O primeiro semestre de 2025 registrou um saldo positivo de 12.383 vagas com carteira assinada nas regiões dos Vales do Sinos, Caí, Paranhana, Encosta da Serra e Litoral Norte, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. Foram 153,7 mil contratações e 141,3 mil desligamentos no período.

Foto: Agência Brasil
O resultado foi impulsionado principalmente por Canoas (3.359), São Leopoldo (1.971) e Novo Hamburgo (1.368), maiores municípios da área e que, juntos, responderam por mais da metade do saldo regional.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Canoas atribui o resultado à recuperação econômica após a enchente de 2024 e a políticas públicas voltadas ao fomento do emprego e ao empreendedorismo. Entre janeiro e junho, foram abertos 6.288 novos CNPJs na cidade, sendo 75% no setor de serviços, 18,3% no comércio e 6,7% na indústria.
A pasta também destaca iniciativas como o programa Caravanas de Empregos, que realizou 20 edições no semestre, levando vagas diretamente a bairros de todas as regiões e aproximando empresas e candidatos. Ao todo, 345 empresas participaram, com mais de 9 mil atendimentos e 13,4 mil oportunidades divulgadas. Segundo a prefeitura, ações de qualificação profissional, intermediação de mão de obra e desburocratização na abertura de empresas têm fortalecido a confiança dos investidores e ajudado a manter a economia local ativa.
Indústria
Em São Leopoldo, a indústria foi responsável por quase metade do saldo positivo, especialmente nos segmentos de máquinas-ferramenta e armamentos. Os serviços, puxados pelas áreas de tecnologia e administração pública, também tiveram papel de destaque.
Segundo a vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Econômico, Regina Dutra de Oliveira, o desempenho reforça “a força das empresas tradicionais e, ao mesmo tempo, o protagonismo da nova economia” no município.
Mesmo com oscilações no comércio e na construção civil, todos os setores apresentaram crescimento no período. Para ela, o resultado, obtido mesmo diante de juros altos e outras condições monetárias desfavoráveis, indica que a atividade econômica local segue em expansão.
Empregabilidade
Em Novo Hamburgo, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo, Daiana Monzon, destaca o saldo positivo de mais de 1,3 mil vagas. “Estamos atentos aos resultados negativos de maio e junho e, por isso, já estruturamos novas ações para impulsionar a empregabilidade, como a realização de mais três edições do Emprega NH ainda neste ano – setembro, outubro e novembro.”
Ela observa que há grande número de vagas abertas, mas também muitas pessoas em busca de trabalho. “Uma das hipóteses é que a abertura de novas empresas e oportunidades nem sempre consegue ser acompanhada pela ocupação imediata dessas vagas. Por isso, além de conectar empregadores e candidatos, também estamos investindo fortemente em cursos de qualificação técnica para preparar a mão de obra local e reduzir esse descompasso”, salienta. O setor que mais gerou vagas em Novo Hamburgo foi a indústria (578), seguido pelo comércio (445), serviços (275), construção civil (62) e agricultura (8).
Cidades do Vale do Sinos se destacaram no Caged
O Vale do Sinos concentrou o maior volume de contratações da região, puxado por Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Mas também tiveram saldo positivo Campo Bom ( 642), Sapiranga ( 955), Estância Velha ( 429), Ivoti ( 279), Dois Irmãos ( 429), e Araricá ( 83).
Nova Hartz também se destaca com suas 384 vagas criadas no ano, número maior do que cidades como Canela, Montenegro, Taquara e Três Coroas. “A prefeitura recebe com entusiasmo os dados do Caged sobre a geração de empregos em nosso município. Essas mais de 300 vagas neste ano evidenciam o crescimento de Nova Hartz, que cada vez mais se torna um lugar com qualidade de vida, buscado inclusive por pessoas de outras cidades”, disse o prefeito Neri Chicatto.
No Vale do Caí, Portão ( 296) e São Sebastião do Caí ( 283) lideram o saldo de empregos. Bom Princípio (189) e Presidente Lucena (200) também tiveram crescimento, enquanto Capela de Santana foi a única a encerrar o semestre com saldo negativo (-63).
