A COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), que está ocorrendo em Belém (PA) durante este mês de novembro (entre os dias 10 e 21), contou com o trabalho de uma ex-professora da Universidade Feevale entre representantes do Rio Grande do Sul.
No dia 15 de novembro, a professora Ana Elicker, que dá aula na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Oldenburgo, de Rolante, apresentou o projeto Clima e Algoritmos: As desigualdades e a Resistência em Tempos de IA. O trabalho, desenvolvido entre alunos do 9º ano e selecionado como um dos melhores do mundo, esteve no palco do Teachers COP às 10h.
O evento contou com interpretação em inglês, francês, espanhol e português.
A produção seguiu os pilares do currículo verde da Greening Education Partnership (GEP) e a seleção foi realizada pelo Office for Climate Education (OCE), em parceria com a VVOB Education for Development e a Nova Escola.
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Ana é mestre em Letras, com especializações em Neuropsicopedagogia, Neuroaprendizagem, Gestão Escolar e Educação de Jovens e Adultos. Além disso, é autora de diversos livros e vencedora de prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio Professor, do MEC, e menção honrosa pelo Colleges et Institutes, pelo Canadá.
“A apresentação ocorreu de forma híbrida e aberta a educadores previamente inscritos de 83 países. Cada projeto teve dez minutos de apresentação. Na minha participação, destaquei o objetivo das habilidades comunicativas, com ênfase na leitura e na escrita e as narrativas frente aos problemas climáticos, em especial as enchentes que estão cada vez mais frequentes e severas e o quanto é o como isso afeta as pessoas”, contou a profissional.
Pesquisa dos alunos abordou mudanças climáticas, desigualdade e inteligência artificial
Ana explicou que o projeto foi criado com o objetivo de trazer o aprendizado sobre mudanças climáticas, desigualdade e inteligência artificial para a sala de aula de forma clara. “A crise climática não é um evento distante, mas uma experiência vivida. A experiência local com as enchentes recentes (mencionadas na âncora do projeto), revelou que o sofrimento e os impactos são profundamente desiguais. A primeira etapa envolveu a escuta das vivências, preocupações”, afirmou.
“Os alunos começam investigando a realidade local (Rolante), usando a Inteligência Artificial (IA) generativa (ChatGPT, Gemini, etc.) para testar suas hipóteses e aprofundar a pesquisa. O uso da IA nessa fase é para elaborar perguntas, não respostas, desenvolvendo o prompt como ferramenta de pesquisa”, continuou.
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A professora descreveu que o projeto envolveu ainda idas à campo para ouvir a comunidade atingida pela enchente, estudos e leituras em diferentes PDFs sobre temas climáticos, palestras, produção textual com resumos, entrevistas e relatórios, desenho do mapa da cidade, em escala com mapeamento dos rios e principais arroios, entre outras atividades.
Ela mencionou que, embora seja desafiador, é possível aplicar o USO de IA nas salas de aula. “Faz-se necessário reconhecer que Inteligência Artificial é um recurso pedagógico e cabe ao educador (que libera o uso) acompanhar para que seu uso seja de forma segura, ética e responsável”, comentou.
“No projeto, a IA foi usada para busca de textos em sites oficiais, organização de pesquisa e aprimoramento da comunicação e elaboração de prompts sobre problemas climáticos”, continuou.
“Atesta que ainda há muita qualidade no ensino público”
“Receber a notícia de que o projeto foi selecionado entre os 10 melhores do mundo é a validação máxima do trabalho da educação básica brasileira. É mais do que um reconhecimento pessoal, atesta que há muita qualidade no ensino público. Estamos nos apropriando de conhecimento e reflexão no mais alto nível, equiparável aos melhores projetos internacionais”, comemorou Ana Elicker.
“É o reconhecimento do potencial dos alunos do 9º ano para atuarem como cidadãos ativos e críticos na agenda climática, usando ferramentas digitais de forma consciente. A seleção valida o mérito de integrar temas complexos como IA, desigualdade e clima no currículo de Língua Portuguesa, provando que a formação para a cidadania digital e a justiça social é um pilar da educação climática”, finalizou.