Cerca de 250 jovens de Novo Hamburgo, entre 18 e 19 anos, embarcaram nesta terça-feira (24) com destino a 11 unidades do Exército no município de Santa Maria, na região central do Estado, a mais de 250 quilômetros de casa. Eles se somam a outros aproximadamente 250 rapazes que já haviam partido à missão na segunda-feira (23), totalizando 497 convocados somente no Município. O comboio de ônibus saiu da estação rodoviária de Novo Hamburgo.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Dos 497 jovens que viajaram, entre 460 e 470 devem, de fato, ser incorporados. “Eles sempre seguem em número maior, porque pode acontecer de algum se machucar ou apresentar alguma situação que impeça a incorporação. A estimativa é de que cerca de 90% permaneçam”, explica o tenente-coronel Wilmar Marconggine Forquim Júnior, chefe da Seção do Serviço Militar Inicial do Rio Grande do Sul. O período inicial de serviço varia de 10 meses a um ano.
O clima no saguão da rodoviária era de expectativa e despedida. Mochilas prontas, abraços apertados e fotos para registrar o momento marcaram a manhã. Acompanhados por pais e familiares, os jovens compartilharam diferentes sentimentos. Alguns aguardavam ansiosamente pela convocação e falavam com entusiasmo sobre disciplina, aprendizado e a possibilidade de seguir carreira. Outros, mais reticentes, precisaram reorganizar a vida para atender ao chamado.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Morador do bairro Liberdade, Gabriel Faria da Silva, 18 anos, irá servir no 29º Batalhão de Infantaria Blindado (BIB). Ele conta que sempre teve o desejo de ingressar no Exército. “Era o sonho do meu pai e da minha mãe e fico muito feliz em poder realizar. Estou muito ansioso. Dizem que é uma ótima experiência e eu acredito muito nisso”, afirma. Silva destaca ainda que é o primeiro da família a conseguir servir, já que o pai e o avô tentaram, mas não foram incorporados.
Do bairro Rondônia, Erick Bruno Evangelista da Silva, 19, foi designado para o 1º Regimento de Carros de Combate (RCC). Para ele, o momento é um dos mais importantes da vida. “Eu já queria servir desde cedo. Sempre estudei, via vídeos, pesquisava. Além desse primeiro ano, quero continuar lá dentro. É uma missão e eu vou firme”, disse. O jovem ressalta que a disciplina e a hierarquia são pontos que o atraem na carreira militar. “É algo que forja caráter, ensina respeito e responsabilidade”, acrescenta.
Já o técnico em enfermagem Vitor Gabriel Scherer, 18, pediu demissão do trabalho no Hospital Municipal de Novo Hamburgo para cumprir o serviço militar. Ele afirma que encara o período como uma oportunidade de crescimento. “Vou para aprender mais e também para contribuir com o que eu já sei na área da enfermagem socorrista”, relata.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Se para os jovens o momento é de desafio e expectativa, para os pais o sentimento é misto. Orgulho pela conquista dos filhos, mas também aflição pela distância e pela mudança na rotina. O autônomo Luis Henrique da Silva, 40, pai de Gabriel, falou com emoção sobre a partida do filho. “É um momento marcante. Ele vai aprender coisas novas e vai voltar diferente para a sociedade, não tenho dúvidas disso. Quando foi a minha vez, eu não consegui servir. Agora ele está realizando um sonho da família”, afirma.
A mãe de Vitor, Juliana de Souza, 45, admite o nervosismo pela necessidade de se despedir do filho. “A gente fica nervosa, mas precisa confiar nas habilidades dele. Encarei como uma oportunidade de aperfeiçoamento. Ele gosta do que faz e pode ser útil lá dentro”, disse.
Outros 400 rapazes da região serão incorporados em unidades de Cachoeira do Sul
Rapazes de cidades como Portão, Estância Velha, Ivoti, Sapiranga, São Sebastião do Caí, Igrejinha, Três Coroas e Campo Bom foram encaminhados para unidades do Exército em Cachoeira do Sul, cidade que também fica a 250 quilômetros da região. Esses jovens embarcaram, em grande parte, na segunda-feira para o destino.
De acordo com o tenente-coronel Forquim, o deslocamento de jovens dos vales do Sinos, Caí e Paranhana para quartéis do interior tem relação direta com a queda no número de alistamentos no Estado. “Até 2016, 2017, tínhamos quase 90 mil alistados no Rio Grande do Sul. Hoje são cerca de 60 mil. A redução da taxa de natalidade impacta diretamente o Exército”, explica.
Com muitos quartéis localizados em regiões de fronteira e cidades com menor população, como no Sul e Noroeste do Estado, o Exército viu a necessidade de buscar jovens nessas regiões, onde tradicionalmente os jovens eram dispensados do serviço militar, para suprir a demanda.
Jovens de Santa Catarina também serão chamados
O cenário é considerado inédito pelo comando do serviço militar no Estado. A partir de 2027, o Exército iniciará a seleção de jovens em Santa Catarina para servirem em quartéis gaúchos. “Vamos começar a buscar jovens em Chapecó para servirem em Cruz Alta, por exemplo. A seleção começa este ano para incorporação no ano que vem”, explica Forquim.