O que um empresário de São Leopoldo tem a ver com a história da rede hoteleira de Tramandaí? A resposta é: tudo.
Em 1898, uma época em que o trajeto entre o Vale do Sinos e o litoral norte era uma verdadeira expedição de três dias em carroças puxadas por bois, Jorge Enéas Sperb decidiu construir um hotel próximo ao mar – um destino, naquele tempo, ainda desconhecido para a maior parte dos gaúchos. A iniciativa fez de Sperb um pioneiro do setor.
LEIA TAMBÉM: Às margens da Ponte Giuseppe Garibaldi, museu guarda a história de Tramandaí

Foto: Reprodução / Museu Histórico Municipal Professora Abrilina Hoffmeister
Sperb não era um aventureiro de primeira viagem: ele já vinha de uma família com tradição no setor hoteleiro leopoldense.
De acordo com o pesquisador Felipe Kuhn Braun, autor do livro Tramandahy: As idas à praia no início do século XX, Sperb trouxe essa experiência capilé para fundar o que viria a ser uma rede de referência na região.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
Local escolhido “a galope”
A decisão pelo local não foi por acaso. O jovem empresário, na época com 28 anos, percorreu a cavalo, acompanhado de amigos, a costa entre Torres e Quintão em busca do ponto ideal para seu hotel de verão.
A escolha recaiu sobre Tramandaí por sua geografia: era um ponto estratégico para as famílias de Porto Alegre e dos vales do Sinos e Paranhana. “Na época, era um local acessível depois de três dias e meio de viagem de carroça”, destaca Braun.

Foto: Reprodução / Museu Histórico Municipal Professora Abrilina Hoffmeister
Tradição à beira-mar
Inaugurado em 21 de janeiro de 1898, o Hotel Sperb abriu suas portas com 12 quartos e a presença de 30 convidados.
Naquela época, o veraneio era um privilégio exclusivo das famílias mais abastadas, principalmente de origem alemã, que traziam seus trajes de banho e maiôs de lã diretamente da Europa e buscavam o balneário tanto pelo lazer quanto pelas propriedades terapêuticas do mar.