No Paranhana, o destaque vai para Parobé, com quase 600 novas vagas entre janeiro e junho de 2025 ( 588). Três Coroas (215), Rolante (213), Taquara (119), Igrejinha (59) e Riozinho (22), da mesma forma, fecharam no azul. Aliás, Taquara apresentou recuperação no mês de junho, com saldo positivo de 15 vagas, depois de fechar maio com -93. Por sua vez, Igrejinha esteve negativa em maio (-79) e novamente em junho (-10).
Serra teve bons números, mas o Litoral Norte sofreu com sazonalidade
Considerando a principal região turística do Estado, Gramado (387) e Canela (348) se destacaram, assim como Nova Petrópolis (103) e São Francisco de Paula (58). Picada Café e Linha Nova tiveram ganhos menores, mas ainda positivos. Por outro lado, o Litoral Norte foi o único recorte regional com resultado negativo no semestre. Imbé (-243) e Tramandaí (-501) registraram quedas expressivas, reflexo da sazonalidade das contratações temporárias de verão, que tendem a ser compensadas neste segundo semestre com a retomada do turismo, conforme o assessor de Ações Institucionais e Transparência de Tramandaí, Wagner Freitas.
Saldo positivo ainda é reflexo da recuperação
O economista Moisés Waismann, professor da Universidade La Salle, diz que o primeiro semestre foi excelente para quem procura emprego no Brasil. “Devemos ficar muito felizes com esse momento, em que observamos crescimento mês a mês.” Ele explica que o saldo positivo na oferta de vagas com carteira assinada ainda é reflexo da retomada da economia pós-enchente. “Precisamos ter em mente que, diferentemente da pandemia, a enchente de 2024 destruiu estruturas. Levou prédios, maquinários, computadores, estoques. A recuperação é bem mais lenta”, observa.
Além disso, o setor produtivo está produzindo e contratando, apesar do cenário político instável. “Esse cenário era previsível, pois a inflação está em patamar estável, assim como dólar que, apesar de altos e baixos, se mantém”, comenta o professor universitário.
Apesar da oferta abundante de vagas, Waismann pondera que os empregos oferecidos aos trabalhadores pagam menos atualmente. “O mercado de trabalho está crescendo, mas pagando rendimentos menores.” Quem está desempregado, precisando voltar ao mercado de trabalho, acaba aceitando os salários mais baixos.
Para o segundo semestre de 2025, o economista é menos otimista
Para ele, ainda não é possível ter noção dos impactos das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na economia brasileira e, consequentemente, na oferta de empregos. “É um momento de muita apreensão. Os governos [estadual e federal] darão suporte, mas há setores que serão muito prejudicados em função das suas características.” O coureiro-calçadista é um deles, diz Waismann.

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial
Açougueiro consegue emprego depois de dois anos sem trabalho fixo
Morador do bairro Duque de Caxias, em São Leopoldo, Joéser Brasil de Souza, 37 anos, é um dos leopoldenses que entrou para os dados positivos de empregabilidade neste primeiro semestre.
Até maio deste ano, ele atuava como autônomo, fazendo docinhos diversos para vender e ajudar na renda da casa, onde mora com a esposa e os três filhos. Mas seguia procurando emprego fixo. Foi quando soube que abriria uma loja da rede Viezzer Supermercados na cidade. “Estava passando na frente, vi o anúncio das vagas e mandei mensagem.”
Com experiência na função de açougueiro desde 2007, passando por outros estabelecimentos grandes e mercados menores, ele estava há cerca de dois anos sem trabalhar de carteira assinada e ficou muito contente ao conseguir o emprego no local. “Foi muito bom, pois tenho plano de saúde e benefícios”, citou, lembrando a segurança que um trabalho formal pode trazer.
Mesmo assim, ele mantém as encomendas de doces, para fortalecer a renda da família. “Eu tenho clientes fixos de docinhos, então continuo fazendo. Mas aqui eu tenho uma segurança, se um dia eu sair, tenho Fundo de Garantia, seguro-desemprego. Tenho meus direitos”, ponderou Souza.
Atuando no turno das 13h às 21h30, ele conta que gosta da função. “É bem bom de trabalhar. A gente já conhece de carne, então, já transmite segurança pros clientes, e temos bastante promoção na loja também.”
*Colaboraram: Daniele Balbinot e Priscila Carvalho