A quinta edição do torneio de cães policiais, conhecidos como K-9, que acontece neste fim de semana no Parque do Imigrante de Sapiranga, trouxe como principal inovação uma prova voltada ao uso de cães de trabalho na proteção de mulheres, um tema que ganha relevância diante do aumento dos casos de violência de gênero no país.
O evento reuniu competidores de diferentes regiões do Brasil e até de países vizinhos, como Uruguai e Argentina.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Promovido pela Delegacia de Polícia de Sapiranga, em parceria com a Prefeitura e com o apoio de mais de 20 patrocinadores, o torneio contou com mais de 70 competidores distribuídos em diversas modalidades, como faro de narcóticos, busca e resgate por odor específico e provas de patrulha e intervenção.
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De acordo com o chefe de investigação da DP, o escrivão Fabrício Koch Vianna, a proposta da competição vai além da disputa. “É motivo de orgulho sediar aqui em Sapiranga essa competição, que é a maior já realizada”, destaca.
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Vianna ressalta que a prova específica para mulheres foi criada para incentivar a participação delas na área e ampliar o debate sobre segurança. “A cada ano buscamos melhorar o torneio e torná-lo mais atrativo. A prova de intervenção feminina vem justamente para incentivar a participação das mulheres e mostrar que esse tipo de treinamento está ao alcance de todos, desde que haja dedicação e vínculo com o cão”, explica.
Segundo ele, os cães de trabalho têm papel fundamental tanto nas forças de segurança quanto no ambiente doméstico. “O cão é uma ferramenta importante na proteção, inclusive das mulheres. Esse tipo de iniciativa também ajuda a despertar na comunidade o interesse por essa área e a desenvolver essa cultura”, acrescenta.
Da mais jovem competidora a um bicampeão sul-americano
Além da presença de agentes de segurança pública, como policiais militares e penais de diferentes estados, o evento também reuniu competidores civis, evidenciando o crescimento da cinofilia, área que estuda o comportamento e o treinamento de cães.
Entre os participantes, histórias pessoais chamaram atenção. A mais jovem competidora desta edição foi Catarina Beltrame Vieira, de 12 anos, vinda de Florianópolis (SC), que participou ao lado da cadela Fúria Negra, da raça pastor belga malinois black. Apaixonada por cães desde pequena, ela contou que o interesse surgiu dentro da própria família. “Eu sempre gostei muito de cachorro. Comecei a acompanhar meu padrasto em campeonatos e quis participar também. Hoje, eu e a Fúria Negra somos parceiras, uma protege a outra”, relata.
Mesmo com pouca idade, Catarina já encara o treinamento com seriedade, mas sem abrir mão da leveza. “O importante é se divertir, fazer amizades e aprender. A gente treina um pouquinho todos os dias, porque o cachorro nunca para de aprender”, disse. Sobre a experiência na prova, ela não escondeu a emoção. “Ela (Fúria Negra) fez tudo certinho, latiu, mordeu, e eu fiquei muito feliz. Foi especial”, sublinha.
Se de um lado a juventude aponta para o futuro da atividade, do outro, a experiência de competidores consagrados reforça o nível técnico do torneio. É o caso do José Roberto Vesco, cabo da Polícia Militar de São Paulo há 23 anos, que percorreu mais de 1.300 quilômetros desde Presidente Prudente para participar da competição pela primeira vez.
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Bicampeão sul-americano de cães de trabalho ao lado da cadela Kira, da raça pastor belga malinois, Vesco destaca a evolução das competições e a importância do intercâmbio entre equipes. “Eu já estou há sete anos no canil e foi ali que descobri minha aptidão com os cães. Comecei a competir em 2023 e desde então venho participando de provas pelo Brasil. Esse tipo de evento fortalece muito o trabalho”, afirma.
O policial também lembra que conquistas anteriores chegaram a garantir vaga em competições internacionais. “Fomos campeões em Florianópolis e conquistamos vaga para o mundial nos Estados Unidos, mas não conseguimos participar por questões burocráticas. Mesmo assim, seguimos competindo e evoluindo”, conta.
Para ele, a participação em Sapiranga reforça a relevância do torneio. “A gente conheceu o evento em outra competição e agora conseguimos vir. Mesmo sendo longe, vale muito a pena estar aqui”, completa.