguindo um material fornecido pela Rota, um livreto da caminhada com a descrição dos trechos, distância, hospedagem, altimetria… Mas o trajeto é muito bem sinalizado, com placas e marcações nos postes. Foi muito tranquilo de fazer”, conta.

Além da estrutura, o trajeto e, principalmente, o acolhimento dos moradores do interior também recebem elogios. “Eu parava para conversar com moradores, ouvir suas histórias e tentar entender como eles vivem. Ganhei café com bolo numa casa que passei. A semana ajudou também. Tava chovendo e com frio nos dias anteriores, e quando eu fiz, não tinha uma nuvem no céu. O pessoal falou que na região dos Sinos o tempo estava fechado, mas na rota estava incrível.”

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As pousadas ao longo do caminho, segundo ele, estão se adaptando ao perfil dos caminhantes. “É um público diferente, que já chega cansado e não aproveita tudo o que a pousada oferece. Os valores já são mais amigáveis por isso”, cita.

Um interior ainda pouco explorado

A experiência também o fez refletir sobre o turismo na Serra. “A parte comercial da Serra Gaúcha é muito linda, e até mais fácil de visitar. Mas o interior é muito rico em experiência, em paisagens. Podem ser melhor explorados, temos belezas que não existem nos centros urbanos.”

 

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Para a presidente da Associação Rota Romântica, Terezinha Marina Kuhn Haas, o trajeto está cumprindo seu papel. “Ao idealizarmos o Circuito de Caminhadas, tínhamos sim essa ideia de explorar novos lugares. O eixo formado pelas nossas principais rodovias já é bastante conhecido e as caminhadas têm o potencial de levar os visitantes para o interior. Mas o nosso interior é tão rico em belezas, cultura e atratividades, que até nós estamos nos surpreendendo com tudo o que está sendo desvendado a partir do Circuito.”

Rodrigo afirma que o percurso está sendo transformador. “Costumo sair para correr para resolver meus problemas, mas uma caminhada dessas faz milagres. Vir pra cá e não saber que horas vou terminar é algo que transforma”, conclui.

Peregrino de Garibaldi foi o primeiro a concluir o circuito

José Locatelli, de 67 anos, morador de Garibaldi, foi o primeiro a concluir os 156 quilômetros do Circuito de Caminhadas da Rota Romântica. Ele esteve presente na inauguração oficial, no dia 17 de junho, em Picada Café, e deu início ao trajeto no sábado seguinte, dia 21, completando o percurso em apenas cinco dias.

Habituado a longas caminhadas, Locatelli conta que não costuma reservar hospedagens nem seguir exatamente o que é sugerido. “Eu sempre vou além. Onde era para ser um dia, eu caminhava como se fossem dois. Eu já fiz outros caminhos, como o Caminho dos Capitais, de 330 km, que era para fazer em 15 dias, e fiz em 10. Sempre vou além”, relatou.

 

A decisão de percorrer o novo circuito da Rota Romântica veio por acaso, após sua namorada ver uma postagem sobre o lançamento. “Ela viu, se interessou, e aí eu fui atrás. Quando voltei para Garibaldi, soube que ia ser inaugurado na terça-feira. Botei a mochila no carro e me mandei”, conta.

“Fiz o caminho completo, sem marcar nenhuma pousada. Foi tudo tranquilo. O trajeto é bem sinalizado, muito lindo, e as pessoas me receberam com amor e carinho. Fui valorizado pelos organizadores, fui bem gratificado. Para mim, é só alegria. Gratidão é uma coisa que me faz bem e fortifica a pessoa”, conclui.

Caminhante de Ivoti é o primeiro da região a concluir o Circuito da Rota Romântica
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