O 6º melhor município em qualidade de vida do Brasil, Presidente Lucena, tem um novo título. A cidade tem uma única escola estadual e é a responsável pela comemoração na comunidade: a Guilherme Exner teve a maior nota – 632,8 – no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2024 entre as escolas públicas que dispensam a seleção de estudantes. Segundo a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), são instituições que o aluno ingressa sem prova. (Veja o vídeo no fim da matéria).

Foto: Susi Mello/GES-Especial
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Qual é o segredo da instituição? Os 23 professores comprometidos com a educação e salas de aulas com turmas pequenas, que possibilitam atendimento individualizado, são os aspectos considerados para o resultado obtido. A diretora Nair Konzen, que ocupa o cargo desde o início deste ano, conta que observa comprometimento dos docentes. “Tem professor que mora em outro município e sai de casa às 6 horas da manhã para a escola. É um compromisso muito grande com a escola”, comenta.
Já sobre as turmas pequenas, ela explica que esse aspecto possibilita um atendimento mais individualizado. “Isso é extremamente importante para que o aluno se sinta assistido e dê importância à aprendizagem”, complementa.
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A vice-diretora Marlise Rick conta que há uma equipe maravilhosa e alunos e pais que se importam. Além disso, sublinha, desde 2018 a instituição também tem recebido alunos de famílias do Norte do País, que vivem em Presidente Lucena por conta da oferta de emprego na cidade.
Desafio
A equipe diretiva reforça que o desafio para 2025 é manter o resultado positivo deste ano nas provas do Enem com alunos da escola que completará 65 anos de fundação em novembro. “Vamos fazer uma festa em novembro para comemorar duas coisas importantes: os 65 anos da escola e esse título que a gente conquistou”, arremata a diretora.
Colegas do 3º ano do Ensino Médio, da turma da manhã, Maria Eduarda dos Santos da Silva, 17 anos, e Natasha Maysa Simon Schmidt, 18, farão prova do Enem este ano. As duas sentem-se preparadas com o aprendizado recebido na escola. Natasha decidiu voltar para a Guilherme Exner para preparar-se para o Enem. Ela foi aluna do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, e voltou para o 3º para preparar-se mais, especialmente em Geografia, História e Química. “Tenho muita esperança na nossa turma. Tem muita gente inteligente, estudiosa e com muitos objetivos”, comenta Natasha.
Necessidade de área coberta
O foco na aprendizagem é importante, mas a escola passa por desafios em oferecer melhor infraestrutura. A diretora explica que há necessidade de área coberta tanto para colocar jogos durante os intervalos, como para realização de reuniões e palestras.
Com o advento da lei que impede o uso de celular na escola, Nair conta que a escola passa por uma nova realidade. “Provavelmente em outros tempos não se percebeu tanto que os alunos precisavam de uma quadra para praticar educação física, porque atualmente a quadra de esportes fica fora da escola o que exige pessoal para acompanhar os alunos. Estamos percebendo agora que precisamos de espaços”, informa, exemplificando que o espaço coberto possibilitará a prática de jogos e também reuniões e palestras, situações que são realizadas atualmente fora do espaço escolar. “Estamos lutando para ter esses espaços”, comenta.
Segundo a diretora, a escola está buscando apoio de empresas e políticos para conseguir a cobertura para uso coletivo. “Temos sala de aula. Isso não está faltando, mas nós não temos um ambiente que proporcione trazer mais a comunidade para dentro da nossa escola.”
“Universidade é o caminho”
A secretária de Educação do Estado, Raquel Teixeira, destaca que as escolas gaúchas nunca se saíram tão bem em notas como em termos de participação dos estudantes nos dois dias de prova do Enem. “Estamos muito felizes com as escolas gaúchas”, frisa.
Ela destaca o engajamento das equipes diretivas e dos estudantes e a mobilização que a Seduc fez ao mostrar a importância de um curso universitário na vida dos estudantes, em termos de renda e qualidade de vida, adquiridos pela formação. ”A universidade é o caminho mais consolidado para essa melhoria”, complementa.
A secretária acrescenta ainda que a Seduc paga transporte para o aluno realizar prova e oferece kits com água, chocolate, maçã e caneta. “Houve todo um estímulo da rede, o que comprova que se trabalharmos juntos, se olharmos juntos na mesma direção, objetivando o sucesso dos nossos alunos, isso funciona. Estou bem feliz e igualmente todas as escolas estão muito felizes”, pontua.